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I-Doser, drogas digitais em formato de áudio que podem simular o efeito do álcool

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Quando o álcool entra no sistema, ocorre um fenômeno bioquímico realmente interessante. O álcool, ou etanol, é absorvido pelo intestino e segue para o sangue, colocando o fígado em alerta. O fígado, por sua vez, é a estação do corpo que trata o álcool até que ele se torne o inofensivo acetato. No entanto, basta apenas uma taça de vinho bem-servida para que esse processo fique sobrecarregado.

Então, o álcool vai parar no cérebro, onde afeta o receptor chamado GABA. Desse modo, os receptores são proteínas que ficam viradas para o lado de fora das células, funcionando como se fossem botões de um painel de controle.

Assim, quando o etanol se conecta com o receptor GABA, ele inibe a atividade dos neurônios. Portanto, você, que bebeu duas taças de vinho, fica relaxado, assim como sem noção. Isso porque as áreas responsáveis por coisas como raciocínio lógico e memória ficam menos ativas.

Além disso, o álcool impede a ação de um neurotransmissor chamado glutamato, que serve para reativar as funções do cérebro.

I-Doser

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Dessa forma, imagine um som que é capaz de causar todo esse processo no organismo sem você tomar uma gota de álcool. Parece ser invenção de filme científico, mas é o que as “drogas digitais” prometem.

Elas são oferecidas na vida real e existem tanto versões genéricas quanto de grife, vendidas por uma empresa chamada I-Doser. Sendo assim, o produto consiste em áudios com 30 a 40 minutos de duração, que chamam de “doses”, num formato de arquivo que só pode ser reproduzido pelo player fornecido pela I-Doser.

Os áudios costumam sair por US$ 8,00 e só funcionam com fones de ouvido, segundo as instruções. Já os títulos sugerem induzir o sono, catalisar experiências espirituais new age (como ayuhuasca) ou simular o efeito de drogas legais e ilegais, como álcool, maconha, LSD, cocaína, MDMA e mais.

O software em si já é baixável de forma gratuita e vem com algumas doses de amostra. No entanto, há uma versão premium com funções extras. Os arquivos do I-Doser usam uma terminação que remete às drogas, .drg.

Assim, o I-Doser foi criado por um artista com passado misterioso conhecido como Nick Ashton em 2005. Porém, voltou à tona na mídia brasileira só em 2022.

Álcool digital

A Revista Piauí se dedicou em rastear esse ressurgimento nos assuntos nacionais e encontrou um usuário do TikTok chamado Jonathan Bastos.

Ele viralizou em fevereiro de 2021 com um post de 55 segundos em que sugeriu que seus seguidores digitassem I-Doser na busca do Youtube para sentir os efeitos prometidos, como o efeito do álcool, de forma gratuita com as versões genéricas desses áudios. Contudo, nem o próprio Jonathan sentiu uma brisa, apenas fazendo alarde para conquistar alguns likes.

Ashton, o criador do I-Doser, é um anônimo. Isso porque não há nenhuma foto ou vídeo dele na internet. Algumas de suas aparições, que são poucas, são uma entrevista rápida no material fornecido pela I-Doser em PDF a jornalistas interessados. Além disso, há uma sessão de perguntas e respostas por escrita no fórum Reddit.

Ashton afirma que a dose original, desenvolvida como piloto do projeto, surtiu efeito em 83% dos usuários. Era um áudio do peiote, um cacto alucinógeno típico da América do Norte. Contudo, o homem não dá nenhuma referência bibliográfica ou comprovação com pesquisas confiáveis.

Acontece que o próprio site informa que “o I-Doser não faz alegações quanto à sua eficácia, e elas [as doses] devem ser usadas apenas para entretenimento”. Então, tudo não passa de um grande talvez, com pessoas defendendo que funciona e outras dizendo que é apenas marketing da geração digital num contexto crescente de metaverso.

Fonte: Superinteressante

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