Estalar o pescoço quase sai caro: jovem sofre AVC por romper artéria

Avatar for Henrique SantosHenrique SantosSaúdeoutubro 21, 2025

Era uma cena comum: uma noite com amiga, relaxando em casa, quando a jovem esticou o pescoço e ouviu o clássico “crack”. O que parecia mais um alívio momentâneo acabou se transformando em uma crise séria. A jovem, identificada como Natalie Kunicki, de 23 anos, estalou o pescoço e minutos depois não conseguiu levantar a perna esquerda. O motivo? Ela havia rompido uma das artérias da região cervical, o que desencadeou um AVC.

O incidente que despertou o alerta

A história foi registrada no Reino Unido, onde Natalie trabalhava como paramédica. Após uma noite informal, ela estendeu o pescoço e sentiu o estalo. Quinze minutos depois, ao levantar para ir ao banheiro, não conseguia caminhar direito.

“Não estava tentando quebrar o pescoço”, disse ela. “Apenas me movi, e aconteceu.”

No hospital, os médicos descobriram que o estalo havia resultado em uma dissecação da artéria vertebral, ou seja, uma ruptura na parede de uma artéria que passa pelo pescoço e leva sangue ao cérebro. O rompimento formou um coágulo que atingiu o cérebro, causando o AVC.

Por que isso pode acontecer mesmo em pessoas jovens?

Embora seja raro, a manipulação brusca ou o estiramento excessivo do pescoço pode gerar danos nas paredes das artérias cervicais. Segundo especialistas, o barulho do “crack” vem de bolhas de gás nas articulações ou de ligamentos se movimentando, geralmente inofensivo. Mas, se houver uma fraqueza ou predisposição vascular, esse gesto pode desencadear uma ruptura.

O médico Dr. Robert Glatter resumiu bem:

“Não existe forma segura de estalar o pescoço”, porque, em raras situações, o dano vascular pode levar à formação de coágulos e, consequentemente, a um AVC.

Sintomas que servem de alerta imediato

  • Dor repentina no pescoço ou cabeça após estalo ou manipulação cervical.
  • Fraqueza súbita em um lado do corpo, braço, perna ou face.
  • Dificuldade para caminhar, coordenação prejudicada ou sensação de desorientação.
  • Visão turva, dificuldade para falar ou engolir.

No caso de Natalie, a perda de movimentação da perna esquerda foi o primeiro sinal. Felizmente ela procurou ajuda rapidamente, o que é essencial nesses casos.

Tratamento e prognóstico

Após o diagnóstico da ruptura da artéria vertebral e o AVC, Natalie passou por cirurgia para reparar a artéria e iniciou fisioterapia. Ainda assim, os médicos foram cautelosos: a recuperação completa não está garantida. O fator decisivo para evitar sequelas graves é o tempo de atuação. Quanto antes for reconhecido o problema vascular, menor o dano ao cérebro, melhores as chances de recuperação.

Como evitar que um gesto comum vire risco grave

Não estou dizendo para nunca mexer o pescoço, é natural alongar-se, esticar os ombros, virar a cabeça, mas algumas precauções valem:

  • Ao fazer alongamentos ou viradas de cabeça, evite movimentos bruscos ou fortes “estalos”.
  • Se você sente dor frequente no pescoço ou teve histórico de problemas vasculares, consulte um especialista antes de manipular a cabeça com força.
  • Em caso de tontura, dor de cabeça súbita ou dormência após manobra cervical, procure atendimento hospitalar com urgência.
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