
A invenção do queijo é muito mais antiga do que se imagina. Pesquisas publicadas na revista Nature revelaram fragmentos de cerâmica de 7 mil anos atrás usados para drenar leite coalhado. Esse hábito começou logo depois da domesticação das ovelhas, entre 8 e 10 mil anos atrás. Dá pra dizer que o queijo é um presente direto da agricultura e da criação de animais.
Na Grécia Antiga, o deus Aristeu era considerado patrono da produção de queijo. E Homero descreveu, na Odisseia, um pastor que ordenhava, coalhava e armazenava leite de um jeito bem parecido com o que fazemos até hoje.
Já os romanos levaram a paixão ao outro nível. Plínio, o Velho, escreveu no século 1 que alguns queijos franceses precisavam ser consumidos frescos, enquanto outros duravam bastante. Não é à toa que os soldados carregavam Pecorino Romano nas marchas, prático, nutritivo e resistente.
Quer uma surpresa? Em 2018, arqueólogos encontraram o queijo mais antigo do mundo numa tumba no Egito: 3.200 anos de idade! Ele estava junto ao corpo de Ptahmes, prefeito de Memphis, provando que até os egípcios antigos eram fãs desse alimento.
Antes disso, só havia murais com cenas de ordenha e preparo de leite. Mas esse achado foi a confirmação definitiva de que eles produziam queijo de verdade.
O queijo viajou muito. Surgiram variedades como Roquefort (França, ano 1070) e Gorgonzola (Itália, 879). Quando os ingleses colonizaram a América, levaram a técnica junto. E, claro, os portugueses não ficaram de fora.
No Brasil, a produção começou com a criação de gado leiteiro na época da colonização. Mas foi no século 17, durante o Ciclo da Mineração, que o queijo virou tradição de verdade, principalmente em Minas Gerais. O Queijo Minas Artesanal hoje é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.
E não para por aí: temos o queijo coalho do Nordeste, o colonial do Sul, o serrano do RS e o clássico requeijão. Cada região com seu sabor próprio.
Segundo especialistas, existem no mínimo 400 tipos diferentes de queijo. Outros dizem que são mais de mil!
Seja parmesão, minas, brie ou coalho, uma coisa é certa: esse alimento acompanha a humanidade desde sempre e dificilmente vai sair do nosso prato.






