![Stonehenge continua revelando segredos sobre o período neolítico – [Foto=Shutterstock / Alzay]](https://www.fatosdesconhecidos.com.br/wp-content/uploads/2026/10/24628_16341_5653-1-1.webp)
Durante séculos, Stonehenge intrigou pesquisadores não apenas por sua estrutura, mas também pela origem e pelo transporte das enormes pedras utilizadas na construção do monumento. Agora, um novo estudo apresenta uma possível explicação para parte da viagem de uma delas: a chamada Pedra do Altar, um bloco de aproximadamente 6 toneladas que teria percorrido cerca de 700 quilômetros até chegar ao sul da Inglaterra.
![Stonehenge continua revelando segredos sobre o período neolítico – [Foto=Shutterstock / Alzay]](https://www.fatosdesconhecidos.com.br/wp-content/uploads/2026/10/24628_16341_5653-1-1.webp)
Stonehenge continua revelando segredos sobre o período neolítico – [Foto=Shutterstock / Alzay]
Por isso, mesmo com a possível participação das geleiras em uma parte da jornada, comunidades pré históricas ainda teriam precisado transportar o enorme bloco por centenas de quilômetros.
A Pedra do Altar fica no centro de Stonehenge e pesa aproximadamente 6 toneladas. Ela mede cerca de 4,9 metros de comprimento, 1 metro de largura e 0,5 metro de espessura.
Pesquisas anteriores já haviam indicado que sua origem está no nordeste da Escócia, na região da Bacia Orcadiana. Essa conclusão foi obtida por meio da análise de minerais presentes na própria rocha, que apresentou características compatíveis com formações geológicas escocesas.
Assim, a distância entre a possível região de origem e Stonehenge chega a aproximadamente 700 quilômetros. O tamanho do bloco, portanto, tornou sua trajetória um dos grandes desafios para os pesquisadores interessados em entender como o monumento foi construído.
Para investigar essa possibilidade, os pesquisadores combinaram análises da composição da rocha com modelos computacionais capazes de reconstruir antigos movimentos das geleiras.
Os resultados indicaram que determinados fluxos de gelo poderiam ter levado rochas do nordeste da Escócia em direção ao sul durante a última Era do Gelo. Em determinadas condições, esse deslocamento poderia ter alcançado a região de Dogger Bank, atualmente submersa no Mar do Norte.
Entretanto, essa possibilidade não resolve todo o mistério. Os modelos não identificaram uma rota glacial capaz de levar a Pedra do Altar diretamente até a Planície de Salisbury, onde Stonehenge está localizado.
Dessa forma, a participação das geleiras seria apenas uma etapa da longa viagem.
Segundo os pesquisadores, mesmo no cenário em que o gelo ajudou a deslocar a Pedra do Altar, os habitantes da Grã Bretanha pré histórica ainda teriam enfrentado a tarefa de transportar o bloco por centenas de quilômetros.
Além disso, o estudo aponta que o transporte poderia ter acontecido em diferentes etapas. Nesse cenário, comunidades humanas poderiam ter combinado deslocamentos por terra com trajetos utilizando rios e áreas costeiras.
Essa hipótese também ajuda a explicar por que o transporte da pedra exigiria uma organização considerável. Afinal, movimentar um bloco de aproximadamente 6 toneladas por uma paisagem com rios, florestas e obstáculos naturais não seria uma tarefa simples.
Um dos pontos mais interessantes da nova pesquisa envolve Dogger Bank, uma região atualmente localizada sob o Mar do Norte.
Durante períodos da pré história, áreas que hoje estão submersas faziam parte de uma paisagem terrestre muito diferente da atual. No entanto, o estudo destaca um problema importante: a região foi posteriormente inundada pela elevação do nível do mar.
Por isso, mesmo que a geleira tenha transportado a pedra até Dogger Bank, ainda seria necessário explicar como o bloco deixou a região e continuou sua jornada até o sul da Inglaterra.
Consequentemente, a pesquisa não apresenta a participação das geleiras como uma solução definitiva para todo o percurso. Em vez disso, os resultados sugerem uma possível combinação entre processos naturais e transporte realizado por seres humanos.
Os pesquisadores consideram possível que a Pedra do Altar tenha passado por diferentes etapas antes de chegar a Stonehenge.
Primeiramente, uma geleira poderia ter movimentado a rocha para uma área ao sul da Escócia. Depois, comunidades humanas poderiam ter assumido o transporte, utilizando diferentes caminhos conforme as características da paisagem.
Além disso, rios e regiões costeiras poderiam ter facilitado parte do deslocamento. Dessa maneira, o transporte não necessariamente teria ocorrido por uma única rota terrestre contínua.
Essa possibilidade também reforça uma conclusão já presente em pesquisas anteriores: os povos que construíram Stonehenge tinham capacidade de transportar materiais por longas distâncias. A própria origem escocesa da Pedra do Altar indica uma ampla circulação de pessoas e materiais pela Grã Bretanha durante o período Neolítico.
Apesar dos novos resultados, os pesquisadores ressaltam que ainda existem perguntas sem resposta.
O estudo apresenta uma rota fisicamente possível para uma parte da viagem, mas não demonstra que a Pedra do Altar tenha seguido exatamente esse caminho. Além disso, a origem precisa da rocha dentro da região do nordeste da Escócia ainda precisa ser determinada com maior precisão.
Por isso, novas pesquisas deverão investigar tanto a área de origem da pedra quanto as possíveis rotas utilizadas pelas comunidades pré históricas.
Enquanto isso, a descoberta acrescenta uma nova peça ao complexo quebra cabeça de Stonehenge. Em vez de depender exclusivamente de uma explicação, a trajetória da Pedra do Altar pode ter envolvido uma combinação de fenômenos naturais e esforço humano.
No fim, uma coisa permanece clara: transportar uma pedra de 6 toneladas por centenas de quilômetros exigiu conhecimento da paisagem, planejamento e cooperação entre diferentes grupos humanos.
Fonte: Exame





