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Os hipopótamos colombianos

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Os hipopótamos são nativos do continente africano. Eles vivem tanto na água quanto no solo e têm como predadores principais os leões, que os caçam em bandos. No entanto, existe uma quantidade expressiva de hipopótamos vivendo soltos há vários quilômetros do seu habitat natural, mais precisamente na Colômbia. Mas como isso é possível?

Pablo Escobar

Essa história teve seu início no ano de 1980, quando o famoso narcotraficante Pablo Escobar decidiu gastar um pouco de sua fortuna para criar um espaço de lazer privativo para si. Assim, ele resolveu montar um zoológico! A ideia veio após uma visita à fazenda dos irmãos Ochoa, seus aliados no Cartel de Medellín. O traficante ficou impressionado com a variedade de animais exóticos que eles possuíam.

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Após decidir montar seu próprio zoológico, Pablo deu uma leve estudada para tentar comprar os animais mais adequados ao clima colombiano. Ele adquiriu uma coleção inteira da National Geographic! Desde o início, ele já havia descartado a ideia de ter leões e tigres em seu zoológico, pois achava os felinos perigosos demais. 

No ano de 1981, durante umas férias em família nos Estados Unidos, Escobar encarregou um de seus “funcionários” de encontrar um lugar onde fosse possível comprar animais exóticos. O negócio foi fechado com os irmãos Don e Brian Hunt, que eram donos de um criadouro próximo à cidade de Dallas, no Texas. Pablo pagou o equivalente a US$ 5,5 milhões de dólares. 

Tráfico de animais

Ele comprou elefantes, zebras, girafas, dromedários, búfalos, cangurus, flamingos, avestruzes e 4 hipopótamos. O transporte dos animais para a Colômbia foi uma operação um tanto quanto complexa. A primeira leva aconteceu de barco, no entanto, para acelerar o processo, Escobar fretou aviões cargueiros e levou os animais em voos clandestinos, cujo o destino era seus hangares, no aeroporto de Medellín. 

Os aviões chegavam durante a noite, quando o aeroporto já estava fechado, e os bichos eram imediatamente colocados em caminhões que seguiam para Hacienda Nápoles, sua casa. Para completar seu extenso acervo de animais, ele ainda levou, daqui do Brasil, uma ararinha-azul, que foi comprada de um contrabandista por quase US$ 300 mil dólares atuais. 

Pablo esteve por aqui no ano de 1982, comemorando sua eleição para Parlamento colombiano, e após isso, mandou levarem um casal de botos cor-de-rosa da Amazônia. Quando seu zoológico estava pronto, ele tinha um total de 1.200 espécies que ficavam soltas e podiam ser vistas por quem passasse de carro pelos arredores do local. 

Depois da morte de Pablo

Após a morte do traficante, em 1993, a propriedade da Hacienda Nápoles passou a ser propriedade do governo colombiano. Depois daí, boa parte dos animais foram levados para o zoológico da Colômbia e de outros países. Entretanto, os hipopótamos permaneceram por lá, o motivo é desconhecido até hoje. Atualmente, um parque de diversões foi construído no local, e os animais podem ser vistos pelos visitantes que passam por lá. 

Eles são, inclusive, uma das principais atrações turísticas do parque, apesar de não serem responsabilidade da empresa que administra o empreendimento. A Colômbia revelou-se um verdadeiro paraíso para os hipopótamos, já que lá eles encontram melhores condições naturais para crescerem e se multiplicarem.

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Eles não precisam enfrentar as secas mortais que são uma das coisas que mais afetam esses animais na África, além de terem fartura de pasto. Por último, mas não menos importante, não há predadores por perto, já que os leões estão do outro lado do oceano. Os 4 hipopótamos que Pablo comprou, se multiplicaram e, atualmente, são mais de 50 indivíduos. 

Os animais conseguiram facilmente vencer a frágil cerca que os mantinham presos e se mudaram para as margens do rio Magdalena, um rio raso e sem períodos de seca. Contudo, os hipopótamos são ferozes e extremamente agressivos, além de serem perigosos para seres humanos. 

Ferozes

Eles são os animais que mais matam pessoas na África. São cerca de 500 mortes por ano. Não existem registros de mortes por hipopótamos na Colômbia, apesar de algumas pessoas relatarem já terem sido atacadas por eles. Ainda assim, a população os adora e não quer, de forma alguma, executá-los. 

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Entre as soluções encontradas, está a hipótese de esterilizar esses animais. Porém, essa é uma solução caríssima! Devolvê-los para o continente africano, de onde seus ascendentes vieram, é também caro e perigoso. Além disso, os bichos podem levar doenças e parasitas perigosos para os animais africanos. 

Outra solução poderia ter sido a transferência dos animais para um parque ou zoológico. Essa é uma outra solução que não é simples nem barata. Os hipopótamos continuam como um símbolo vivo do poder que Pablo Escobar teve no passado. Para onde irão seus animais, permanece um dilema, e enquanto isso, eles continuam se multiplicando cada vez mais. 

Os moradores afirmam que, se for dado espaço suficiente para os animais, eles seguirão suas atividades sem incomodar ou atacar ninguém. O problema é quando eles se sentem ameaçados, além da multiplicação e da expansão territorial dos hipopótamos, que pode fugir do controle. Todos os países que fazem divisa com a Colômbia correm o risco de terem esses animais cruzando essas fronteiras, inclusive o Brasil. 

O invasivo e devastador efeito do império de Pablo sobre o país interfere na realidade colombiana até hoje, mesmo 29 anos após sua morte. E aí, você já tinha conhecimento dessa história envolvendo Pablo Escobar? 

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