Pela primeira vez, cientistas podem ter provado em laboratório que fantasmas não existem

POR Pietro Bottura    EM Ciência e Tecnologia      21/11/14 às 20h16

Sabe aquela sensação de estar sozinho em casa ou em algum lugar, mas de repente sentir fortemente uma "presença", que parece um peso que se pode sentir na nuca, um frio na espinha, a sensação incontrolável de estar sendo observado mas ao mesmo tempo querer e não querer olhar para a direção de onde isso parece vir? Essas sensações, assim como avistar vultos ou ouvir vozes, não passam de nossa imaginação aflorando e provando seu potencial, que, contrariamente aos fantasmas, existe muito bem no mundo real.

Já nossos amigos uivantes, de correntes arrastadas e lençois carcomidos pelo tempo, como todo adulto bem sabe, não passam de um "bug" do cérebro. Ou ao menos é isso que afirmam os pesquisadores franceses da Escola Politécnica Federal de Lausanne, onde foi conduzida uma pesquisa que vai poder trazer luz aos quartos escuros de gente que fica assustada durante a madrugada.

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Isso porque, segundo as pesquisas, esse tipo de sensação é bastante comum com atletas que são sujeitos a condições climáticas extremas, enfrentando a exaustão e o cansaço até níveis limítrofes para a morte - o que causa, é claro, um stress colossal.

Com 12 participantes mentalmente saudáveis, foi feito o teste: um equipamento sensível era colocado no dedo indicador do voluntário, que refletia os movimentos da pessoa nas costas dela, com um braço robótico. Enquanto havia sincronia, nada de diferente, mas quando os cientistas modificaram o tempo de resposta, atrasando-o em 500 milisegundos, os pacientes começaram a relatar a sensação de "presenças fantasma" e sentiam-se sendo tocados por dedos que não estavam lá, além da clássica impressão de estarem sendo observados ou empurrados em direção à "mão fantasma". Alguns chegaram a afirmar que haviam especificamente 4 presenças na sala, o que é um palpite bastante certeiro para alguém mentalmente saudável.

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Mas ainda tem mais: dois dos 12 participantes (ou 15% do total) pediram pra abandonar a experiência na metade dela, por estarem sentindo um incômodo enorme. Assim, foi provado que a sensação de ver ou sentir fantasmas pode ser simulada: basta que haja diferenças conflitantes entre o tempo de ação e resposta de um movimento, ou seja, na verdade temos a impressão de que fantasmas existem por estarmos sentindo o nosso redor de maneira diferente do comum.

Comparando os resultados com as leituras neurológicas de cérebros de deficientes mentais e pessoas que afirmam ter passado por episódios traumáticos com fantasmas, os cientistas puderam concluir que o local do cérebro afetado é o córtex temporo-parietal, parietal-frontal e insular, responsáveis pelos sentidos.

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Ou seja: imagine ter seu tato distorcido e imaginar estar sendo tocado, ou pior, estar sentindo algo em uma área além do seu corpo? Talvez ouvir coisas de lugares de onde não sai som? Ou ver rastros e vultos quando não há nada se movendo? É, de repente, parece que todos os "sintomas" de quem vê fantasmas são na verdade relacionados a problemas com os sentidos. E aí voltamos a quem mais sofre desses casos: atletas em situações extremas, quando o cérebro começa a "dar pau", além de crianças e gente que não sabe separar bem a realidade da imaginação - o que não é exatamente um problema, afinal, ver o mundo sem imaginação é depressivo demais.

Com esses resultados, doenças como a esquizofrenia poderão ser melhor compreendidas, já que até hoje a explicação para avistamentos de imagens inexplicaveis e outras coisas "reais" jamais puderam ser entendidas com tal clareza. E não fique triste: se você gosta de sentir terror, é só esperar sair da faculdade e precisar pagar aluguel. Dá mais medo que qualquer fantasma. Se nem isso funcione, tente nossa.
galeria de GIFs e essa matéria perturbadora.

Pietro Bottura
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL

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