Recentemente, o Observatório de Ondas Gravitacionais do Interferômetro a Laser (LIGO) registrou uma explosão desconhecida e inesperada de ondas gravitacionais. Para quem não sabe, os observatórios de ondas gravitacionais da Terra buscam ondulações no tecido do espaço-tempo.

As ondas gravitacionais que, geralmente, são detectadas estão relacionadas a eventos cósmicos extremos. E que eventos seriam esses? Bom, os mais comuns ocorrem quando dois buracos negros colidem ou estrelas de nêutrons se fundem.

Em contrapartida, as ondas gravitacionais que foram registradas pelo observatório levantam a hipótese de que as mesmas podem estar ligadas a fenômenos como supernova ou rajadas de raios gama, produzindo pequenos "estouros" quando detectadas.

Ondas

Publicidade
continue a leitura

Por enquanto, a explosão inesperada foi nomeada como S200114f, sendo detectada por um sistema que ajudou a confirmar a detecção de ondas gravitacionais.

Além disso, os astrônomos conseguiram identificar de onde veio a explosão. Por meio de uma tecnologia avançada, sabe-se que a explosão originou-se de uma estrela gigante vermelha, conhecida como Betelgeuse.

Por meio de análises, descobriu-se que a estrela vermelha Betelgeuse está agindo de forma peculiar. De acordo especialistas, existe a possibilidade da estrela estar se aproximando de uma grande explosão. Ou seja, este fenômeno poderia ter a capacidade de provocar outras explosões de ondas gravitacionais.

De acordo com Andy Howeel, astrônomo do Observatório Las Cumbres, até o momento acredita-se que Betelgeuse está segura.

Publicidade
continue a leitura

Contudo, os detectores de ondas gravitacionais ocasionalmente encontram falsas positivas. Ou seja, a taxa de erro desta detecção em particular é uma a cada 25 anos, o que pode ser considerado alta para um sinal LIGO.

Isto significa que a explosão poderia não ser nada, motivo pelo qual continua a ser analisada.

Nova era da astronomia

Publicidade
continue a leitura

O fenômeno não é novo. Em 2017, cientistas também detectaram ondas gravitacionais no espaço. Na época, foram ocasionadas pelo choque de buracos negros a três bilhões de anos-luz da Terra. Até então, somente dois eventos em que houve distorções haviam sido registrados.

As captações de ondas gravitacionais reforçam a Teoria Geral da Relatividade, que foi prevista por Albert Einstein no início do século 20. Para os cientistas, tais fenômenos leva os estudos sobre o Universo a uma nova era. "O ponto fundamental deste terceiro registro é que estamos saindo do período da novidade para a de uma nova ciência observacional, uma nova astronomia das ondas gravitacionais", disse David Shoemaker, porta-voz da colaboração científica do Ligo (Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro de Laser, na sigla em inglês), nos EUA.

O evento, quando foi gerado, produziu uma quantidade extraordinária de energia. Segundo análises da época, os dois buracos negros tinham massa de 31 vezes e 19 vezes a do Sol. Além disso, quando se chocaram, produziram um objeto de quase 50 vezes a massa solar.

"Esses são os eventos astronômicos mais poderosos testemunhados pelos seres humanos", afirmou Michael Landry, do laboratório do Ligo em Hanford, nos EUA. "Essa energia é liberada num espaço de tempo muito curto, e nada disso produz luz, por isso que você precisa de detectores de ondas gravitacionais." A detecção de ondas gravitacionais foi descrita como uma das mais importantes descobertas da física nas últimas décadas.

Publicado em: 20/01/20 15h01