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No Dia das Crianças, jovens refugiados dizem o que acham do Brasil

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De acordo com dados da ONU para o ano de 2015, já são mais de 60 milhões de refugiados espalhados pelos países de todo o mundo, dos quais 28 milhões são crianças. O número é o maior da história, desde a Segunda Guerra Mundial. Desses refugiados, vários acabam no Brasil. Por aqui, segundo o Comitê Nacional para Refugiados, o número de solicitações para refugiados cresceu cerca de 3.000% de 2010 a 2015.

Grande parte do desafio em construir uma vida em um novo país está em enfrentar barreiras como nova cultura, língua desconhecida e falta de acesso a boas estruturas e novas oportunidades. No caso de crianças refugiadas, a adaptação pode ser ainda mais complicada num novo país.

Para saber como é a vida das crianças que vieram de países como Haiti, Síria, Arábia Saudita e Congo para o Brasil, a BBC foi atrás de refugiados que vivem atualmente na cidade de São Paulo. Ainda que vindos de culturas bem diferentes, todos eles carregam coisas em comum como a mudança na alimentação, o apreço pela liberdade e a diversão nas atividades como futebol.

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Para os irmãos Zaeem, de 11 anos, Assad, de 12 anos, Warda, de 11 anos, e Sheza, de 15 anos, a vida seguia normalmente na Arábia Saudita, até que uma perseguição religiosa forçou a mudança. Depois que o filho mais velho da família cristã, de 18 anos, se envolveu com uma menina muçulmana de apenas 14, eles buscaram fugir do país para evitar a pena de morte. Acabaram no Brasil, único país que ofereceu um visto.

Por aqui, as crianças já reparam algumas diferenças. A menina Warda explica que por lá, só podia jogar futebol escondida dentro de casa e andar na rua em alguns horários. Agora, pode jogar na rua, na hora que quiser e tem a mesma liberdade que antes só era dada para os garotos em sua Terra natal. Como vivem no Brasil há apenas cerca de dois meses, ainda não se acostumaram com a língua. Na escola, falam em inglês e recebem ajuda dos colegas de classe. Quando ficaram sabendo que o feriado era de Dia das Crianças no país, pediram um trabalho para os pais como o maior presente.


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Outra família que veio parar no Brasil foi a de Jessy, de 6 anos e Winner, de 4 anos. As crianças vieram do Congo no porão de um navio e chegaram no Brasil ainda no colo da mãe, escondidas. Aos 34 anos, a mulher teve que fugir do país por causa da perseguição política no país. No processo, acabou deixando outra filha e o marido para trás.

Hoje, a mais velha estuda numa escola pública em São Paulo e já domina a língua portuguesa. Quando perguntados sobre o dia das crianças, querem presentes básicos, como uma boneca para Jessu e um videogame para Winner. Dentre os desejos, porém, Jessy adiciona um outro pedido. Ela quer voltar para o país de origem para poder reencontrar a irmã e a avó que ficaram por lá.

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Também fugindo da guerra, uma família Síria de duas filhas, Ritag Youssef, de 8 anos, e a irmã Rahab, de 11 anos, vieram morar no Brasil. Há quase três anos as crianças moram por aqui e dirigem um quarto em um condomínio com os país. Por lá, aprendem a se adaptar aos costumes brasileiros, mas não deixaram de aprender e praticar elementos da cultura árabe.

Os pais das garotas têm o desejo de voltar para a Síria quando pudera, mas para as crianças, não é bem assim. Ritag explica que viver por aqui é melhor, pois “não tem guerra”.

Em fuga por problemas políticos ou religiosos, famílias tiveram que abandonar suas vidas e construir uma nova história por aqui, dando oportunidades às crianças que, com um olhar singular apresentam novas visões para a nossa realidade, mostrando que até mesmo numa rotina que nos apresenta problemas, ainda já pontos positivos para serem observados, em contraste com outras circunstâncias.

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