
Numa cidade ideal, os fios sumiriam da paisagem, o risco de blecautes por ventania e galhos caídos diminuiria e a estética urbana ganharia pontos. Mas enterrar a rede elétrica ainda é exceção em quase todo lugar e tudo isso depende de um detalhe: o dinheiro.
Segundo engenheiros, enterrar cabos custa de cinco a dez vezes mais do que instalar fiação aérea. Em São Paulo, o plano do governo previa enterrar 65 km de fios, mas só 40 km foram feitos. Nos EUA, a conta de enterrar um cabo que custa US$ 100 mil por milha passa facilmente de US$ 1 milhão. E isso impacta diretamente na tarifa de luz do consumidor.
Escavar avenidas para colocar cabos exige interromper o trânsito, fechar ruas e empacar a rotina urbana por dias, às vezes semanas. Infraestrutura urbana já é complexa, e conviver com obras grandes em centros movimentados é um pesadelo logístico.
Alguns terrenos são simplesmente impróprios: áreas com inundações frequentes, subsolo rochoso ou remendos urbanos cheios de outras tubulações tornam o projeto ainda mais difícil e caro. Ou seja, mesmo que promovido, nem sempre é implementável.
Quando um cabo enterrado dá defeito, a busca e manutenção viram um desafio. Leva-se mais tempo para localizar o ponto de falha e arcar com custos pesados de reparo. Em contraste, fios aéreos normalmente são visualizados e consertados em horas.
Mesmo assim, os cabos subterrâneos têm pontos fortes: menos interrupções causadas por tempestades, menos risco de incêndios, melhor estética urbana e mais espaço para árvores e mobilidade nas ruas. Em tantos países da Europa, essa opção já está bem avançada.
No Brasil, o custo elevado e falta de planejamento urbano e visão a longo prazo atrasam a adoção da tecnologia. O investimento parece alto demais hoje, mesmo que evite custos gigantes no futuro com desastres climáticos e infraestrutura precária.
Fonte: Mega Curioso






