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Como os vikings conseguiam pescar baleias-azuis?

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Viking é um termo usado para se referir aos exploradores, guerreiros, comerciantes e piratas nórdicos que invadiram, exploraram e colonizaram grandes áreas da Europa e das ilhas do Atlântico Norte. Os vikings eram famosos por construir casas e navios resistentes o bastante para viajar até o oriente, como Rússia, ou até o extremo ocidente, como Islândia e Groenlândia.  E o que muitos podem não saber é que os vikings também pescavam baleias-azuis.

Esse assunto é bem interessante e curioso. Tanto que a historiadora ambiental Vicki Szabo tem investigado isso nas últimas três décadas. Ela busca um melhor entendimento sobre as interações entre islandeses e baleias através da análise de textos nórdicos que combinam fatos científicos com elementos sobrenaturais.

Os registros arqueológicos eram bem limitados até o começo dos anos 2000 porque o processamento das baleias na costa acabavam com poucos ossos preservados. Por conta disso, as baleias eram tidas como um recurso invisível para os especialistas. Com relação à caça medieval, os registros mostram que ela tinha o foco em espécies menores e que eram mais manejáveis. Por conta disso que a hipótese de que os islandeses caçavam baleias-azuis, que são as maiores de todas, tem várias questões.

Caça e pesca de baleias-azuis

Mega curioso

Então, para entender melhor essa caça, Szabo e sua equipe, feita por arqueólogos, historiadores, folcloristas e geneticistas, começaram a usar técnicas científicas. De acordo com análises de DNA e espectroscopia de ossos antigos, metade dos ossos de baleias descobertos nos sítios arqueológicos islandeses eram de baleias-azuis. O que mostra que eles realmente as caçavam de forma regular.

De acordo com as sagas islandesas e outros textos, as baleias eram essenciais para eles. Tanto que existiam leis detalhadas a respeito da divisão das baleias encalhadas e os caçadores tinham emblemas em suas lanças para saber quem tinha matado o animal.

Contudo, somente na década de 2000 que Szabo conseguiu confirmar essa predominância das baleias-azuis nos ossos analisados através da análise avançada de DNA e espectroscopia.

Com a escavação em sítios como Hafnir, na Península de Skagi, foram descobertas quantidades grandes de ossos trabalhados. Isso sugere que a prática de caça era ativa e organizada. E outros fatores como condições climáticas e a geografia também influenciaram.

E antes de existir a caça industrial das baleias-azuis, elas eram mais abundantes e vistas com frequência na costa islandesa, o que facilitava com que os vikings pescassem esses animais.

Vikings

Unicentro

Existem poucos estudos sobre os vikings e pouco se sabe sobre esses incríveis guerreiros. Por isso, existem várias curiosidades desconhecidas sobre esse povo, como por exemplo, como eles se pareciam, quais armas usavam e o que eles fizeram exatamente.

Um grupo internacional de geneticistas evolutivos conseguiu fazer a análise da ascendência genética dos vikings. Os resultados obtidos por eles sobre a diversidade genética desse povo foram surpreendentes.

“Tudo começou quando conseguimos sequenciar o primeiro genoma humano antigo. Isso nos forneceu uma enorme quantidade de informações de indivíduos que podemos usar para deduzir o passado do ser humano. Depois que vimos que isso era possível, decidimos começar a explorar o passado humano em todo o mundo para ver como nos convertemos no que somos hoje”, disse o geneticista evolutivo dinamarquês Eske Willerslev, professor da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

Durante seis anos, os pesquisadores analisaram os restos humanos que foram encontrados em mais de 80 sítios arqueológicos, dentre eles, túmulos vikings. Os pesquisadores então usaram DNA antigo para entender o passado. Eles sequenciaram os genomas de 442 homens, mulheres, crianças e bebês da era dos vikings.

Feito isso, Martin Sikora, da Universidade de Copenhague, e um dos especialistas que trabalhou no estudo, notou que os restos mortais onde o DNA estava mais preservado eram os dentes e um osso chamado petroso ou temporal. Esse osso faz parte do conjunto de ossos da orelha e é bastante duro.

Com isso, os especialistas tiraram o material genético dessas fontes e conseguiram comparar o DNA desses povos com as sequências de DNA de mais de mil indivíduos da Antiguidade e cerca de quatro mil seres humanos modernos.

Essa foi a maior análise genética de restos vikings já feita. E ela mostrou que os genes desses povos vinha do sul da Europa e da Ásia.

“O viking típico é descrito como um escandinavo grande, forte e loiro. Mas, na verdade, ser loiro era muito menos comum na Escandinávia na era dos vikings do que agora. O período viking é caracterizado por um enorme interesse pelos vikings escandinavos pelo resto do mundo, mas um interesse muito limitado pelo que realmente estava acontecendo na Escandinávia”, explicou Willerslev.

Aparência

As rotas comerciais dos vikings iam de um lado, até o Canadá, e de outro, até o Afeganistão. Dessa maneira, esse povo tinha bem mais diversidade que o que se acreditava. Justamente essa miscigenação com pessoas do sul e do leste que diversificou a composição genética dos vikings e gerou uma variedade de aparências físicas.

“Não é possível afirmar com certeza se houve um grupo geneticamente homogêneo que fosse muito escandinavo e igual em toda parte. Na realidade, havia muita diversidade”, afirmou Sikora.

O estudo feito também deu aos pesquisadores a possibilidade de determinar que existiram vários grupos vikings que viajaram para diferentes partes do mundo. “Os dinamarqueses foram principalmente para a Inglaterra, os noruegueses foram para a Irlanda, Islândia e Groenlândia e os suecos foram para o Mar Báltico”, explicou Willerslev.

Além disso, o estudo também mostrou que a identidade viking não estava relacionada à origem genética ou étnica, mas na realidade, a uma identidade social.

“O fenômeno viking não é algo escandinavo, no sentido de que não é a etnicidade que determina se alguém é viking ou não. Trata-se de um estilo de vida. E, de fato, os pesquisadores descobriram vikings que ‘não tinham genes escandinavos’”, disse o cientista que liderou o projeto.

“Graças a este trabalho, estamos mudando a história e, ao mudar a história, também estamos alterando nossa identidade”, concluiu Willerslev.

Fonte: Mega curioso, BBC

Imagens: Mega curioso, Unicentro

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