Nova espécie de aranha brasileira sem olhos vive em antigas tocas de preguiças gigantes

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesagosto 21, 2024

Aranhas, normalmente, não são um dos animais mais queridos das pessoas. Existem aqueles que são tão traumatizados com o animal que a palavra medo é bastante simplória para descrever o que sentem. E para quem não gosta dos aracnídeos, essa não é uma notícia muito boa. Isso porque uma equipe de biólogos do Brasil descobriu uma nova espécie de aranha brasileira.

Essa nova espécie de aranha brasileira vive nas tocas e cavernas subterrâneas do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais. No período paleolítico, esses ecossistemas eram o lar de uma megafauna tropical, abrigando animais como as preguiças-gigantes e os tatus-canastra.

Nova espécie de aranha brasileira

Galileu

O aracnídeo foi chamado de Paleotoca diminas em homenagem ao local onde ela foi descoberta e vive. O gênero é composto pela união do prefixo “paleo”, do grego “velho”, e “toca”, do tupi “casa”. Já o nome da espécie, “diminas”, faz referência à expressão “de Minas”.

Isso mostra que tudo a respeito dessa nova espécie de aranha brasileira está no seu nome. Ela vive nos abrigos subterrâneos mineiros que pertenciam aos grandes mamíferos extintos.

No começo desse mês, o nome científico do aracnídeo foi registrado no World Spider Catalog (WSC) e a espécie foi descrita em um estudo publicado em um artigo na revista Taxonomy. Nesse estudo, a aranha é descrita tendo aproximadamente dois milímetros de comprimento e uma cor amarela desbotada.

Além disso, essa nova espécie de aranha brasileira não tem olhos, mas tem pernas longas e espinhosas com pelos especializados que são usados para sentir as vibrações do ar. Justamente por conta dessa adaptação é que ela consegue viver na escuridão total.

Estudo

Galileu

Embora a aranha esteja relacionada com outros grupos da família Prodidominae, a nova espécie tem algumas características físicas que a diferem dos outros gêneros que eram conhecidos até então. Por exemplo, não ter um escudo abdominal dorsal; e os machos da espécie tem como se fosse um apêndice nos pedipalpos, definido pelos pesquisadores como uma “apófise tibial retrolateral bífida”.

Os indivíduos que os biólogos examinaram estão agora na coleção do Instituto Butantan, em São Paulo. Para serem analisados, eles foram tirados do chão ou de pedras nos locais com umidade alta nos buracos que foram escavados onde existia a megafauna antiga.

Os autores Igor Cizauskas, Robson Zampaulo e Antonio Brescovit reiteram em seu artigo que até o momento é sabido muito pouco a respeito da biodiversidade das aranhas Prodidomidae neotropicais, e nosso país tem um papel crucial nesse ponto. “Das 76 espécies conhecidas, 16 ocorrem no país. Novos estudos são essenciais para compreendermos a riqueza dessa fauna subterrânea”, pontuaram.

Fonte: Galileu

Imagens: Galileu

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