Pesquisadores encontram peixe raro e considerado possivelmente extinto no litoral de SP

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesoutubro 23, 2024

O reino animal nunca cansa de surpreender os humanos. A todo momento existe uma nova descoberta ou encontro que nos deixa bastante surpresos. Como no caso dessa espécie que já foi tida como provavelmente extinta e foi reencontrada no começo desse ano em Itanhaém, litoral de São Paulo. Contudo, o artigo científico sobre esse peixe raro no litoral de SP só foi publicado recentemente.

Por conta dessa descoberta, houve mais esperança de conservação da biodiversidade de peixes de água doce da Mata Atlântica. Nesse reencontro, os pesquisadores viram cinco Leptopanchax itanhaensis em uma poça dentro de uma vala na sub-bacia do Rio Preto.

A espécie é um tipo de peixe anual que vive nas águas escuras, ácidas e que tem uma concentração de oxigênio baixa. Até o momento, é sabido que esse peixe raro só vive no litoral de SP.

Além de ser um reencontro com uma espécie que se achava extinta, a situação fica mais interessante porque a poça onde ele foi encontrado foi destruída em 2007. Desde essa época não se ouviu mais falar da espécie, mesmo com várias pesquisas tentando encontrá-la.

Peixe raro no litoral de SP

Diário do litoral

Todos os indivíduos encontrados eram machos e o maior deles tinha aproximadamente 2,45 centímetros. De acordo com João Henrique Alliprandini da Costa, pesquisador e aluno do Programa de Biodiversidade de Ambientes Costeiros da UNESP, Campus do Litoral Paulista, existe uma preocupação em ter encontrado esse peixe raro em uma poça na beira da estrada e com relação aos problemas de conservação da espécie. 

“A sua ocorrência em poças temporárias é natural, contudo, seu registro em valas de estradas levanta preocupações sobre uma possível perda de habitat de uma espécie tão ameaçada, uma vez que é um ambiente artificial, e com condições hostis (ausência de mata ciliar, o que torna ela extremamente quente; possibilidade de carreamento de poluentes e lixos pela água que passa na estrada, entre outras coisas). Mesmo em ambiente natural, a área que a espécie foi redescoberta tem sido alvo de desmatamento. Esse novo relato e redescoberta da espécie é essencial, trazendo a necessidade de medidas urgentes para proteger a espécie, que além de ser alvo da perda de habitat, que atinge diretamente as poças que habitam, pode ser alvo também do comércio ilegal de espécies – devido a sua beleza chamativa”, disse ele.
Além disso, Costa também disse que os pesquisadores irão continuar a monitorar essa espécie nos próximos meses e anos para entender  os aspectos da biologia, alimentação, reprodução e genética.
“Essa descoberta é um lembrete poderoso da importância de proteger os ambientes naturais remanescentes e dos esforços contínuos necessários para garantir a preservação da biodiversidade única da Mata Atlântica. Essa pesquisa de doutorado busca entender melhor a composição de espécies em poças temporárias e valas de estrada na região, ambientes que abrigam não apenas os rivulídeos ameaçados, mas uma diversidade de peixes pouco conhecidos pela ciência”, concluiu.
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