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Por que a Antártica é considerada um deserto?

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A Antártica é o mais meridional dos continentes e um dos maiores, com uma superfície de catorze milhões de quilômetros quadrados. Pelo fato de estar no polo Sul, a Antártica está quase sempre coberto de geleiras. Mas isso não impede que vários animais vivam por lá. E por ela ser coberta por gelo, muitas pessoa podem estranhar quando a chamam de deserto.

Contudo, o maior deserto do mundo não faz calor, muito pelo contrário. Ele é um dos lugares mais frios da Terra. Por mais que a Antártica tenha suas temperaturas absurdamente frias, esse continente é considerado um deserto porque quase não chove por lá, e isso é tido como o principal critério para definir algum lugar como um deserto.

No entanto, esse tema é polêmico e não existem regras rígidas para que algum lugar seja classificado como deserto. Contudo, geralmente, os lugares que são tidos como desérticos têm menos de 25 centímetros de chuva anualmente. Por conta disso, a Antártica cumpre esse requisito, já que por lá há uma precipitação de aproximadamente 15 centímetros por ano.

Deserto

Olhar digital

Mesmo assim, o continente é gigante e tem alguns lugares que recebem mais chuvas do que outros. Por exemplo, as localidades mais costeiras são onde existem os índices de precipitações maiores, em contrapartida, alguns vales são extremamente secos.

Ao todo, a Antártica tem aproximadamente 14,2 milhões de quilômetros quadrados de área. Nas regiões que existe uma precipitação baixa, como nos Vales Secos de McMurdo, isso acontece por conta das temperaturas frias, montanhas que impedem que as nuvens de chuva passem e por conta dos ventos muito fortes que acabam tirando a umidade do ar.

De acordo com a Rede de Pesquisa Ecológica de Longo Prazo (LTER) da Fundação Nacional da Ciência (NSF) dos EUA, nesses vales secos não existe neve ou gelo, somente lagos congelados de forma permanente que podem ser o lar de alguns micróbios, musgos e líquens que conseguem sobreviver nas condições desses lugares.

Por mais que as regiões centrais da Antártica passem a impressão de não ser o lar de nenhuma vida, os pinguins e petréis vivem em regiões mais perto do oceano porque por lá eles conseguem se alimentar com os peixes. E as focas também passam por esses locais de vez em quando.

Antártica

Tudodoms

Como se tem essa imagem mental de uma imensidão de gelo, é difícil imaginar que o continente tenha sido atingido por incêndios violentos. Há 75 milhões de anos, os incêndios na Antártica foram bem violentos e devastadores. Nessa época, os dinossauros ainda andavam pela Terra. No fim do período cretáceo, um dos mais quentes do nosso planeta, a Ilha James Ross da Antártica era o lar de uma floresta temperada de coníferas, samambaias, plantas com flores e dinossauros.

Contudo, ela não era o paraíso. Até porque, paleo-fogos antigos queimaram partes dessas florestas e deixaram para trás vestígios de carvão que os cientistas recolheram e estudaram recentemente.

“Esta descoberta amplia o conhecimento sobre a ocorrência de incêndios na vegetação durante o Cretáceo, mostrando que tais episódios eram mais comuns do que se imaginava”, disse a pesquisadora principal Flaviana Jorge de Lima, paleobióloga da Universidade Federal de Pernambuco em Recife.

Essa descoberta é um marco com primeira evidência registrada de um paleo-incêndio na Ilha James Ross. Atualmente ela é uma parte da Península Antártica que fica abaixo da América do Sul.

Além disso, a descoberta é mais uma evidência de que os incêndios espontâneos eram bem comuns na Antártica durante a era da campânia, aproximadamente 84 e 72 milhões de anos atrás. Em 2015, os pesquisadores de um estudo separado documentaram a primeira evidência conhecida de incêndios florestais da idade dos dinossauros na Antártica Ocidental.

Nesse novo estudo, a equipe internacional de cientistas analisou fósseis coletados durante uma expedição feita entre 2015 e 2016 na parte nordeste da Ilha James Ross. Os fósseis encontrados tinham fragmentos de plantas que pareciam resíduos de carvão que tinham se deteriorado nessas dezenas de milhares de anos.

Esses fragmentos de carvão eram pequenos. Quando se colocou eles no microscópio eletrônico se revelou sua verdadeira identidade. Eles provavelmente eram fósseis gimnospermas queimados vindos provavelmente de uma família botânica de árvores coníferas chamada Araucariaceae.

“Incêndios florestais intensos foram frequentes e generalizados durante o final do Cretáceo, embora a maioria das evidências dessas chamas esteja no hemisfério norte, com alguns casos documentados no hemisfério sul no que hoje é a Tasmânia, Nova Zelândia e Argentina”, disseram os pesquisadores.

No fim do cretáceo, o supercontinente Gondwana estava se separando, e com isso, deixando lugares como a Antártica mais isolados. Como na época a região era sem gelo, ela tinha várias fontes de ignição, como relâmpagos, bolas de fogo de meteoros caindo e atividade vulcânica, além de uma vegetação inflamável e altos níveis de oxigênio.

“A Antártica teve intensa atividade vulcânica causada pela tectônica durante o Cretáceo, como sugerido pela presença de restos fósseis em estratos relacionados à queda de cinzas. É plausível que a atividade vulcânica tenha gerado o paleo-incêndio que criou o carvão relatado aqui”, concluíram os pesquisadores.

Fonte: Olhar digital, Science alert

Imagens: Olhar digital, Tudodoms

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