
O mundo todo sofreu com a passagem do El Niño e, por conta disso, muito se falou sobre ele e também sobre La Niña, que são fenômenos responsáveis pelo aquecimento e pelo resfriamento do Oceano Pacífico, respectivamente. Contudo, nos últimos três meses aconteceu uma queda de temperatura nunca vista antes no Atlântico equatorial. Esse novo padrão climático deixou cientistas e meteorologistas perplexos e está sendo chamado de La Niña Atlântica.
O momento em que o La Niña Atlântica surgiu é crítico por ser logo antes da transição para a La Niña no oceano Pacífico. Logo, esses dois fenômenos juntos podem ter impactos climáticos globais, principalmente por conta das oscilações recentes nas temperaturas oceânicas.
Ter o Atlântico se resfriando é um alívio depois de mais de um ano com temperaturas recordes, na terra e também no mar. A causa desse calor extremo foi apontada como sendo as emissões de gases de efeito estufa e à presença de um El Niño no Pacífico, formado em meados de 2023.
De acordo com Pedro DiNezio, da Universidade do Colorado Boulder, finalmente as temperaturas médias dos oceanos do mundo começaram a cair, acabando com 15 meses de recordes. Tanto que, conforme a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), a temperatura média da superfície do mar global foi um pouco mais baixa do que na mesma época do ano passado, em julho desse ano.

Olhar digital
Ano passado foi marcado por condições de Niño no Atlântico, que fez com que as temperaturas da superfície do mar atingissem níveis inéditos em décadas. Contudo, nesses últimos três meses aconteceu um resfriamento acelerado na região, sendo o mais rápido que se registrou desde 1982.
Claro que isso deixou os cientistas e meteorologistas intrigados porque os ventos alísios que normalmente são os impulsionadores desse resfriamento não se intensificaram como era esperado.
E de acordo com Franz Philip Tuchen, da Universidade de Miami, mesmo com várias hipótese tendo sido pensadas, nenhuma delas conseguiu explicar por completo esse fenômeno visto até o momento.

Olhar digital
Para que esse fenômeno seja considerado oficialmente uma La Niña Atlântica, as temperaturas do Atlântico tem que continuar 0,5ºC abaixo da média durante mais um mês.
Assim como os outros mais conhecidos, o La Niña Atlântica também pode impactar muito nos padrões climáticos globais e influenciar a distribuição de umidade e as temperaturas em várias regiões.
Geralmente, a La Niña no Pacífico traz secas para o oeste dos EUA e chuvas intensas no leste da África. Já a La Niña Atlântica diminuiu as chuvas na região do Sahel, na África, e a aumenta em algumas partes do Brasil.
Outra consequência provocada por essas duas La Niñas é na temporada de furacões no Atlântico. A probabilidade é aumentada pela La Niña no Pacífico e enfraquecida pela La Niña Atlântica.
Por mais que seja difícil fazer a previsão de quando esse fenômeno irá acontecer, pode ser que a La Niña Atlântica acabe atrasando o desenvolvimento completo da La Niña no Pacífico, o que irá retardar os efeitos dela de resfriamento no mundo todo.
Fonte: Olhar digital
Imagens: Olhar digital






