
Stephen Hawking sugeriu que a área total da superfície de um buraco negro nunca poderia diminuir. Em outras palavras, por mais que esses monstros cósmicos se fundam e liberem energia, a “fronteira” deles só aumenta. Na época, parecia algo difícil demais de comprovar. Afinal, como observar diretamente algo que nem deixa a luz escapar? Pois é. Mas a ciência gosta de testar paciência, e o universo também.
No dia 14 de janeiro de 2025, os observatórios de ondas gravitacionais LIGO e Virgo registraram a fusão de dois buracos negros a 1,3 bilhão de anos-luz da Terra. O evento foi batizado de GW250114. Para os cientistas, foi como se o cosmos tivesse entregado a prova que faltava.
Antes da colisão, a área combinada dos dois buracos negros era de aproximadamente 240 mil km². Depois da fusão, o novo buraco negro resultante atingiu cerca de 400 mil km². Quase o dobro. Exatamente como Hawking previu mais de meio século atrás.
O truque está nas ondas gravitacionais, aquelas ondulações no espaço-tempo previstas por Einstein e detectadas pela primeira vez em 2015. Hoje, os equipamentos do LIGO conseguem medir variações menores que um décimo do tamanho de um próton. Parece impossível, mas é real.
Essas ondas carregam informações sobre massa, rotação e até área dos buracos negros. E foi justamente analisando o sinal da fusão que os pesquisadores confirmaram a chamada “lei da área” de Hawking. Para quem gosta de números: o nível de confiança é de 99,999%. Praticamente incontestável.
Essa confirmação não é só uma vitória para Hawking. Ela é um passo crucial para entender como unir a relatividade geral, que descreve o cosmos em grande escala, com a mecânica quântica, que domina o mundo microscópico. Hawking e Jacob Bekenstein já tinham sugerido, nos anos 70, que a área de um buraco negro se relaciona com a entropia, ou seja, com a quantidade de informação que ele contém.
Na prática, isso significa que estamos cada vez mais perto de resolver um dos maiores quebra-cabeças da ciência: como juntar as leis do muito grande e do muito pequeno em uma teoria única.
Katerina Chatziioannou, professora da Caltech e membro da equipe, explicou em comunicado:
“Podemos ouvir o sinal de forma clara, e isso nos permite testar as leis fundamentais da física”.
Já Kip Thorne, que trabalhou lado a lado com Hawking e é um dos fundadores do LIGO, destacou que o físico britânico teria ficado encantado:
“Se ele estivesse vivo, teria se deliciado ao ver a área dos buracos negros fundidos aumentar”.
Vale lembrar que um teste preliminar dessa teoria já havia sido feito em 2021, mas com dados menos precisos. Agora, a confiança é praticamente absoluta. E isso só foi possível porque os observatórios passaram por uma década de melhorias.
Hoje, o LIGO e seus parceiros conseguem detectar um novo evento de fusão de buracos negros a cada três dias. Desde 2015, já foram observados cerca de 300 eventos. O ritmo acelerado promete uma avalanche de descobertas nos próximos anos.
O avanço abre portas para novas perguntas. Será que a lei da área vale em cenários ainda mais extremos? Como ela se conecta com a busca por uma teoria quântica da gravidade? Os cientistas sabem que o jogo está só começando.
Fonte: Aventuras na História






