6 motivos que te farão agradecer por não ter nascido na Roma Antiga

POR Júlia Marreto    EM História      10/03/17 às 15h21

Os romanos são considerados o mais influente povo da civilização ocidental por conta de sua vasta herança cultural. Os principais fatores que levaram à ocupação da região foram: os aspectos físicos - Roma está localizada na Península Itálica; o solo fértil - o que facilitava a produção de alimentos; a ausência de bons portos - permitindo certo isolamento da região.

Roma também passou por três diferentes tipos de governo - monarquia, república e império. No período de república, a sociedade se dividia em 4 classes: patrícios, clientes, plebeus e escravos. A decadência política, social e econômica fez com que a plebe e os patrícios entrassem em conflito, luta essa que durou 200 anos.

Mesmo assim, conseguiram conquistar quase toda a Península Itálica, depois o Mediterrâneo. Contra Cartago, lutaram mais de 100 ano, no que ficou conhecido como Guerras Púnicas. Em seguida, ocuparam a Península Ibérica - mais 200 anos de luta -, Gália e Mediterrâneo Oriental. As regiões conquistadas foram divididas em províncias, que pagavam impostos ao governo romano.

Essas conquistas permitiram que o exército romano se tornasse imbatível, sendo formada por: cidadãos romanos, dos territórios, das colônias e tribos latinas que também tinha cidadania romana; comunidades cujos membros não possuíam cidadania romana completa - não podiam votar nem ser votados; aliados autônomos - faziam tratados de aliança com Roma. Outro feito que auxilou na explicação das conquistas romanas foram as estradas construídas por toda a Península Itálica.

Os romanos desenvolveram armas e aperfeiçoaram também a técnica de montar acampamentos e construir fortificações. A disciplina militar era severa e a punição consistia em espancamentos e decapitações. Os soldados vencedores recebiam prêmios e honrarias e o general era homenageado, enquanto que os perdedores eram decapitados nas prisões.

Por conta das sucessivas conquistas, Roma sofreu grandes transformações sociais, econômicas e políticas. No que se refere ao social, o desemprego aumentou por conta do aproveitamento de prisioneiros de guerra como escravos. Uma nova camada de comerciantes e militares - conhecidos como homens novos ou cavaleiros - surgiu na economia, que foram enriquecendo a partir das novas atividades que surgiam com as conquistas - como: cobrança de impostos, fornecimento de alimentos para o exército, construção de pontes e estradas, etc.

Essas transformações causaram uma série de lutas políticas, fazendo com que a sociedade se dividisse em dois partidos: partido popular - homens novos e desempregados; e partido aristocrático - grandes proprietários rurais. Essas lutas caracterizaram a fase de decadência da República Romana.

O período do governo imperial teve dois grandes nomes, Júlio César e Augusto. Apoiado pelo Senado, exército e plebe urbana, após várias lutas, Júlio César se tornou ditador, recebendo vários títulos concedidos pelo Senado. Além disso, se tornou Pontífice Máximo e passou a ser Ditador Perpétuo - tendo o poder de mudar a Constituição -, Censor vitalício - podia escolher senadores-, Cônsul Vitalício, comandar o exército em Roma e nas províncias. Por conta de sua magnificência, estátuas que o representavam foram colocadas em templos e ele passou a ser venerado como um deus - Júpiter Julius.

Seus poderes lhe permitiram: acabar com guerras civis; construir obras públicas; reorganizar finanças; obrigar proprietários a contratar homens livres; promover a fundação de colônias; reformar o calendário dando seu nome ao sétimo mês do ano; introduzir o ano bissexto; estender a cidadania romana aos habitantes das províncias; nomear governadores e fiscalizar para evitar que espoliassem as províncias. Essas reformas fizeram com que Júlio César conquistar grande apoio popular.

Em conspiração, a parte rica da sociedade romana que se sentiu prejudicada com as mudanças feitas por Júlio César, mandou assassinar o ditador, no dia 15 de março de 44 a.C. Então, Otávio - que recebeu o título de Augusto, que significa escolhido pelos deuses - assumiu o governo, registrando um longo período de calma e prosperidade.

Os principais feitos de Augusto foram: profissionalizar o exército; criar os correios; reduzir os poderes dos magistrados e senadores; criar o conselho imperador - que se tornou mais importante que o Senado -; criar novos cargos; dar direitos aos cidadãos proporcionais a seus bens; encorajar a formação de famílias numerosas e a volta da população para o campo; punimento de mulheres adúlteras; estimulação do culto aos deuses tradicionais; combate a introdução de práticas religiosas estrangeiras; sustentar escritores e poetas sem recursos (Virgílio; Tito Lívio; Horácio).

Para seu sucessor, Augusto nomeou Tibério. Após a morte de Augusto, o houveram quatro dinastias de imperadores: Dinastia Julio-Claudiana (14-68); Dinastia dos Flávios (69-96); Dinastia dos Antoninos (96-192); Dinastia dos Severos (193-235).

Alguns fatores contribuíram para a crise do império: colapso do sistema escravista, a diminuição da produção e fluxo comercial e a pressão dos povos que habitavam as fronteiras do Império (bárbaros). A partir do ano 235, o Império começou a ser governado pelos imperadores-soldados (que tinham como principal objetivo combater as invasões).

