Desde que foi lançado, em agosto de 2018, a Parker Solar Probe, uma sonda solar da NASA, foi a única, até o momento, que conseguiu se aproximar mais do Sol do que qualquer outra espaçonave já projetada. Por ter sido capaz de realizar tal feito, os cientistas da NASA conseguiram obter novas informações sobre o universo e seus astros.

De acordo com a imprensa americana, as descobertas, até agora, já renderam a produção de quatro artigos científicos. Todo o material foi publicado na revista Nature.

Novas descobertas

Segundo os artigos publicados na revista Nature, a sonda solar da NASA revelou uma atividade nunca antes vista no plasma e na atmosfera do sol, incluindo reversões do campo magnético do próprio astro e "explosões", em seu fluxo de partículas eletricamente carregadas, as quais conhecemos como tempestades solar.

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Com as descobertas, os especialistas querem descobrir, agora, como proteger os astronautas quando estão em órbita. Além disso, os pesquisadores querem também descobrir uma maneira de proteger a ‘rede elétrica’ da Terra contra explosões solares violentas e imprevisíveis.

Dentre todas as informações coletadas, a mais notável, para os pesquisadores, só os ventos solares que se formam no espaço. Com a sonda solar próxima ao Sol, a NASA pretende coletar mais informações sobre o fenômeno.

"Imagine que vivemos no meio de uma cachoeira e a água está sempre fluindo em meio a nós. O fenômeno é muito turbulento e caótico. Por isso, queremos saber qual é a fonte que alimenta essa cachoeira. Excluindo metáforas, queremos descobrir a fonte desses ventos", disse Stuart Bale, físico que lidera a equipe que investiga os dados obtidos pela sonda solar. "É muito difícil aprofundar o assunto no momento".

Com a sonda vasculhando o sol, para os cientistas da NASA, basicamente, o mais importante agora é buscar respostas para duas questões. Primeiro, o que faz com o vento solar acelerar após ser criado em meio ao espaço? E, segundo, por que a camada externa do sol, intitulada corona, é até 500 vezes mais quente que suas camadas internas?

O vento solar e o campo magnético do sol

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Para obter respostas concretas, é preciso coletar mais informações. Em contrapartida, ao que parece, os dados que recentemente foram coletados oferecem algumas pistas. Pela primeira vez, Parker identificou uma fonte clara de uma corrente de vento lento e constante fluindo do sol. Como explica o especialistas, o vento veio de um buraco na coroa, um local onde o gás é mais frio e menos denso.

Os cientistas sabiam que o vento vindo dos pólos do sol se move mais rápido, mas foi a primeira vez que detectaram um ponto de origem para um vento lento que vinha do seu equador. A sonda solar da NASA também detectou ondas ‘desonestas’, ou seja, não estruturadas, de energia magnética em meio ao vento solar.

À medida que essas ondas magnéticas passaram pela sonda, o objeto detectou enormes picos na velocidade do vento solar. Às vezes, tais ondas variavam mais de 300.000 mph, em segundos. Então, com a mesma rapidez que atingiam tais picos, os ventos também se extinguiram em meio ao nada. "Vemos que o vento solar está repleto de atividades cósmicas", disse Bale. "É barulhento. É instável", completou.

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Agora, o que justifica a camada externa do sol ser tão quente são as explosões que ocorrem em seu exterior. "Achamos que isso nos indica um caminho para entender como a energia sai do sol e aquece a atmosfera", disse Justin Kasper, outro físico envolvido na pesquisa.

Fato inédito

Os cientistas nunca haviam observado de perto essas explosões. Inacreditavelmente, em apenas 11 dias, 1.000 delas ocorreram. Os picos de tais explosões revelaram outra informação: as explosões eram tão fortes, que abalaram o campo magnético do sol.

Os cientistas chamam esses eventos de "reveses", porque, na área afetada, o campo magnético do sol se move para trás. Os ziguezagues parecem ocorrer apenas perto do sol (dentro da órbita de Mercúrio). O fenômeno jamais poderia ser observado sem a sonda.

Publicado em: 09/12/19 11h19