
Imagina só ligar o console e ver o Cristo Redentor no horizonte de um GTA? Pois é. Por mais improvável que isso pareça hoje, a ideia não só passou pela cabeça da Rockstar como chegou a ser discutida seriamente nos bastidores do estúdio. Segundo um veterano da desenvolvedora, GTA no Rio de Janeiro e até em Tóquio quase viraram realidade. Mas, como acontece com muitas ideias ambiciosas na indústria dos games, o plano acabou ficando pelo caminho.
A revelação veio de Obbe Vermeij, ex-diretor técnico da Rockstar, que trabalhou diretamente em títulos como GTA III, Vice City, San Andreas e GTA IV. Em entrevista ao site GamesHub, ele comentou que o estúdio chegou a discutir levar a franquia para fora dos Estados Unidos, algo que muitos fãs pedem há décadas.
Entre as cidades cogitadas estavam:
E não parou por aí.
Segundo Vermeij, Tóquio foi a que chegou mais perto de acontecer.
De todas as ideias internacionais, o projeto ambientado no Japão foi o mais avançado. De acordo com o ex-dev, um estúdio japonês chegou a ser cogitado para desenvolver o jogo, utilizando o código-base da Rockstar.
“Tóquio quase aconteceu de verdade”, afirmou Vermeij. “Outro estúdio no Japão iria pegar nosso código e fazer GTA.”
No fim das contas, o plano não saiu do papel. Os motivos exatos nunca foram totalmente detalhados, mas o próprio Vermeij deixou claro que a complexidade do projeto pesou bastante.
A resposta é menos criativa e mais prática: tempo e custo. Segundo Vermeij, os ciclos de desenvolvimento de Grand Theft Auto ficaram tão longos que experimentar cidades muito diferentes se tornou inviável.
“Simplesmente não é realista”, explicou. “Se os jogos ainda levassem um ano para serem feitos, daria para brincar com essas ideias. Mas quando você tem um GTA a cada 10 ou 12 anos, isso não acontece.”
Hoje, cada novo título da franquia envolve:
Mudar completamente o país exigiria refazer praticamente tudo do zero.
Outro ponto levantado por Vermeij é que, para a Rockstar, a evolução tecnológica já cumpre o papel de renovar a experiência. Mesmo que o jogo continue ambientado nos Estados Unidos, os avanços gráficos, de física e de inteligência artificial fazem cada GTA parecer totalmente diferente do anterior.
“Ninguém vai deixar de jogar GTA VI porque já jogou Vice City”, comentou. “Isso simplesmente não faz sentido. São experiências completamente diferentes.”
Ou seja, do ponto de vista do estúdio, não é necessário trocar de país para justificar um novo jogo.
A fala mais frustrante para muitos fãs veio no final da entrevista. Vermeij acredita que a franquia está presa a um ciclo de poucas cidades dos Estados Unidos, que devem continuar sendo revisitadas.
Entre as apostas mais prováveis, segundo ele, estão:
“Sinto que estamos presos nesse loop de mais ou menos cinco cidades dos EUA”, disse. “Vamos ter que nos acostumar com isso.”
A simples menção ao Rio de Janeiro já explica por que essa ideia nunca morreu entre os fãs.
A cidade reúne elementos que combinariam perfeitamente com o DNA da franquia:
Não é à toa que artes conceituais e montagens com GTA ambientado no Rio continuam circulando nas redes até hoje.
Na prática, as chances são mínimas. Com a Rockstar focada em projetos gigantescos e espaçados por mais de uma década, arriscar um GTA fora do eixo americano parece cada vez menos provável. A menos que a própria estrutura de desenvolvimento da indústria mude drasticamente, a ideia de um GTA no Rio, em Tóquio ou em qualquer outro país deve continuar sendo apenas isso: uma curiosidade de bastidor.
No fim das contas, o mais curioso dessa história é perceber que não foi falta de criatividade. A Rockstar pensou, discutiu e quase executou a ideia. Mas o peso da realidade falou mais alto. E assim, o GTA no Rio de Janeiro entrou para aquela lista especial de coisas que quase existiram.
E que continuam fazendo os fãs pensar: “e se…?”






