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Vikings: até onde a série é fiel à cultura dos povos nórdicos?

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Quem assistiu a série “Vikings” consegue ter uma noção sobre como essa sociedade era constituída. No entanto, se tratando de uma produção cinematográfica, o seriado apresenta características que extrapolam a realidade e se aproximam do ficcional. Para tanto, pensando nos nossos leitores que são fãs da série, reunimos informações detalhadas sobre os Vikings. Descubra, a seguir, como essa população era organizada.

Quem foram os Vikings?

Os Vikings foram povos nórdicos que habitaram a região da Escandinávia (constituída por Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia e Finlândia) em um período que abrange os anos de 793 d.C. a 1066 d.C, conhecido como Era Viking. Esse período foi marcado por expedições marítimas organizadas pelos Vikings por várias regiões da Europa.

As incursões realizadas por esses povos poderiam ter diferentes objetivos, como colonização de terras, criação de laços comerciais ou apenas os furtos e saques. O crescimento populacional, a procura por terras mais férteis e por climas mais amenos, assim como a procura por riqueza, também são alguns motivos que levavam os Vikings a navegar.

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Quando saíam atrás de novos territórios, os Vikings atacavam de forma rápida e inesperada: saqueavam o local antes que qualquer defesa pudesse ser organizada. Eles usavam espadas, escudos, lanças e, às vezes, arco e flecha. As armas eram passadas de pai para filho. O capacete não tinha chifres (como é erroneamente retratado algumas vezes) e era feito de metal ou de couro, às vezes protegendo o nariz.

A organização das vilas

As vilas Vikings costumavam ficar perto do mar, o que facilitava a pesca e o acesso a outros locais. Pelos mares, eles dominaram regiões da França, Rússia, Irlanda, Escócia, Inglaterra, Groenlândia e até do Canadá. Inclusive, esses povos eram especialistas na construção de barcos. As embarcações utilizadas em combates eram construídas nas próprias vilas. As maiores mediam cerca de 30 metros e podiam levar até 30 remadores.

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Outro ponto característico das vilas habitadas por esses povos eram as ruas  sujas e bem agitadas, com casas próximas umas das outras. Havia mercados para a venda de comida, tecidos e utensílios em geral. As paredes das construções eram feitas com madeira, pedra e barro, além de teto com vegetação.

Um buraco liberava a fumaça da fogueira, usada para aquecer e cozinhar, de forma semelhante às chaminés que se conhece hoje. Nas vilas havia o cultivo de vegetais como beterraba, nabo, cenoura, trigo e aveia, além da criação de animais. Carnes e peixes passavam por processos de secagem ao sol ou salgamento para que durassem mais.

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A sociedade

A sociedade Viking era estratificada, ou seja, era dividida em classes sociais. Apesar dessa estratificação muito bem definida, todos os homens livres nas sociedades escandinavas poderiam participar das tomadas de decisões, que eram realizadas nas assembleias.

O rei era o chefe militar e religioso e, por esse motivo, era o grande responsável pela administração do reino. Apesar da sucessão do poder ser hereditária, eram bastante comuns disputas pela sucessão do trono. Uma maior centralização do poder do rei só aconteceu a partir do século XI. Antes disso, os nobres, também chamados de jarlar, tinham muito poder na sociedade.

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Os jarlar eram nobres que formavam a aristocracia da sociedade Viking. Possuíam um grande número de terras e um poderio econômico que lhes permitia ter um poder militar considerável. Eles se opuseram fortemente ao processo de centralização do poder em alguns locais da Escandinávia, já que isso diminuiria a autonomia e as decisões que eles tinham nas mãos, considerando que passariam para o domínio do rei.

Outros títulos importantes da aristocracia escandinava eram os hersar (chefes locais) e lendrmadr (latifundiários). Por sua vez, os homens livres, também conhecidos como karls, eram todos aqueles que não ocupavam posições na aristocracia, mas que também não eram escravos. Existia uma infinidade de atividades que eram realizadas pelos homens livres, mas a mais popular era a de fazendeiro (bóndi).

Os karls tinham direito de participar das assembleias locais. Já os escravos (thrall) ocupavam a posição mais baixa na sociedade Viking. Criminosos condenados, pessoas endividadas e estrangeiros capturados em batalhas eram considerados escravos. A escravidão deixou de existir na Escandinávia no século XI.

Todos os Vikings deveriam lutar?

Embora os Vikings sejam sempre representados como guerreiros natos, nem todos iam à luta. De fato, é importante reconhecer que eles desenvolviam diversas habilidades para enfrentar os rivais, mas isso não era uma obrigatoriedade para todos. Havia ferreiros, pescadores, agricultores, construtores de barcos, artesãos, entre outros. 

Mesmo assim, a guerra era algo muito importante na sociedade dos Vikings e trazia status para aqueles que dela participavam. Caso o guerreiro fosse morto, sua ida para Valhalla (uma espécie de “sala dos mortos” para onde iam os guerreiros mais nobres e destemidos que eram mortos em combate) seria celebrada. Já se vencesse, seus feitos em batalha seriam comemorados.

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As principais armas utilizadas pelo vikings nos combates eram a espada e o machado, mas outras armas como arco e flecha, faca e lança também tinham sua importância. A principal arma de defesa era o escudo de madeira, usado na principal tática de batalha Viking: a parede de escudos. Muitas vezes, os Vikings utilizavam cabeças de inimigos derrotados para amedrontar seus adversários em batalha.

Religião

Os Vikings eram politeístas, ou seja, acreditavam em mais de um deus. Odin e Thor eram os dois deuses mais famosos da mitologia nórdica. Na sociedade Viking, Odin era considerado o deus mais poderoso de seu panteão de deuses, já que era dono de todo conhecimento e tinha como símbolos sua lança, seu cavalo de oito patas e seus dois corvos. Segundo a mitologia, o deus viajava pelo mundo dos homens observando tudo que acontecia.

Thor, o mais adorado entre todos os deuses nórdicos, era conhecido como o deus do trovão. Assim como Odin, ele habitava Asgard, conhecida entre os escandinavos como a morada dos deuses. Para os Vikings, a magia era uma peça fundamental da crença que eles mantinham.

Fontes: Recreio UOL e História do Mundo

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