Ray Kurzweil, famoso por acertar previsões: IA será mais inteligente que humanos e vamos coexistir

Avatar for Mayara MarquesMayara MarquesInovaçãosetembro 19, 2024

O renomado futurista e visionário da IA do Google, Ray Kurzweil, acaba de lançar “A Singularidade está mais próxima”, a sequência de seu best-seller de 2005, “A Singularidade está próxima”, no qual previu a chegada do iPhone e a vitória de computadores sobre humanos no xadrez.

Agora nesta nova obra, publicada no Brasil pelo selo Goya, da editora Aleph, Kurzweil aprofunda suas análises sobre as transformações tecnológicas que moldam a sociedade contemporânea.

Ele explora um futuro onde a integração entre inteligência artificial e biotecnologia redefine o que significa ser humano.

Segundo Kurzweil, estamos à beira de um marco histórico: o momento em que a inteligência das máquinas superará a dos seres humanos. No entanto, ele argumenta que isso não representará o fim, mas sim um novo começo, onde humanos e máquinas inteligentes poderão coexistir de forma harmoniosa.

O livro, com 400 páginas, está à venda no Brasil por R$ 99,90. A seguir, confira um trecho adaptado de um dos capítulos.

Via Flickr

Capítulo 4

No capítulo 4, o autor destaca que a vida está melhorando de forma exponencial, apesar de o consenso público muitas vezes não perceber isso. Ele apresenta dados sobre a redução da pobreza extrema, o aumento da alfabetização e o acesso a instalações sanitárias, mostrando que esses avanços ocorrem de forma lenta e constante ao longo dos anos.

No entanto, essas melhorias não costumam aparecer nas manchetes porque são incrementais e parecem pequenas quando observadas em curtos períodos de tempo. Mesmo assim, as tendências positivas continuam a se desenvolver de forma significativa ao longo das décadas.

Ainda, Ray Kurzweil discute o progresso exponencial impulsionado pela “Lei dos Retornos Acelerados”, que acelera a inovação em áreas que manipulam informações, como computação e comunicação.

Ele esclarece que não acredita que toda inovação seja exponencial, mas que certos tipos de tecnologia, como a imprensa e os computadores, criam ciclos de feedback que aceleram o progresso.

A “Lei dos Retornos Acelerados” é poderosa porque mantém os custos de inovação abaixo dos benefícios, permitindo que o avanço continue. À medida que a inteligência artificial se aplica a mais campos, veremos um progresso acelerado em áreas como medicina, alimentação, vestuário e habitação.

O autor prevê que, nas próximas décadas, a maioria dos aspectos da vida melhorará exponencialmente devido a essas dinâmicas tecnológicas.

Mídias e notícias

Kurzweil argumenta que a cobertura jornalística distorce nossa percepção das tendências globais, focando desproporcionalmente em crises e conflitos para atrair a atenção do público, um padrão presente desde antigas mitologias até filmes modernos como Star Wars.

Isso aumenta com os algoritmos das redes sociais, que maximizam respostas emocionais para aumentar o engajamento e as receitas publicitárias. Como resultado, notícias positivas e de progresso, como as mencionadas no início do capítulo, são relegadas a um segundo plano.

O autor também explica que nossa atração por más notícias é uma adaptação evolutiva, já que, historicamente, a atenção às ameaças foi crucial para a sobrevivência, enquanto melhorias menores, como um aumento nas colheitas, recebiam menos atenção.

No entanto, os seres humanos não desenvolveram um instinto para reconhecer mudanças graduais e positivas. Isso porque, durante grande parte da história, as melhorias na qualidade de vida eram imperceptíveis.

Via Wikimedia

Ray Kurzweil compara o crescimento econômico na Inglaterra entre os séculos XV e XX, mostrando que, durante séculos, o PIB per capita permaneceu praticamente o mesmo, enquanto nos últimos cem anos houve um aumento significativo.

Isso demonstra que, tanto a evolução biológica quanto a cultural, não prepararam os humanos para focar no progresso gradual, algo que não era perceptível na época de Platão ou Shakespeare.

O autor também compara o instinto antigo de detectar ameaças com o comportamento moderno de monitorar constantemente as redes sociais em busca de potenciais perigos.

Esse hábito, segundo Pamela Rutledge, diretora do Media Psychology Research Center, impede que as pessoas percebam os progressos lentos e positivos que ocorrem ao longo do tempo.

O que tínhamos no passado

Ray Kurzweil também discute sobre nostalgia, um termo criado em 1688 que combina as palavras gregas para “regresso à casa” e “dor”. A nostalgia é mais do que simples lembranças; é um mecanismo de enfrentamento que ajuda a lidar com as dificuldades do passado.

Estudos, como o de Clay Routledge, mostram que recordar experiências nostálgicas positivas pode aumentar a autoestima e fortalecer laços sociais.

Ao relembrar o passado, as pessoas tendem a esquecer as dores e se concentrar nos aspectos positivos, enquanto, ao olhar para o presente, são mais conscientes das preocupações atuais.

Isso pode criar a falsa impressão de que o passado era melhor do que o presente, mesmo diante de evidências que mostram o contrário.

O autor argumenta que estamos condicionados a esperar entropia, ou seja, a acreditar que as coisas tendem a se desintegrar e piorar. Embora essa visão possa nos preparar para contratempos, ela também cria um viés que obscurece as melhorias na qualidade de vida.

Esse pessimismo tem repercussões políticas: uma pesquisa de 2016 revelou que 51% dos norte-americanos achavam que a cultura e o modo de vida tinham piorado desde a década de 1950. Enquanto isso, uma sondagem no Reino Unido mostrou que 71% acreditavam que o mundo estava piorando.

Essas percepções alimentam a retórica de políticos populistas que prometem restaurar um passado idealizado. Mesmo que esse passado tenha sido, de fato, pior em várias métricas de bem-estar.

O livro de Ray Kurzweil promete trazer mais análises profundas sobre o momento presente, e o que realmente esperar do futuro.

 

Fonte: Exame

Imagens: Wikimedia, Flickr

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