Indígena de mais de 80 anos aprende a usar computador e cria dicionário para manter seu idioma
Tempo de leitura:2 Minutos, 38 Segundos

Indígena de mais de 80 anos aprende a usar computador e cria dicionário para manter seu idioma

Cada país possui a sua individualidade. Seja essa na cultura, no clima, na geografia e, é claro, no idioma. O idioma, talvez, seja o que mais difere um país do outro, mesmo diversos deles falando o mesmo. O português, por exemplo, não é falado somente aqui no Brasil e em Portugal. Vários outros países falam a nossa língua. Assim como existem vários países e lugares que falam inglês, alemão, espanhol e por aí vai.

Os idiomas têm origem em línguas antigas, o que também está muito ligado a uma questão geográfica e cultural. É por esse mesmo motivo que temos mais facilidade em aprender algumas línguas e mais dificuldades em outras.

No Brasil, por exemplo, muitas pessoas acham que só se fala português. Mas a verdade é que estamos no ranking dos países com a maior variedades de línguas faladas. Isso por causa de todo o contexto histórico brasileiro e pelas diversas comunidades indígenas e de imigrantes no país.

Mas assim como em nosso país, outros lugares também tiveram e têm seus nativos que falavam línguas que, com o tempo, se não forem preservadas acabam morrendo.

Idioma

E preservar um idioma é uma das formas de manter viva toda uma cultura. Porque, quando uma língua morre, junto com ela se vão as palavras, que só existiam naquele universo. E também se vai a forma como aquele povo enxergava o mundo.

A morte de uma língua pode ser lenta e presenciada por seu povo. E era exatamente isso que estava acontecendo com a tribo Wukchumi, da Califórnia, nos Estados Unidos.

Os não nativos começaram a avançar para a região, onde a tribo se estabelecia e começaram sua dominação no território. Antes dessa invasão, a tribo era composta de aproximadamente 50 mil pessoas. Atualmente, ela tem apenas 200 membros vivos.

E percebendo que a cada nova geração de sua tribo, as pessoas iam morrendo cada vez mais, Marie Wilcox foi aprender a usar o computador para que pudesse começar a escrever o primeiro dicionário Wukchumi, e garantir que o seu idioma não morresse com o fim da sua tribo.

Preservação

A maioria dessas pessoas têm o inglês como a sua primeira língua. Entretanto, uma senhora de 81 anos faz o possível para que seu idioma se mantenha vivo.

A senhora, chamada Marie Wilcox, se dedicou a seu projeto, por sete anos. Ela criou um dicionário do idioma. Para isso, ela teve a ajuda de sua filha, Jennifer, e também do seu neto, Donovan.

Atualmente, ela é a única falante nativa do idioma Wukchumi. Além de fazer o seu dicionário, Marie também dá aulas para os jovens da tribo que têm interesse em aprender mais sobre a língua e cultura do seu próprio povo.

“Eu tenho dúvidas sobre minha língua, e sobre quem quer mantê-la viva. Ninguém parece querer aprender. É estranho que eu seja a última… Tudo vai estar perdido algum dia desses, não sei”, explica.

O projeto, feito por Marie Wilcox, é bastante bonito para ficar somente nas palavras. É por isso que um pouco do progresso, conquistado por ela, está registrado em um curta documentário, chamado “Marie’s Dictionary”.