Filha de pedreiro cursa medicina e consegue intercâmbio em Harvard
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Filha de pedreiro cursa medicina e consegue intercâmbio em Harvard

Através da educação, Nathalia Oliveira, de 22 anos, viu sua vida se transformar completamente. Em 2016, moradora de um bairro na periferia de São Paulo, contrariando todas as expectativas, a jovem entrou para o curso de medicina, um dos mais concorridos do país, na Universidade de São Paulo (USP).

Nathalia agora deseja alcançar voos ainda mais altos, o que para muitos soa quase como impossível. A jovem está se preparando para fazer um intercâmbio em uma das mais famosas universidades do mundo, a Universidade de Harvard, na cidade de Cambridge, em Massachusetts, nos Estados Unidos.

O programa de intercâmbio tem duração de um ano, onde a paulistana irá aprender sobre o processo de construção de pesquisa científica, voltado para a área de nanotecnologia e nanotoxicologia, aplicadas à saúde. Ela terá oportunidade de trabalhar com alguns dos maiores especialistas do segmento.

O grande sonho

Porém, as coisas não e nem foram simples, mas tanto Nathalia, quanto sua irmã, receberam todo o apoio de seu pai para que pudessem estudar. O progenitor das meninas trabalhava como pedreiro e bombeiro. “Ele sempre foi muito exigente com a gente. Não adiantava tirar 7, 8 ou 9. Tinha que ser 10. Então crescemos sempre com a ideia de estudar para honrar o esforço deles para custear a nossa educação.”, afirmou Oliveira.

Nascida em São Miguel Paulista, durante a adolescência a família da jovem se mudou para Vargem Grande, onde Nathalia deu inicio ao Ensino Médio, depois de ser aprovada em uma escola técnica em Cotia, cidade vizinha. De acordo com Nathália, este é o ponto em que tudo começou a mudar em sua vida.

Os colegas com quem Nathalia convivia sonham alto, e segundo ela, ela também passou a sonhar que podia chegar longe como os outros que faria medicina. “Parecia impossível mas eu queria tentar”, afirmou a menina. A jovem conversou com seus pais sobre seu sonho e que tentaria a universidade pública, uma vez que sua família não conseguiria custear seus estudos em uma instituição particular.

Médicina na USP, sim!

A jovem tentou provas de bolsas de estudos para ingressar em cursinhos e conseguir se preparar melhor para o vestibular – e conseguiu! Mas sua rotina era bem pesada. Da sua casa ao curso ela, gastava diariamente cerca de 5 horas apenas no trajeto de ida e volta. No primeiro ano, Nathalia conseguiu passar na primeira fase em diversos vestibulares, mas não conseguia aprovação na segunda fase dos mesmos.

“Mesmo fazendo Ensino Médio em uma escola técnica, sabia que não era o suficiente para passar em medicina. No cursinho era o momento de revisar mas eu precisei aprender todo o conteúdo”, contou Nathalia. No segundo ano de curso, ela conseguiu ser aprovada numa universidade no Recife, porém, os custos para se mudar para a cidade não seriam viáveis e ela acabou desistindo.

Em seu terceiro ano de estudos voltados para sua aprovação em Medicina, Nathalia conseguiu passar na USP, UNICAMP, Unesp, Unifesp e UFMG. Entretanto, a paulistana escolheu a USP pelas oportunidades que teria. E uma dessas oportunidades seria fazer o intercâmbio em Harvard.

Logo no início de seus estudos, Nathalia soube da oportunidade de poder estudar em outro país, mas julgava não ser capaz de tal feito. “Não queria buscar esse intercâmbio porque ser aprovada no vestibular já tinha sido um desafio muito grande e não queria tentar outro e me frustrar”, afirmou a jovem.

Sua visão sobre isso mudou quando ela fez iniciação científica e percebeu que a experiência de um intercâmbio poderia levá-la muito mais longe do que ela imaginava e resolveu arriscar. Oliveira fez sua inscrição, que de imediato foi aprovada por seus professores e encaminhada para avaliação na universidade norte americana. No entanto, a última etapa consistia em uma avaliação em uma videoconferência e que deveria ser realizada toda em inglês.

De acordo com a jovem a entrevista não foi nada fácil e em alguns momentos o entrevistador precisou repetir as perguntas feitas a Nathalia mais de uma vez para que ela pudesse compreender. “Foi muita pressão porque nunca tinha conversado com nenhum nativo. Aprendi inglês com uma vizinha, mas era muito básico. Eu achei que tivesse ido muito mal e só passaria por um milagre”, contou Oliveira.

Um sonho internacional

Mas as boas notícias logo chegaram e junto de outros 14 colegas de medicina, Nathalia iria fazer seu intercâmbio. Os primeiros a receberem a notícia foram seus pais que emocionados comemoraram com ela o resultado. Apesar de todo frisson do momento, algo tirou um pouco de sua alegria. A jovem se lembrou que não teria dinheiro para se manter um ano fora do Brasil.

A estudante começou a vender pão de mel para seus amigos e vizinhos para juntar o dinheiro. Mas apenas o dinheiro da venda da sobremesa, Nathalia não conseguiria realizar seu sonho. E assim, um amigo lhe sugeriu que fizesse uma vaquinha online para conseguir o montante que faltava.

Em novembro, Oliveira deu início a sua jornada em busca de captar os recursos necessários para viajar. Nathalia deu tudo de si e em menos de 60 dias ela conseguiu arrecadar um pouco mai de 28 mil reais. As pessoas ficaram tão impressionados com a história e determinação da jovem que ela conseguiu arrecadar muito mais do que esperava. Sua campanha já conseguiu mais de 60 mil reais.

No fim de janeiro, a estudante embarcara rumo aos Estados Unidos, onde permanecerá cumprindo o cronograma do intercâmbio por um ano. Com o dinheiro que foi arrecadado, além de custear seu período de estadia no país, a jovem pretende realizar um curso de aprimoramento em Harvard ou no no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Nathalia ainda tem o desejo de ajudar estudantes que se encontram na mesma situação em que ela há algum tempo. “Gostaria de reinvestir em outros jovens o que investiram em mim. Eu nasci e cresci na periferia. Sei a história de quem é de lá e quero mostrar pra eles que é possível”, concluiu a paulistana.

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