
Você encararia calor de 66°C ou frio de -29°C só para responder perguntas de conhecimento geral? Pois é, em 2002 a emissora Fox achou que isso poderia virar entretenimento em horário nobre. O resultado foi The Chamber, um game show que durou apenas três episódios, mas deixou marcas bizarras na história da TV.
A ideia era simples, na teoria. O competidor entrava em uma cápsula futurista chamada de “Câmara” e precisava responder perguntas. Cada rodada durava um minuto. Quanto mais respostas certas, mais perto do prêmio de 100 mil dólares. Mas a cada nível, as condições dentro da cabine pioravam. Muito.
O azarado do dia não sabia se iria parar na Câmara Quente ou na Câmara Fria, escolhida por computador. Em qualquer uma delas, o cenário era digno de um pesadelo televisivo.
Ah, e em uma das gravações ainda adicionaram odores insuportáveis no ar. Porque responder perguntas já não era difícil o bastante.
Para evitar tragédias ao vivo, cada jogador era monitorado com sensores de pressão e batimentos cardíacos. Se o corpo não aguentasse, o sistema cortava a prova. O participante também podia desistir gritando “Pare a Câmara!”. Ou, claro, desmaiando. Sim, isso aconteceu.
No total, apenas um competidor conseguiu sobreviver a todos os sete níveis exibidos, faturando 20 mil dólares. Muito abaixo do prêmio máximo prometido. Não deu tempo de ninguém ir além: a série foi cancelada antes do quarto episódio.
O mais assustador é que a produção planejava novas versões da “brincadeira”: uma Câmara de Água, uma Câmara da Eletricidade e até a Câmara dos Animais e Insetos. Imagine encarar tarântulas e choques enquanto tenta lembrar a capital da Albânia?
A crítica odiou. O público também. Como disse o New York Times, o programa até parecia ousado, mas a audiência foi tão baixa e a reação tão negativa que ninguém conseguiu justificar manter aquilo no ar. Afinal, entre hipotermia e queimaduras, parecia mais tortura televisiva do que entretenimento.
No fim, The Chamber virou exemplo de até onde a TV pode ir em busca de audiência. Ainda bem que, nesse caso, o cancelamento chegou antes de alguém sair de lá direto para o hospital.