Pensando nas grandes lutas, dificuldades de uma sociedade que ainda tinha muito pelo que superar, nós aqui da Fatos Desconhecidos selecionamos uma listinha com 6 motivos que te farão agradecer por não ter nascido na Roma Antiga. Além dos que já foi possível identificar ao longo do texto acima. Confira:

6 - Morrer em uma briga de rua

Eram muito comum que mascates, cargueiros e carroças transitassem pelas ruas estreitas, com mercadores gritando seus preços, os almocreves - indivíduo que tem por ofício conduzir bestas de carga - gritavam com os animais que conduziam; nas oficinas as serras rompiam, as bigornas batiam nas numerosas ferrarias urbanas. Una tudo isso ao alarido de uma multidão frenética de um povo acostumado ao tumulto, algazarras. A cada passo o tráfego engarrafava, por causa das ruas estreitas; e os mais espertos que dali saíssem correndo, para fugir de discussões que nasciam dos palavrões de mais baixo calão.

Em 284, com a ascensão de Diocleciano, o Império foi divido em dois: Oriente e Ocidente (governado por Maximiniano). Seu sucessor fora Constantino, que governou de 313 a 337. Dando um salto na história, em 1453 Constantinopla - fundada por Constantino e para onde a capital do Império havia sido transferida - foi invadida e dominada pelos turcos. Roma manteve sua importância durante toda a Idade Média, mesmo com sua população reduzida. Quando eleita capital italiana, em 1870, era apenas uma modesta cidade.

5 - Correr o risco de morrer esmagado pela própria casa

As casas eram altas e mal edificadas, era muito comum que desabassem, matando ou deixando graves ferimentos em que ali estivesse na hora. Os habitantes estavam sempre em alerta, prontos para correr ao menor estalo ou sinal de desmoronamento. Os senhorios romanos mandavam construir casas com materiais de baixa qualidade, para que pudessem lucrar mais com os aluguéis, além do medo de perder o dinheiro empreendido por conta de algum incêndio - muito comuns.

4 - Procurar emprego

O estatuto da família de um jovem geralmente marcava o tipo de trabalho que ele podia desempenhar ao chegar a adolescência. As posições de maior prestígio na política eram reservadas para a elite e requeriam extensa educação. Logo depois estavam os cargos administrativos, que também requeriam um bom grau de estudos, como os cobradores de impostos, notários, funcionário, advogados, professores, etc. Finalmente, a opção mais viável para o resto da população era entrar para o exército, mas a medida que o império crescia também cresciam as variedades de trabalho. Um jovem podia se tornar artesão ou comerciante, mas esses postos geralmente eram passados de pai para filho ou que a família tivesse boas influências para que ele se tornasse um aprendiz.

3 - Acesso à educação

Ouro e jóias não eram o único luxo que não estava disponível para todos em Roma. A educação na Roma Antiga era, quase, exclusivamente para a classe alta e, portanto, tinha o número de analfabetismo era extremamente elevado. Foi após a conquista da Grécia, no ano de 146 a.C. que o Império Romano começou a dar mais importância à educação, aplicando o modelo de educação grego. Professores e tutores começaram a se tornar mais acessíveis, especialmente porque muitos deles eram escravos do império.

2 - Viver tempo suficiente para receber um nome

Devido à alta taxa de mortalidade infantil os pais não davam nomes aos filhos no momento de seu nascimento, eles esperavam pelo menos uma semana para fazê-lo. Em seguida, a família e os amigos se reuniam para uma celebração chamada morre lustricus (dia de purificação), quando o bebê era presenteado com uma Bulla - um pingente de ouro para afastar os maus espíritos. Se o bebê fosse menino era dado outro tipo de amuleto, chamado Lubula, apesar de esse ainda ser bastante discutido por historiadores. Certamente, o ouro era um luxo que apenas famílias nobres e ricas podiam pagar, então os plebeus criavam pingentes/amuletos de materiais mais baratos, como o bronze, latão e couro.

1 - Aprovação ao nascer

Nas antigas famílias romanas existia a figura do Pater Familias, o patriarca, que liderava tudo o que se relacionava com seus parentes. Esse papel nem sempre era do pai, propriamente dito, mas do homem mais velho, por isso era mais importante era, praticamente, essencial se ter filhos homens. Quando um bebê nascia, a parteira o deveria colocar aos pés do patriarca, que devia pegá-lo do chão como um sinal de aceitação da criança como parte da família. Caso a criança fosse rejeitada pelo patriarca, as consequências eram devastadoras. O Pater tinha autoridade para repudiar a criança e vender seus filhos como escravos ou abandoná-los sem qualquer complacência. Além disso, também podiam matar a criança impunemente, embora fosse muito rara a escolha por essa opção, e que fora proibida pelo imperador Augusto.

Então pessoal, o que acharam desses motivos? São parecidos com a nossa realidade? Acham que seria mais fácil viver naquela época do que hoje em dia? Encontraram algum erro na matéria? Ficaram com dúvidas? Possuem sugestões? Não se esqueçam de comentar com a gente!

Júlia Marreto
É a dona de um coração esculpido pela literatura e preenchido pelos bons vinhos de Baco. Guiada nas artes da vida por Ares, possui a discreta delicadeza de um elefante pulando carnaval numa loja de cristais! Movida diariamente pelo combustível da vida: o café, essa garota possui raízes profundas na poesia da vida. É muito séria, mas sabe brincar na hora certa. Ama os animais e detesta filme de terror. Apesar de cantar mal, canta com sentimento. E adora musicais! Sua principal tentativa desportiva é o baralho. Ela gosta mesmo é de coisas antigas, apaixonada pela vida e sonha com o universo. Instagram: juliamarreto

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