Um pequeno besouro de apenas dois milímetros está preocupando especialistas e autoridades ambientais por causa do enorme impacto que pode causar às árvores. Conhecido como besouro perfurador polífago (Polyphagous Shot Hole Borer), o inseto já se espalhou por diferentes regiões do mundo e continua avançando principalmente na Austrália.
O besouro perfurador polífago transporta um fungo capaz de interromper o fluxo de água e nutrientes, levando árvores à morte. Foto: Reprodução.
Apesar do tamanho reduzido, o besouro causa um grande problema. Ao perfurar troncos e galhos, ele leva consigo um fungo que invade o sistema vascular das árvores. Como consequência, o fungo interrompe o transporte de água e nutrientes. Dessa forma, as plantas enfraquecem, perdem folhas e, por fim, morrem.
O besouro perfurador polífago depende de um fungo para sobreviver. Quando a fêmea abre galerias dentro do tronco, ela deposita os esporos do fungo no interior da árvore. Em seguida, o fungo cresce rapidamente e serve de alimento para as larvas.
Ao mesmo tempo, o fungo bloqueia os vasos responsáveis pela circulação de água e nutrientes. Por isso, a árvore perde força, deixa de se desenvolver normalmente e seca aos poucos. Em muitos casos, o ataque provoca a morte completa da planta.
Além da rapidez na disseminação, o inseto preocupa por causa da enorme variedade de hospedeiros.
Pesquisadores já identificaram mais de 500 espécies suscetíveis ao ataque. Entre elas estão figueiras, bordos, carvalhos, abacateiros, citros e diversas árvores ornamentais e nativas. Portanto, a praga representa um risco tanto para florestas quanto para áreas urbanas e plantações comerciais.
Além disso, essa ampla capacidade de infestação dificulta o controle da espécie e aumenta a preocupação das autoridades ambientais.
As autoridades australianas detectaram o besouro pela primeira vez em Perth, em 2021. Desde então, equipes especializadas monitoram novas ocorrências e removem árvores infestadas para reduzir a propagação da praga.
Entretanto, especialistas acreditam que eliminar completamente o inseto já não é uma alternativa viável. Por isso, os órgãos ambientais concentram esforços no monitoramento constante e na contenção dos novos focos.
Enquanto isso, cidades como Sydney reforçam a vigilância para evitar que o besouro alcance parques, áreas verdes e regiões com grande diversidade de árvores.
O impacto do besouro vai muito além da perda de árvores.
Além dos prejuízos ambientais, a praga ameaça a produção agrícola, aumenta os custos de manejo urbano e reduz a biodiversidade em diferentes ecossistemas. Consequentemente, governos e pesquisadores ampliam os programas de monitoramento e investem em estratégias para limitar a expansão do inseto.
Da mesma forma, especialistas recomendam que moradores evitem transportar lenha, troncos e galhos provenientes de áreas infestadas. Afinal, esse material pode acelerar a dispersão do besouro para novas regiões.
Pesquisadores continuam estudando novas formas de controlar a espécie. Enquanto isso, autoridades orientam a população a observar sinais como pequenos furos nos troncos, galhos secos, manchas causadas por fungos e redução da copa das árvores.
Caso esses sintomas apareçam, a recomendação é informar rapidamente os órgãos ambientais responsáveis. Dessa maneira, as equipes conseguem agir mais cedo e diminuem o risco de novas infestações.
Embora o besouro não ofereça risco direto às pessoas, ele ameaça ecossistemas inteiros e pode causar enormes prejuízos ambientais e econômicos. Por esse motivo, especialistas consideram essa espécie uma das pragas florestais mais preocupantes da atualidade.
Fonte: iG






