A ilha que enriqueceu com o boom da inteligência artificial

Anguilla é uma ilha paradisíaca, famosa por suas praias de areia branca e mar azul-turquesa. Agora pense que esse mesmo lugar, com pouco mais de 16 mil habitantes, de repente virou protagonista no mercado global de tecnologia. Parece roteiro de filme? Pois é exatamente o que aconteceu com a ilha caribenha.

O detalhe curioso: .ai

Na década de 1980, quando a internet ainda engatinhava, cada país recebeu uma extensão digital para seus sites. O Brasil ficou com o .br, os Estados Unidos com o .us, o Reino Unido com o .uk. E Anguilla, quase sem saber a sorte que tinha, herdou o .ai.

Décadas depois, esse “detalhe técnico” se transformou em uma mina de ouro. Com a explosão da inteligência artificial, empresas do mundo todo passaram a disputar endereços que terminam em .ai. Afinal, nada mais simbólico do que ter a sigla de “artificial intelligence” estampada no nome do seu site.

Da praia para o Vale do Silício

Um exemplo chama atenção: o empreendedor Dharmesh Shah, da HubSpot, pagou cerca de US$ 700 mil pelo domínio you.ai. E ele não é o único. Nos últimos cinco anos, o número de sites registrados com .ai cresceu mais de dez vezes, ultrapassando 850 mil registros em 2024.

Só em 2024, Anguilla arrecadou o equivalente a US$ 39 milhões com a venda e renovação desses endereços digitais. Para se ter ideia, isso correspondeu a quase um quarto de toda a receita da ilha no ano. O turismo, até então carro-chefe da economia local, representou 37%.

Entre furacões e inovação

Anguilla, apesar da beleza natural, sofre anualmente com a ameaça de furacões devastadores. Por isso, a renda dos domínios .ai virou mais que um bônus: tornou-se um pilar de segurança econômica. Essa nova fonte de dinheiro ajuda a sustentar infraestrutura, saúde e até projetos de expansão turística, como a construção de um novo aeroporto.

O futuro digital de uma ilha pequena

Hoje, Anguilla opera em parceria com a empresa americana Identity Digital, que gerencia os registros e garante que os domínios fiquem seguros mesmo em caso de tempestades. O modelo de negócio é de divisão de receitas: a ilha fica com a maior parte do valor e ainda mantém autonomia sobre o uso do .ai.

Se no passado a sobrevivência da ilha dependia do fluxo de turistas e da resistência a furacões, agora a economia ganha fôlego com um detalhe inesperado. No mundo da tecnologia, a sorte digital de Anguilla mostra como um país minúsculo pode se reinventar e lucrar alto apenas com duas letrinhas: .ai.

Fonte: BBC

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