
A China avança em um dos maiores projetos de energia solar do planeta. O país se prepara para concluir um gigantesco parque solar na meseta tibetana, uma estrutura que ocupará cerca de 610 quilômetros quadrados e poderá produzir eletricidade suficiente para abastecer aproximadamente 5 milhões de residências.

Exemplo de parque híbrido e solar, na China • 29/10/2018. Foto: REUTERS/Stringer.
O empreendimento faz parte da estratégia chinesa para ampliar a geração de energia renovável e, ao mesmo tempo, reduzir as emissões de carbono. A dimensão do projeto impressiona: a área ocupada pelo parque equivale aproximadamente ao tamanho da cidade de Chicago, nos Estados Unidos.
O novo complexo solar ficará instalado em uma região elevada do Tibete. A escolha do local acompanha uma estratégia que a China vem adotando para aproveitar grandes áreas disponíveis e ampliar rapidamente sua capacidade de geração renovável.
Quando estiver totalmente concluído, o parque terá capacidade para fornecer energia suficiente para cerca de 5 milhões de casas. Dessa forma, o projeto poderá representar um importante reforço para a matriz elétrica chinesa.
Além disso, a iniciativa ocorre em um momento de forte crescimento da demanda por eletricidade. A China precisa ampliar sua oferta energética para acompanhar o crescimento econômico, a eletrificação de diferentes setores e o avanço de tecnologias que consomem cada vez mais energia.
O avanço do novo parque acompanha uma expansão sem precedentes da energia solar no país.
Somente no primeiro semestre de 2025, a China adicionou cerca de 212 gigawatts de capacidade solar. Esse volume supera toda a capacidade solar instalada nos Estados Unidos, que somava aproximadamente 178 gigawatts no período citado pela CNN Brasil.
Com isso, a China mantém uma posição dominante na expansão global da energia solar. O país vem construindo grandes complexos de geração e também ampliando instalações menores, distribuídas em diferentes regiões.
Além da energia solar, a China também aumenta sua capacidade de geração eólica. Portanto, o país combina diferentes fontes renováveis para atender ao crescimento do consumo de eletricidade.
O crescimento das energias renováveis já apresenta reflexos nas emissões chinesas.
Segundo os dados citados pela CNN Brasil, as emissões de carbono da China caíram cerca de 1% nos primeiros seis meses de 2025. A redução mantém uma tendência iniciada em março de 2024.
Esse movimento ganha importância porque a China continua entre os maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo. Por isso, qualquer redução nas emissões chinesas pode ter impacto significativo nos esforços globais contra as mudanças climáticas.
Especialistas ouvidos na reportagem consideram que a combinação entre expansão das fontes renováveis e redução das emissões pode indicar uma mudança estrutural na matriz energética chinesa.
Apesar do avanço da energia solar, o país ainda enfrenta um grande desafio para reduzir sua dependência de fontes de energia baseadas em carbono.
A China continua utilizando carvão em larga escala para garantir o abastecimento de sua enorme demanda energética. Por isso, a transição para uma economia de baixo carbono ainda deve levar anos.
O crescimento das fontes renováveis ajuda a diminuir a participação dos combustíveis fósseis, mas não elimina imediatamente a necessidade de outras fontes de geração.
Além disso, o país precisa ampliar redes de transmissão e sistemas capazes de integrar grandes volumes de energia solar e eólica ao sistema elétrico.
A construção do maior parque solar do mundo faz parte de uma estratégia mais ampla da China para reduzir suas emissões.
O país estabeleceu como objetivo atingir o pico de suas emissões de carbono antes de 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2060.
Nesse contexto, grandes parques solares têm papel importante. Afinal, essas instalações permitem gerar grandes volumes de eletricidade sem a queima direta de carvão, petróleo ou gás natural durante a produção.
Ao mesmo tempo, a expansão da energia solar precisa acompanhar investimentos em armazenamento, transmissão e estabilidade da rede elétrica.
O tamanho do novo parque solar mostra a escala dos investimentos chineses em energia renovável.
Quando estiver concluído, o complexo poderá fornecer eletricidade para milhões de residências e ajudar a China a aumentar a participação das fontes renováveis em sua matriz energética.
Por outro lado, o projeto também evidencia o tamanho do desafio enfrentado pelo país. A China precisa conciliar crescimento econômico, segurança energética e redução das emissões.
Mesmo com os obstáculos, a expansão acelerada da energia solar coloca o país no centro da transformação do setor elétrico mundial.
Se a estratégia continuar avançando no mesmo ritmo, grandes projetos como esse poderão se tornar cada vez mais importantes para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e aproximar a China de sua meta de neutralidade de carbono.
Fonte: CNN





