
Assim como o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, a Administração Federal de Aviação (FAA), órgão regulador da aviação nos Estados Unidos, também está trazendo obstáculos e consolidando uma briga com Elon Musk.
Após toda a controvérsia envolvendo o Twitter/X e o STF — com o bilionário e o ministro Alexandre de Moraes no centro da disputa — uma situação semelhante está acontecendo nos EUA.
No último dia 17, um dia antes de Musk contornar a decisão do STF e reativar o Twitter/X no Brasil (mesmo que brevemente), a FAA anunciou a possibilidade de multar a SpaceX.
A agência planeja impor uma multa de US$ 630 mil (equivalente a cerca de R$ 3,4 milhões) por violação de procedimentos em dois lançamentos de foguetes da SpaceX no ano passado.
Além disso, neste ano, a FAA suspendeu temporariamente os voos da SpaceX em duas ocasiões, após falhas durante o lançamento e o pouso de foguetes.

Via Forbes
Segundo Elon Musk, essas multas podem comprometer as viagens humanas para Marte, que seria seu próximo objetivo a longo prazo.
Além disso, o bilionário contestou as multas, alegando que as supostas infrações não configuram violações. Ele anunciou sua intenção de processar a FAA por “abuso regulatório”.
Uma semelhança entre os episódios envolvendo o STF e a FAA é o argumento utilizado por Musk. No Brasil, ele fala em “censura”, enquanto nos Estados Unidos, trata-se de uma “guerra jurídica”. Ainda, sugere que a ação da FAA está relacionada ao seu apoio à candidatura do ex-presidente Donald Trump.
O chefe da FAA, Mike Whitaker, defendeu a aplicação das multas e o adiamento do quinto lançamento da Starship, que estava previsto para as próximas semanas. Segundo Whitaker, a SpaceX ainda não concluiu uma análise essencial para a continuidade dos lançamentos.
A briga com Elon Musk se estendeu quando o CEO respondeu, por sua vez, pedindo a renúncia de Whitaker, assim como fez em relação ao ministro brasileiro do STF.
Musk também criticou o fato de o procurador da FAA ter feito comentários sobre o caso durante o anúncio oficial das multas à SpaceX, considerando isso “extremamente irregular”.
O bilionário afirmou ainda que, com o atraso, a humanidade jamais chegará a Marte. Mais uma vez, segundo Musk, “forças ocultas” estariam interferindo em seus planos e dificultando o cumprimento de suas promessas.
Na semana passada, Elon Musk criticou duramente as autoridades da FAA, de forma semelhante ao que fez com o STF, alegando que o órgão estava multando sua empresa por “questões triviais”.
Ele afirmou que a FAA ignora os verdadeiros problemas de segurança envolvendo a Boeing. Sua posicição é que isso seria ‘extremamente errado’ e coloca vidas em risco.
Em resposta, a FAA afirmou que as multas são a única maneira de garantir que as empresas cumpram as diretrizes de segurança. O órgão ressaltou que tanto a Boeing quanto a SpaceX recebem o mesmo tratamento.

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A postura de Elon Musk em relação às autoridades políticas vai além dos conflitos com o STF no Brasil e a FAA nos Estados Unidos. Por anos, o bilionário esteve envolvido em disputas judiciais nos EUA, sempre levantando a bandeira da “ineficácia do governo”.
Essa ineficácia, aliás, foi apontada pela SpaceX na última quarta-feira (24), quando a empresa alegou que o órgão responsável pelo transporte espacial comercial “não dispõe de recursos suficientes para revisar materiais em tempo hábil”.
Diferentemente da situação entre o X/Twitter e o STF, o problema nos EUA não se resume a um confronto entre Musk e o Estado. A questão envolve o poder público, que está tendo dificuldades em acompanhar o ritmo de evolução de uma indústria emergente.
Com o aumento do número de lançamentos de empresas privadas, é natural que os governos precisem atualizar suas normas regulatórias.
Por outro lado, as empresas devem seguir essas regras, que existem para proteger não apenas os astronautas, mas também as pessoas em terra firme.
Assim, parece que a briga com Elon Musk não está perto de acabar, e pode gerar consequências ainda mais sérias.
Fonte: UOL





