Você sabia que é possível ter nascido em um país, morar em outro, e ainda assim, não possuir nenhuma nacionalidade? Esse é o caso dessas pessoas, que não possuem nenhuma nacionalidade, os membros da organização United Stateless.

Mesmo que morando no Estados Unidos por mais de 20 anos, essas pessoas não têm nacionalidade reconhecida por nenhum país. Por isso, a mais corriqueira das atividades poderia representar um verdadeiro desafio.

De onde vieram essas pessoas?

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Vivendo há mais de 20 anos nos Estados Unidos, Karina Ambartsoumian-Clough considera o país seu lar. Além disso, mesmo que nem sempre isso tenha sido recíproco, ela tem orgulho de sua cultura e, atualmente, é casada com um americano. Mas, até pouco tempo atrás, algumas atividades corriqueiras poderia dar a maior dor de cabeça. Por exemplo, abrir uma conta ou ainda, tomar uma cerveja em um bar, poderia ser um desafio para Clough. No país, é preciso utilizar um documento de identidade para realizar essas tarefas. Contudo, ela não possuía um documento de identidade dos Estados Unidos e nem de qualquer outro país.

Clough nasceu na cidade de Odessa, na Ucrânia, então parte da União Soviética. Dessa forma, ela se tornou uma das milhares de pessoas apátridas, que vivem nos Estados Unidos. No entanto, mesmo morando no país, sua nacionalidade não é reconhecida por nenhuma nação. Filha de mãe ucraniana e pai de etnia armênia, Clough deixou sua cidade natal no início da década de 1990. "Meus pais obtiveram documentos de viagem para ir a Cuba e, em uma escala no Canadá, conseguimos sair do avião e buscar refúgio", disse Clough.

Depois de anos de de espera, o pedido de refúgio foi negado e, em 1996, a família cruzou a fronteira e se instalou no estado da Pensilvânia. Na época, Clough possuía apenas 8 anos de idade. Depois disso, seus pais obtiveram números de seguridade social e autorização para trabalhar. Foi aí que eles entraram com um pedido de asilo político.

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Nada disso é culpa dessas pessoas

Em 2001, o pedido foi negado novamente. Em seguida, a família descobriu que também não eram mais cidadãos ucranianos. "Apesar de eu ter uma certidão de nascimento da Ucrânia na época em que era parte da União Soviética", relatou Clough. Desde 1991, com o fim da União Soviética, a implementação de novas leis "criou-se uma significativa população apátrida".

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Para se ter uma ideia, com base no censo populacional americano e pedidos de refúgio e asilo, o Center for Migration Studies (CMS), estima que 218 mil pessoas "potencialmente apátridas ou em risco de se tornarem apátridas" vivem nos Estados Unidos. Mas, claro, os pesquisadores ressaltam que é impossível calcular o número exato de pessoas. "É um problema muito complexo, com múltiplas causas, e muito maior do que as pessoas imaginam", afirma Donald Kerwin, diretor-executivo do CMS. "Há necessidade urgente de criar mecanismos específicos para permitir que pessoas apátridas possam regularizar sua situação".

Além desse caso, problemas semelhantes foram enfrentados por cidadãos da antiga Iugoslávia, ou ainda, por pessoas de origem eritreia, nascidas na Etiópia. Ainda há casos de países que negam ou cancelam a nacionalidade de determinadas pessoas. Seja por conta de etnia, religião, idioma falado, entre outras características.

Publicado em: 01/02/20 18h56