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8 filmes recentes de terror que mudaram para sempre o gênero

POR Gabi Noronha    EM Fatos Nerd      16/04/18 às 13h40

O gênero do terror é constantemente subestimado como uma produção de baixa qualidade. Uma situação que, embora ainda aconteça bastante no meio da crítica especializada, é muito mais frequente entre o público geral. É comum ouvir por aí que filmes de terror são iguais e que "basta ver um para ver todos". Um discurso que não poderia estar mais equivocado. De fato, de tempos em tempos há tendências de estilo que os estúdios costumam seguir. No entanto, isso não é algo exclusivo da categoria. Bem desenvolvido, o terror é um dos gêneros mais ricos do cinema, ao lado da ficção científica. Já comentamos aqui sobre os filmes que redefiniram para sempre o terror no cinema. Agora, comentaremos sobre uma nova safra que tem aflorado.

Em meados dos anos 1990, o cinema de terror já estava saturado por produções que apenas mostravam mais do mesmo. Era raro encontrar obras que realmente valessem a pena. Então, na transição para os anos 2000, o terror entrou no limbo de Hollywood. Encontrar filmes da categoria em exibição nos cinemas estava ficando cada vez mais difícil. A situação permaneceu a mesma por um tempo, até que começou a mudar em 2004 com Jogos Mortais, de James Wan. O filme abordava o horror e a tensão como há muito tempo não se via. Em vista para os padrões da indústria, o filme foi realizado com baixo orçamento e rendeu rios de dinheiro. Logo virou franquia e começou a reabrir as portas para o gênero.

Em 2013, James Wan atacou de novo e lançou Invocação do Mal. O longa não trazia nenhum tema original, já que tratava de espíritos, casa amaldiçoada e possessão. No entanto, ele foi lapidado cuidadosamente. Desde então, o terror voltou a chamar a atenção tanto do público quanto dos estúdios, que hoje investem mais em produções da área. Por isso, agora temos cada vez mais filmes de terror chegando aos cinemas. Embora ainda haja quem faça "mais do mesmo", temos obras que começaram a redefinir o terror/horror na telona. A seguir, selecionamos alguns dos longas mais recentes que se encaixam no exemplo. Vale lembrar que a lista não é ranqueada, e os números são apenas uma questão de organização. Ou seja, nenhum filme abaixo é mais importante que o outro.

1 - Você é o Próximo (2011)

O termo final girl se popularizou com os filmes slasher no fim da década de 1970. O conceito, como o próprio nome sugere, se refere a última pessoa que permanece viva para o desfecho da história. Normalmente, sempre é uma mulher. Contudo, por muito tempo a final girl foi apresentada como uma garota que não estava nenhum pouco preparada para a situação que enfrentava. Ou seja, ela chegava viva no final por puro instinto de sobrevivência. Com o filme de Adam Wingard, o termo foi redefino. Na história, Erin (Sharni Vinson), aos poucos se torna a única vítima viva, mas ela vira o jogo e, com o tempo, passa de caça a caçadora. Embora a ambientação da trama seja familiar, o público não deixa de se surpreender e começar a olhar o horror de forma diferenciada.

2 - O Segredo da Cabana (2012)

Em O Segredo da Cabana, Joss Whedon e Drew Goddard (roteiristas) pegam a premissa mais básica de todas e a transforma de um modo completamente inesperado. Um grupo de adolescentes viaja para uma cabana isolada a fim de festejar. Ao chegar no local, coisas estranhas começam a acontecer. No fundo, o filme é uma paródia sobre o próprio subgênero do terror. Ele foi audacioso suficiente para, ao invés de apenas apontar os "erros" cometidos por essas histórias, recontextualizar a trama e acrescentar significado a ela.

3 - Corrente do Mal (2014)

David Robert Mitchell escreveu e dirigiu essa pérola moderna que já pode ser considerada um clássico. Como Pânico bem apontou em 1996, sexo em filmes de terror não costuma ser boa ideia. Os adolescentes que o fazem tendem a morrer primeiro. O ato em si sempre foi representado como uma punição - tanto que a final girl costuma ser a garotinha virgem e imaculada da história. Em Corrente do Mal, uma misteriosa entidade persegue determinada pessoa que fez sexo. A não ser que ela passe para frente - do mesmo jeito que pegou, ela morrerá. O interessante aqui é que, por mais que o sexo seja a condenação, ele também é a salvação. O longa pode ser interpretado de várias formas e níveis diferentes, em especial ao se tratar da protagonista, seu trauma e sua situação.

