Plataforma solar flutuante Jilin 2 em alto mar, mostrando os painéis solares apoiados pela estrutura de bambu. Foto: Reprodução.

China inaugura primeiro parque solar flutuante do mundo feito de bambu

A China deu mais um passo na busca por novas formas de geração de energia limpa. O país colocou em operação um projeto solar flutuante em alto mar que utiliza uma estrutura feita com bambu composto para sustentar os painéis fotovoltaicos.

Plataforma solar flutuante Jilin 2 em alto mar, mostrando os painéis solares apoiados pela estrutura de bambu. Foto: Reprodução.

Plataforma solar flutuante Jilin 2 em alto mar, mostrando os painéis solares apoiados pela estrutura de bambu. Foto: Reprodução.

Chamado de Jilin 2, o projeto fica na costa de Yantai, na província de Shandong, e tem capacidade para gerar 100 kW de energia. A iniciativa foi desenvolvida pela CIMC Raffles Ocean Technology Group e tem como principal objetivo testar a utilização do bambu em estruturas destinadas à geração de energia solar no ambiente marítimo.

Bambu é usado para enfrentar as condições do alto mar

Levar painéis solares para o oceano representa um desafio tecnológico. Afinal, as estruturas precisam suportar constantemente água salgada, umidade, ventos fortes, radiação ultravioleta e outros fatores que podem acelerar a deterioração dos materiais.

Por isso, os pesquisadores chineses decidiram testar uma alternativa aos materiais tradicionalmente utilizados nesse tipo de instalação. O Jilin 2 utiliza tubos de bambu composto desenvolvidos para oferecer resistência em ambientes marítimos.

A Universidade Florestal de Pequim participou do desenvolvimento do material. Os pesquisadores combinaram bambu, madeira e fibras para criar uma estrutura capaz de suportar as exigências do ambiente oceânico.

Além disso, o projeto utiliza diferentes componentes para manter os painéis solares sobre a água. Dessa maneira, a equipe consegue acompanhar o desempenho da estrutura e avaliar sua resistência durante a operação.

Projeto aumentou a capacidade de geração

O Jilin 2 não surgiu do nada. Antes dele, os pesquisadores chineses testaram uma plataforma menor chamada Jilin 1.

Em 2023, o primeiro protótipo chegou ao mar com capacidade de geração de apenas 10 kW. Agora, o Jilin 2 alcança 100 kW, aumentando significativamente a escala do experimento.

Assim, os pesquisadores podem analisar com mais precisão o comportamento do bambu composto em uma instalação maior. Os dados coletados também podem ajudar no desenvolvimento de futuros projetos solares offshore.

O próximo objetivo da equipe é ainda mais ambicioso. Caso os testes apresentem bons resultados, os pesquisadores pretendem desenvolver estruturas capazes de alcançar 1 MW ou mais de capacidade de geração.

Energia solar também pode produzir hidrogênio

A eletricidade produzida pelo Jilin 2 não serve apenas para testar os painéis solares. O projeto também integra a geração de energia renovável a sistemas voltados para a produção de hidrogênio, amônia e metanol.

Com isso, a plataforma permite estudar diferentes maneiras de aproveitar a eletricidade produzida no oceano. A iniciativa, portanto, combina geração de energia solar com tecnologias relacionadas à produção de combustíveis e matérias-primas para a indústria.

Além disso, a experiência pode fornecer informações importantes para futuros projetos de energia renovável instalados em regiões marítimas.

China amplia investimentos em energia solar offshore

A iniciativa faz parte de um movimento maior da China para ampliar o uso da energia solar em áreas marítimas.

Nos últimos anos, o país passou a investir em grandes projetos de geração solar offshore, aproveitando áreas próximas à costa para instalar painéis fotovoltaicos.

Nesse cenário, o uso de estruturas flutuantes pode ajudar a ampliar a disponibilidade de espaço para novos parques solares. Ao mesmo tempo, os pesquisadores precisam encontrar materiais capazes de resistir durante longos períodos às condições do oceano.

É justamente nesse ponto que o bambu composto entra como uma possibilidade. O material pode oferecer uma alternativa renovável para determinadas partes das estruturas, embora ainda precise passar por novos testes antes de uma eventual utilização em projetos comerciais de grande escala.

Bambu pode substituir aço e plástico?

Ainda não é possível afirmar que o bambu substituirá o aço e o plástico utilizados atualmente nos parques solares flutuantes.

O Jilin 2 continua sendo um projeto experimental. Por isso, os pesquisadores precisam acompanhar o desempenho da estrutura durante um período prolongado para verificar sua resistência, durabilidade e capacidade de enfrentar as condições do ambiente marítimo.

Mesmo assim, o experimento apresenta uma proposta diferente para o setor de energia renovável. Se o bambu composto conseguir manter suas características após anos de exposição ao ambiente oceânico, a tecnologia poderá abrir espaço para novas aplicações.

Além disso, o projeto mostra como materiais de origem vegetal podem ganhar novas funções dentro da indústria de energia. Dessa forma, a experiência chinesa pode contribuir para o desenvolvimento de estruturas mais sustentáveis para futuras instalações solares no mar.

O que acontece agora?

A próxima etapa consiste em acompanhar o desempenho do Jilin 2 e analisar os dados obtidos durante sua operação.

A equipe poderá avaliar fatores como resistência mecânica, durabilidade, exposição à água salgada e comportamento da estrutura diante das condições climáticas.

Caso os resultados sejam positivos, os pesquisadores poderão avançar para projetos maiores. A meta de alcançar 1 MW ou mais representa um salto importante em relação aos 100 kW atuais.

Portanto, o primeiro parque solar flutuante do mundo feito de bambu ainda está em uma fase de testes, mas já representa uma experiência relevante na busca por novas soluções para a geração de energia limpa.

Se a tecnologia comprovar sua eficiência ao longo do tempo, o projeto poderá ajudar a transformar o bambu em uma alternativa para estruturas de futuras instalações solares offshore.

Fonte: Xataka Brasil

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