Curiosidades

Os hábitos no banheiro que causam estranheza em outras partes do mundo

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Normalmente, quando se trata de higiene, as pessoas tendem a acreditar que a sua própria é boa e, às vezes, julgam o que elas consideram “falta de higiene” do outro. Nesse sentido, com certeza um dos lugares onde os hábitos diferem em várias partes do mundo é o banheiro. Alguns hábitos podem causar estranheza em outras partes do mundo.

Tanto que em 2019, o famoso comediante egípcio Bassem Youssef fez uma brincadeira em sua primeira apresentação em Londres. “Como árabes, temos de ter três coisas quando vamos viajar: passaporte, dinheiro e um bidê portátil. Não entendo: vocês são um dos países mais avançados do mundo. Mas quando se trata da parte de trás, vocês estão atrasados”, brincou.

Muitas pessoas concordam com a brincadeira do comediante. Isso porque, a tendência em vários países ocidentais de as pessoas se limparem apenas com papel higiênico depois de usar o banheiro, ao invés de se enxaguarem, é motivo de estranheza em vários lugares do mundo.

Água ou papel no banheiro?

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Até porque, a água limpa bem mais do que o papel. E por mais que o papel higiênico não seja tão áspero, a água é bem menos abrasiva do que qualquer uma das marcas mais macias de papel disponíveis no mercado.

Em vários países, há tempos uma passada no banheiro se encerra com um jato de água, e não somente nos países não ocidentais, tanto que foram os franceses que deram ao mundo a palavra bidê.

“Ainda assim, grande parte do Ocidente depende do papel higiênico, incluindo o Reino Unido e os Estados Unidos. E, quando comparadas com qualquer outro lugar do mundo, essas duas nações foram as que tiveram a maior influência na cultura moderna do banheiro”, observou a historiadora da arquitetura Barbara Penner em seu livro “Bathroom”.

Isso realmente é verdade, tanto que, na década de 1920, as tendências dos banheiros anglo-americanos se tornaram bastante difundidas e chegaram a ser apelidadas de “imperialismo sanitário”.

Entretanto, essas tendências não se popularizaram no mundo todo. Por exemplo, em vários países de maioria muçulmana a água ainda é a preferida depois de uma ida ao banheiro, porque os ensinamentos islâmicos incluem o uso de água para a limpeza.

Sentado ou de cócoras?

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Durante a dinastia Han, de 206 a.C. a 220 d.C., os dois tipos de sanitário foram usados na China. Atualmente existem diferenças regionais nessa preferência, mas o tipo que exige agachar predomina nos banheiros públicos do país.

É estimado que ainda hoje, dois terços do mundo se agachem e usem o que no Brasil é conhecido como banheiro turco, quando a privada é embutida no chão. No entanto, vários ocidentais continuam resistentes a esse hábito.

Em contrapartida, anatomicamente, se agachar é a melhor postura. Isso porque o ângulo permite uma passagem mais suave das fezes, porque favorece os movimentos intestinais. Além disso, o agachamento também melhora outros aspectos, já que exige força e flexibilidade.

Cultura do banho

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Outro hábito de banheiro que varia de cultura para cultura é o do banho. “Há uma tendência a se tomar banho logo cedo nas sociedades ocidentais ou tomar banho todos os dias, e isso é estranho”, disse Elizabeth Shove, socióloga da Universidade de Lancaster, na Inglaterra, que pesquisa práticas de consumo de água e energia.

Uma influência importante para isso foi o boom da publicidade global depois das guerras mundiais. Até porque, foi relativamente recente que surgiu a ideia de usar tipos especiais de sabão para o corpo e o rosto, ao invés de produtos de limpeza genéricos que também podem ser usados para roupas. Por conta disso se criou uma tendência generalizada de uma frequência maior de banhos.

Por conta disso, o conceito presente no ocidente de banho diário também é relativamente novo. Assim como aponta Elizabeth, apenas duas gerações atrás, o padrão no Reino Unido era que as pessoas tomassem banho uma vez por semana.

Além disso, essa rotina típica de tomar banho de manhã é, em parte, reflexo das noções contemporâneas sobre como estruturar o dia, que é mais ordenado que no passado. E também da noção de que tomar banho é uma maneira de ficar apresentável para as outras pessoas, ao invés de ser apenas para limpar a sujeira do dia.

Mesmo assim, a história dos hábitos de higiene sugere que tudo pode mudar conforme o desenvolvimento cultural e tecnológico. Por exemplo, no futuro, as pessoas do ocidente podem começar a tomar um banho por semana por conta da questão ambiental, ou então trocar as duchas por baldes e canecas.

E por mais que esses hábitos pareçam uma questão de bom senso, eles são, na realidade, condicionamentos sociais. Até porque, todo mundo precisa aprender em algum momento a usar o banheiro.

Fonte: BBC

Imagens: BBC

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