Por que chamamos psiquiatras de “psiquiatras”?

Um apelido estranho para quem cuida da mente

Você já deve ter ouvido alguém dizer “preciso marcar com meu psiquiatra”. Mas de onde vem essa gíria tão comum para se referir a psicólogos e psiquiatras? Diferente de termos óbvios como “doutor” ou “doc”, “psiquiatra” (ou shrink, em inglês) parece fora de contexto. Afinal, o que reduzir o tamanho teria a ver com terapia?

A resposta é bem mais sombria do que parece.

Hollywood e o nascimento do termo

De acordo com o Oxford English Dictionary, a primeira vez que “shrink” apareceu impresso foi em 1966, no livro satírico The Crying of Lot 49, de Thomas Pynchon. Mas, na prática, Hollywood já usava o termo antes.

Em 1950, a revista TIME publicou um perfil do ator William Boyd, o cowboy Hopalong Cassidy. Em nota de rodapé, os editores explicavam: “psiquiatra” é o jargão de Hollywood para psiquiatra. Ou seja, os estúdios foram os grandes responsáveis por popularizar a palavra, ainda que de forma meio debochada.

“Encolhedor de cabeças”

Mas por que justamente “shrink”? Uma teoria envolve um costume real e perturbador de tribos no Equador e no Peru: a prática de encolher cabeças humanas. Depois da decapitação, pele e cabelo eram preservados e colocados em potes de barro aquecidos até que se tornassem uma miniatura grotesca chamada tsantsa.

Acreditava-se que essas cabeças guardavam energia espiritual. Ao que tudo indica, a gíria “headshrinker” (encolhedor de cabeças) acabou virando apelido para terapeutas. Afinal, eles não reduziam crânios, mas egos e problemas, deixando-os menores e mais fáceis de lidar.

Carinho ou ofensa?

Chamar um policial de “cop” não é ofensivo. Mas “pig” já muda tudo. Então, onde “shrink” se encaixa? Segundo o psicólogo Ronald Riggio, em artigo de 2012 para a Psychology Today, o termo pode soar negativo, principalmente para profissionais que não lidam com psicoterapia. Ainda assim, para muitos, virou quase um apelido carinhoso.

É como chamar advogados de “sharks” (tubarões). Nem sempre é elogio, mas já entrou no vocabulário popular.

O peso do estigma

Nos anos 1970, quando a gíria explodiu, a saúde mental ainda carregava muito estigma. Usar “headshrinker” ou “psiquiatra” podia ser uma forma de ironizar ou até de evitar admitir que precisava de ajuda. Hoje, felizmente, o cenário mudou: buscar terapia é sinal de cuidado, não de fraqueza.

No fim das contas

A origem macabra da palavra se mistura com o jeito brincalhão de Hollywood de criar gírias. No final, chamar um psicólogo de “psiquiatra” não encolhe cabeças de verdade, mas lembra como até a linguagem pode carregar histórias sombrias escondidas.

Post Anterior

Próximo Post

Seguir
Buscar
Carregando

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...