Pesquisadores russos encontram micro-organismos

Cientistas descobrem microrganismos capazes de limpar solos contaminados no Ártico

Pesquisadores russos identificaram microrganismos capazes de limpar solos contaminados no Ártico, uma das regiões mais difíceis do mundo para realizar descontaminação ambiental. A descoberta pode representar um avanço importante na recuperação de áreas afetadas por petróleo e metais pesados.

Pesquisadores russos encontram micro-organismos

Foto: Manjurul / iStock

Os cientistas encontraram essas bactérias em solos contaminados no norte da Rússia. Segundo o estudo, os microrganismos conseguem degradar derivados de petróleo e metais pesados mesmo em temperaturas muito baixas, próximas de 5 °C.  

Como funciona a “limpeza natural”

Primeiramente, esses microrganismos utilizam substâncias tóxicas como fonte de energia. Ou seja, eles “consomem” componentes do petróleo e transformam esses compostos em formas menos prejudiciais ao ambiente.

Além disso, algumas bactérias identificadas conseguem atuar em diferentes condições do solo. Enquanto certas espécies funcionam na presença de oxigênio, outras continuam ativas mesmo em ambientes sem oxigênio.

Dessa forma, a limpeza pode ocorrer tanto na superfície quanto em camadas mais profundas do solo contaminado.

Por que isso é importante no Ártico

O Ártico apresenta condições extremas que dificultam métodos tradicionais de descontaminação. O solo congelado, conhecido como permafrost, impede escavações e torna o transporte de equipamentos muito caro e complexo.

Além disso, o frio intenso reduz a eficiência de processos químicos e físicos usados normalmente para limpar áreas poluídas.

Por isso, a utilização de microrganismos adaptados ao ambiente local surge como uma alternativa mais eficiente. Como esses organismos já vivem na região, eles conseguem sobreviver e agir onde outras técnicas falham.  

Tipos de bactérias envolvidas

Os pesquisadores identificaram diferentes grupos de microrganismos com funções complementares.

Por exemplo:

• bactérias do gênero Pseudomonas, que ajudam a transformar metais em formas menos tóxicas

• bactérias do gênero Paenibacillus, que conseguem degradar hidrocarbonetos mesmo sem oxigênio

Assim, a combinação dessas bactérias permite uma limpeza mais completa do solo contaminado.  

O que muda com essa descoberta

A pesquisa abre caminho para o uso da chamada biorremediação, técnica que utiliza organismos vivos para recuperar ambientes degradados.

Além disso, essa abordagem pode reduzir custos e impactos ambientais, já que dispensa o uso de produtos químicos agressivos.

Por outro lado, os cientistas ainda precisam realizar testes em larga escala para confirmar a eficácia da técnica fora do laboratório.

Um avanço para o futuro ambiental

Mesmo assim, a descoberta representa um passo importante para resolver um problema antigo. Regiões do Ártico acumulam décadas de poluição causada por atividades industriais e exploração de petróleo.

Assim, ao utilizar microrganismos nativos, os pesquisadores podem transformar um ambiente hostil em um aliado na recuperação ambiental.

Fonte: BRICS

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