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Entenda o que é o jet lag social do sono

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A pandemia da covid-19 afetou diversos costumes humanos, modificando a rotina da maioria das pessoas. Um desses costumes é o sono, principalmente o padrão do sono, uma característica essencial dessa atividade que foi modificada, algumas vezes, de forma drástica, dependendo do indivíduo afetado.

As restrições, home-offices e isolamento criaram um experimento social acidental sobre os hábitos de sono que foram modificados pela nova flexibilidade de agenda. Uma pesquisa recente investigou como essas mudanças afetaram o nosso sono, às vezes até mesmo para o bem.

Ciclos do sono 

Foto: Reprodução

Aproximadamente 15.000 adultos de 14 países diferentes responderam a questionários sobre seus padrões de sono para uma pesquisa. O resultado foi publicado na revista científica Nature and Science of Sleep em 2021. 

Quase metade dos indivíduos informaram ter desenvolvido uma rotina mais alinhada com seus ciclos naturais de sono e vigília (conhecidos como “ritmo circadiano”) durante a pandemia do que antes dela.

Uma parte do que afeta esse ritmo foi nomeado de “jet lag social”. Ele acontece quando existem variações entre a rotina social e o ritmo circadiano natural. Quando essa diferença é alta, a pessoa fica mais propensa a desenvolver insônia, depressão, ansiedade e mal-estar, do que quem possui uma rotina consistente.

As pessoas mais noturnas, preferem dormir até mais tarde e ficam acordadas ao longo da madrugada durante o final de semana, mas precisam seguir horários diferentes por causa do trabalho, com isso desenvolvem um jet lag social alto. Enquanto isso, as pessoas diurnas que conseguem manter a rotina do sono no final de semana, possuem um jet lag social baixo ou inexistente.

Aproximadamente 46% das pessoas estudadas reportaram ter diminuído o jet lag social durante a pandemia. A maioria das pessoas fez isso ajustando o horário de acordar para mais tarde, jantando mais tarde e indo para a cama mais tarde. Além disso, 20% dos participantes aumentaram o jet lag social, e o restante não apresentou mudanças na rotina do sono.

De acordo com esses dados, metade da população continua com rotina que vai contra o cronotipo natural, ou seja, a tendência mais noturna ou diurna. No entanto, o que os pesquisadores não esperavam era descobrir que as pessoas que reduziram o jet lag social tiveram mais insônia e estresse durante a pandemia em relação aos que continuaram com o jet lag social constante. 

Uma das teorias aponta que ficar muito tempo na cama diminui a eficiência do sono e torna o ato de dormir mais difícil durante a noite.

Próximos estudos

Foto:  Eva-Katalin/iStock

Os pesquisadores informaram que os próximos estudos devem investigar as mudanças que afetaram a rotina das pessoas. As principais questões que serão estudadas são a situação empregatícia, os relacionamentos familiares, as finanças e a saúde.  Esses temas podem ter feito as pessoas não notarem os benefícios de uma redução do jet lag social. 

“Quais benefícios na saúde pública poderiam existir caso esse grupo conseguisse reduzir o jet lag social, além do estresse criado pela covid?” pergunta o professor Colin Espie, um dos autores do estudo.

Ele aponta que a pandemia e o home-office generalizado trouxe debates sobre onde se deveria trabalhar, mas pouco sobre quando se deveria trabalhar. Um dos aspectos levantados pela pesquisa é o impacto na saúde e felicidade da população trazido pelo foco nas questões da rotina de trabalho e sono, e sua sincronia com a biologia de cada um.

De acordo com Colin, a pesquisa apresenta que forçar a população a se alinhar a uma rotina única funciona para apenas metade das pessoas. Por isso, ainda é preciso estudar como rotinas e padrões novos poderiam ajudar a outra metade. Essa ação pode resultar em mudanças significativas para a qualidade do sono, assim como na saúde mental e física dos seres humanos mais noturnos.

Fonte: Canaltech

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