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Mitos comuns sobre o corpo humano

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Desde o início da vida, aprendemos sobre o corpo humano e as dicas que as pessoas mais velhas e experientes dão para facilitar nossas vidas. Por exemplo, quando saímos em um dia frio, lembramos de colocar um gorro ou um capuz. Afinal, é pela cabeça que perdemos a maior quantidade de calor. Certo? Talvez não.

A crença antiga de que perdemos mais calor pela cabeça é um mito que existe desde a década de 1970. Um manual de sobrevivência em tempos de guerra fez essa afirmação ao dizer que perdemos de 40 a 45% do nosso calor corporal pela cabeça. Então, de onde que os autores tiraram essa informação?

Mitos sobre o corpo humano

Se prepara, porque muitas crenças populares sobre o corpo humano não passam de mitos. Por exemplo, aprendemos que existem cinco sentidos: tato, olfato, visão, audição e paladar. No entanto, cientistas modernos identificaram mais.

O calor na cabeça

Freepik

A cabeça realmente é o ponto em que perdemos a maior parte do calor corporal? De acordo com a ciência, você não perde uma quantidade desproporcional de calor pela cabeça. Os pediatras Rachel C. Vreeman e Aaaron E. Carrol estudaram esse mito e descobriram que a origem está num manual de sobrevivência da década de 1970.

Assim, o exército estadunidense recomendou, no ano de 1970, o uso de chapéus em tempo frio, porque perdemos 40 a 45% do calor corporal pela cabeça. Acredita-se que esse dado vem de estudos do exército durante a Guerra Fria.

No entanto, de acordo com o especialista em hipotermia, Daniel I. Sessler, o experimento responsável por esse dado consistia em voluntários vestidos com roupas de sobrevivência em ambientes frios. Em seguida, os voluntários foram sujeitos a temperaturas geladas enquanto os cientistas analisaram o funcionamento dos trajes. Portanto, viram que perderam uma quantidade considerável de calor pela cabeça. Contudo, Vreeland e Carroll perceberam que os trajes não incluíram chapéus.

Então, basicamente, como a cabeça era a única parte do corpo do sujeito que estava exposta ao frio, eles perderam a maior parte do calor por essa região, disseram os pesquisadores. Se o mesmo experimento fosse feito com voluntários só com trajes de banho, a cabeça iria representar só 10% da perda de calor.

Dessa forma, em 2006, um estudo com oito participantes colocou as cabeças das pessoas em água fria e chegaram na mesma conclusão. Depois de analisar a temperatura corporal dos participantes, chegaram à conclusão de que a cabeça não contribui relativamente mais para a perde de calor superficial.

Mas isso não significa que chapéus são inúteis, visto que qualquer parte do corpo descoberta irá perder mais calor. Além disso, quando só a cabeça está fria, você tende a não arrepiar, o que produz um efeito que preserva o calor corporal.

Temperatura corporal

Reprodução

Ainda no assunto de temperatura corporal, nos últimos anos, tivemos que ter bastante atenção em relação ao número que aparece na telinha ao entrar nos estabelecimentos ou ser examinado por um médico. Logo, o número que deve aparecer é 37º C, certo? Não!

Especialistas já estão cientes há 25 anos que a temperatura corporal “normal” sendo 37º C é um mito. Esse número tão preciso originou no meio do século 19, quando o médico alemão Carl Wunderlich se dedicou a compreender o corpo humano. Especificamente, ele queria entender a relação entre a temperatura corporal e as doenças.

Assim, em um hospital de Leipzig, onde ele era o dirigente médico, Wunderlich mediu as temperaturas dos pacientes com um termômetro de 30 centímetros embaixo do braço. Depois de coletar mais de um milhão de medidas, ele determinou que o “normal” do corpo humano saudável é 37º C.

Além disso, ele sugeriu que 38º C é o limite que significa a presença de uma doença no organismo. Porém, se você tem uma temperatura de 36,8º C ou 37,5º C, pode ficar tranquilo. Isso porque o médico fez uma aproximação, simplesmente.

Outro pesquisador da Universidade de Maryland, Phillip Mackowiak, estudou a teoria do alemão e percebeu algo interessante. Ao pegar o termômetro usado por Wunderlich, ele viu que a temperatura só poderia ser medida após o instrumento estar no lugar certo por 20 minutos. Ele também acreditou que a axila não é tão uma parte precisa para medir temperatura como a boca ou reto.

Dessa forma, em seu próprio estudo de 700 medições com 148 adultos da universidade, Mackowiak, só 8% das medições deram 37º C.  Vale destacar que um artigo de 2020 sugeriu que o corpo humano pode estar esfriando ao longo dos anos.

Estudando registros da Guerra Civil dos Estados Unidos até 2017, pesquisadores viram uma queda de 0,03º C por década. De acordo com New Scientist, é possível que pessoas modernas tenham menos infecções graças às vacinas e antibióticos. Então, o sistema imune humano está menos ativo e os tecidos, menos inflamados.

Fonte: Mental Floss

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