Traços de DNA ainda podem existir em ossos de dinossauros de 125 milhões de anos
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Traços de DNA ainda podem existir em ossos de dinossauros de 125 milhões de anos

A arqueologia é a ciência responsável por estudar culturas e civilizações do passado. E através das descobertas arqueológicas, vestígios de antigas sociedades, culturas e fósseis de animais são descobertos.

Os fósseis nos ajudam a dar asas à imaginação quando se fala do passado. Eles são recursos que podem transformar os pensamentos sobre como teria sido a vida, ou algum animal, em respostas científicas. Eles são encontrados e estudados há muito tempo. Pode se encontrar partes do corpo, como ossos e dentes, e até pegadas que deixaram em diferentes lugares do mundo. E alguns fósseis parecem ter sido congelados no tempo de tão bem preservados.

Além disso, os fósseis podem ter outras coisas escondidas neles. Como por exemplo, esses fósseis de dinossauros de 125 milhões de anos que foram encontrados na China e podem ter restos de DNA. Se as estruturas microscópicas forem realmente DNA, eles seriam a preservação mais antiga já registrada do material cromossômico em um fóssil de vertebrado.

Fósseis

O DNA é enrolado dentro dos cromossomos dentro do núcleo da célula. E os pesquisadores relataram possíveis estruturas de núcleos celulares no fósseis de plantas e algas de milhões de anos. Eles chegaram até sugerir que um conjunto de microfósseis de 540 milhões de anos atrás pode ter núcleos preservados.

Contudo, essas declarações podem ser controversas. Isso porque pode ser difícil diferenciar um núcleo fossilizado de uma bolha aleatória de mineralização que tenha sido criada no processo da fossilização.

Nesse novo estudo, os pesquisadores compararam a cartilagem fossilizada do dinossauro emplumado Caudipteryx com as células de galinhas modernas. Com isso, eles encontraram estruturas nos fósseis bem parecidas com a cromatina, ou fios de DNA e proteínas.

“O fato de que eles estão vendo isso é realmente interessante e sugere que precisamos fazer mais pesquisas sobre o que acontece com o DNA e os cromossomos após a morte celular”, disse Emily Carlisle, uma estudante de doutorado que estuda fósseis microscópicos e sua preservação no University of Bristol, na Inglaterra, mas não tem relação com o estudo.

DNA

E mesmo que houver o DNA de dinossauro, ainda não estamos nem perto de conseguir ressuscitar dinossauros a partir do DNA fossilizado.

“Se houver alguma molécula de DNA ou semelhante a DNA lá, ela será como uma suposição científica. Muito, muito quimicamente modificada e alterada. No entanto, se os paleontologistas puderem identificar o material dos cromossomos nos fósseis, eles poderão algum dia desvendar fragmentos de uma sequência genética. Isso poderia revelar um pouco mais sobre a fisiologia dos dinossauros”, disse Alida Bailleul, paleobióloga da Academia Chinesa de Ciências que liderou o estudo.

Contudo, os pesquisadores tem que primeiro descobrir se o DNA realmente está lá. Já que até recentemente se pensava que o apodrecimento e decomposição destruíam todo o conteúdo das células antes que a fossilização se estabelecesse.

Em 2020, Bailleul e sua equipe relataram uma possível preservação de DNA n crânio de uma espécie de dinossauro com bico de pato que viveu 75 milhões de anos atrás. Esse possível DNA foi encontrado na cartilagem, tecido conjuntivo que constitui as articulações.

“Estávamos especificamente interessados ​​na cartilagem porque é um tecido muito bom para a preservação celular, talvez até mais do que o osso”, disse Bailleul.

Estudo

Nesse novo estudo, os pesquisadores se voltaram para uma espécie bem preservada de Caudipteryx, que estava no Museu da Natureza de Shandong Tianyu na China.

Esse fóssil tem cartilagem bastante preservada. Então, os pesquisadores a tingiram com os mesmos corantes usados para criar imagens de DNA nos tecidos modernos. O corante faz com que o DNA se destaque com relação ao resto do núcleo.

Depois de analisar a cartilagem, Bailleul e sua equipe mostraram que as células da cartilagem tem estruturas parecidas com núcleos com uma mistura de cromatina no seu interior. No entanto, essa semelhança não prova que realmente exista DNA dentro deles.

“O que isso significa é que definitivamente existem partes de moléculas orgânicas originais, talvez algum DNA original lá, mas ainda não sabemos com certeza. Só precisamos descobrir exatamente o que são essas moléculas orgânicas”, ressaltou.

“Seria realmente interessante fazer mais experimentos nisso, olhando para o que acontece dentro dos núcleos, em vez de apenas o que acontece com eles da superfície. Espero que possamos reconstruir uma sequência, algum dia, de alguma forma. Vejamos: posso estar errada, mas também posso estar certa”, concluiu Bailleul.

Fonte: https://www.sciencealert.com/features-of-125-million-year-old-dinosaur-fossils-look-suspiciously-like-chromosomes