4 - The Babadook (2014)

Uma mãe viúva luta para criar seu filho temperamental enquanto precisa lidar com um monstro que se materializou de um livro pop-up. A grosso modo, essa é a premissa do horror australiano The Babadook. Uma história simples e aparentemente boba se transformou não apenas no melhor filme do gênero de seu ano, como também em uma das melhores obras contemporâneas de sua área. Embora o longa seja sobre o sofrimento de uma mulher em luto, através das lentes da diretora Jennifer Kent, o espectador não é poupado dos sustos. O filme é um conto agonizante sobre a dor da perda, o desespero da vida e como superar tudo isso. Esta não é a primeira obra a retratar algo assim, porém é melhor em muito tempo. Além disso, o filme não teve lançamento nos cinemas americanos e mesmo assim conseguiu atrair e conquistar a atenção da crítica e do público. Um feito ainda mais admirável.

5 - Amizade Desfeita (2014)

Você pode até questionar a qualidade desse filme, mas não sua originalidade e criatividade. Em Amizade Desfeita, um grupo de adolescentes participa de um chat no Skype e, a partir de então, começa a ser assombrado por uma foca sobrenatural dentro da conversa. Hoje, a ideia pode não parecer tão interessante assim, mas o filme merece crédito. Claro, ele não foi o primeiro a usar a tecnologia como forma de assustar o espectador - este seria The Den -, contudo o longa conseguiu usar o artifício de forma mais realista. Por exemplo, em determinada cena uma falha na conexão do vídeo é capaz de fazer o coração do púbico bater mais rápido. Assim como também ficamos incomodados com certo barulho de mensagens que chegam no Spotify. O filme usa o que a geração atual mais gosta para causar momentos de pavor de um jeito bem orgânico.

6 - A Bruxa (2015)

"Ah, mas eu nem assustei com esse filme", "Filme muito parado, não acontece nada demais". Essas são algumas frases típicas de pessoas que acreditam que filmes de terror/horror precisam ser recheados de jump scares, gritos e morte. Bem, embora aconteça muito atualmente, isso está longe de ser uma regra. Ambientado na Nova Inglaterra de 1630, o filme acompanha a mudança de vida de uma família extremamente religiosa após ser expulsa da comunidade em que viviam. Eles passam a morar em uma cabana isolada a beira de uma floresta que, aparentemente, esconde um misterioso perigo. Como o crítico Pablo Villaça disse: "A Bruxa é um belíssimo terror que compreende que não são precisos monstros fantásticos para destruir seus personagens; para isto, basta apenas a combinação da crendice, da culpa despertada por dogmas religiosos e da ignorância".

7 - Corra! (2017)

Na história, um jovem afro-americano viaja até o campo com a namorada para conhecer seus pais. Ao chegar ao local, aos poucos ele passa a perceber que a família esconde algo por trás de toda sua educação. Jordan Peele se inspirou em diversos elementos de filmes de terror que vieram ante dele para montar Corra! Mesmo assim, o longa foi inovador suficiente para nos lembrar de que este gênero também serve perfeitamente como alegorias para histórias que representam o caos social. Em seu caso, o filme é uma crítica absurda ao racismo. Não à toa, ele ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original este ano. Nem mesmo a tradicional Academia de Hollywood resistiu a esta grande obra.

8 - Um Lugar Silencioso (2018)

O ator John Krasinski surpreendeu a todos ao mostrar sua habilidade também por trás das câmeras e nos entregou a joia mais recente do gênero. Um Lugar Silencioso é um filme de monstros, entretanto, acima de tudo é uma história sobre família. O longa também é uma homenagem aos clássicos do subgênero dos anos 1990. A trama acompanha a vida de uma família que precisa viver em silencio absoluto para não chamar atenção de perigosas criaturas. Eles se comunicam por meio da Língua de Sinais e, por isso, quase não há diálogos. Um fator que poderia ser comprometedor, já que conversas tendem a criar tensões. No entanto, a agonia e o desespero são construídos através da ótima linguagem visual construída por Krasinski. Caso ainda não tenha visto o filme, ele está em exibição nos cinemas, o melhor local para conferi-lo. Mas lembre-se, o silêncio ao longo da projeção faz toda a diferença!

Tudo é feito por ciclos e a arte não é um campo a parte. Sendo assim, podemos dizer que a era do terror está voltando e da melhor forma possível! Já assistiu algum dos filmes citados acima? Qual sua opinião a respeito deles? Que outra obra você acrescentaria na lista? Compartilhe sua opinião com a gente.

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Via   CS  
Imagens Time MYVUE
Gabi Noronha
Resumindo, é basicamente isso! Mais aventuras em Instagram: @gabinoronhaf
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