Qual o caminho para se tornar Santo hoje em dia?

Como começa o caminho: Servo de Deus

O processo para alguém ser santo hoje na Igreja Católica começa com uma investigação oficial. Primeiro, o bispo da diocese onde a pessoa morreu ou foi sepultada avalia se há fama de santidade. Escritos, testemunhos e relatos são reunidos. Se o caso avançar, o candidato recebe o título de Servo de Deus e a documentação vai para Roma, à Congregação para as Causas dos Santos, o órgão que coordena todo o processo no Vaticano.

Próxima fase: virtudes heróicas e o título de Venerável

Depois de analisar a vida e obra do Servo de Deus, a Congregação pode recomendar ao Papa que reconheça nele virtudes heroicas, como fé, caridade, prudência e coragem em grau extraordinário. Se o Papa concordar, o candidato passa a ser chamado de Venerável.

Beatificação: o primeiro “sim” oficial

O passo seguinte é a beatificação. Se a pessoa foi mártir, não é exigido milagre para avançar. Se não foi, um milagre atribuído à sua intercessão precisa ser comprovado. Esse milagre deve ser inexplicável pela ciência e examinado por especialistas médicos. Com o milagre confirmado, o Venerável vira Beato, podendo ter culto público local, como em sua diocese.

Canonização: tornarse oficialmente santo

Para chegar ao título de santo, geralmente é necessário um segundo milagre após a beatificação, novamente sob os mesmos critérios rigorosos. Com isso, a pessoa pode ser venerada por toda a Igreja e até ter um dia de festa no calendário litúrgico oficial.

Carlo Acutis

Imagem de Carlo Acutis na Basílica de São Francisco, em 2020 / Crédito: Getty Images

O jovem italiano Carlo Acutis, conhecido por catalogar milagres eucarísticos online, foi canonizado recentemente. Seu processo começou em 2013, sete anos após sua morte. Ele foi declarado Servo de Deus, depois Venerável, e beatificado em 2020. Após reconhecimento de dois milagres, foi canonizado em 7 de setembro de 2025 pelo Papa Leão XIV.

Canonização equipolente: uma exceção histórica

Além do processo formal, a Igreja pode reconhecer como santo alguém que já tem culto popular antigo, sem exigir milagres. Essa é a chamada canonização equipolente, usada em casos com tradição forte e contínua de veneração popular.

Quem cuida de tudo isso?

O Dicastério para as Causas dos Santos é o setor da Cúria Romana que organiza o processo, avaliando evidências, virtudes e milagres. Criou-se hoje para assegurar que tudo siga com rigor e transparência.

O caminho para se tornar santo mostra como a Igreja valoriza exemplos de vida e fé. Não é só uma homenagem: é reconhecer alguém que viveu de forma exemplar, que inspira outros a tentar o bem e cultivar virtudes. Cada etapa do processo é como uma lupa sobre a vida de quem é considerado modelo de inspiração para toda a Igreja.

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