Novas pesquisas contradizem documentário da Netflix sobre ancestral humano

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesagosto 15, 2024

Todo mundo sabe que os humanos modernos são uma mistura de diversos outros hominídeos, que viveram antes de nós: os nosso ancestrais. E de acordo com o documentário da Netflix, “Explorando o Desconhecido: Caverna de Ossos”, é apresentado uma criatura como sendo um possível “elo perdido” que mudaria a visão atual a respeito da evolução. Contudo, cientistas desmentiram, mais uma vez, as alegações sobre esse ancestral humano.

A produção da Netflix apresenta o documentário onde “cientistas examinam fósseis de mais de 250 mil anos, que levantam dúvidas sobre a nossa evolução e o que realmente significa ser humano”. Isso por si só já levanta algumas polêmicas.

Por conta disso, especialistas apresentaram estudos que mostram que o Homo naledi, esse ancestral humano que seria o “elo perdido”, não pode mudar a história de uma forma tão radical como a gigante do streaming apresenta.

A polêmica do ancestral humano

O Homo naledi é uma espécie de hominídeo que foi recém-descoberta, tendo sido identificada pela primeira vez em 2015. O que tornaria esse ancestral humano tão interessante é que teoricamente ele teria hábitos que só foram vistos nos neandertais e em Homo sapiens.

Segundo os especialistas liderados pelo paleontólogo Lee Berger, o ponto principal é que esse primata teria enterrado seus entes mortos de forma intencional. Esse comportamento teria acontecido mais de 240 mil anos atrás. Além disso, esse ancestral humano teria também feito decorações nas sepulturas e marcações abstratas, coisas que seriam bem avançadas para um ser que tinha um cérebro pequeno como um chimpanzé.

Se essas afirmações da equipe forem provadas, tudo ficaria ainda mais interessante porque tudo isso teria acontecido bem antes dos 100 mil anos quando esse comportamento foi visto no Homo sapiens. Justamente por conta disso que toda a investigação ganhou um documentário na Netflix.

Contudo, assim como a descoberta e história ganhou uma notoriedade bem rápido. dúvidas e ceticismo também surgiram rapidamente dentre a comunidade acadêmica.

Por conta disso, especialistas fizeram a revisão dos artigos feitos pela equipe de Berger e chegaram à conclusão que as provas eram “incompletas e inadequadas, e não deveriam ser vistas como estudos finalizados”.

No entanto, George Perry, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, que revisou os artigos, também deu os critérios para a descoberta dos fósseis de Homo naledi. Conforme ele, a descoberta foi “inquestionavelmente importante para a paleoantropologia”.

Contradizendo

Olhar digital

Um outro grupo de pesquisadores apresentou provas de que as conclusões que Lee Berger chegou não tem fundamento. Isso porque a teoria do ritual do enterro se baseia em 15 esqueletos de Homo naledi que foram encontrados no fundo da caverna Rising Star, na África do Sul.

Esses restos mortais estavam em um lugar de difícil acesso até mesmo para os espeleólogos, que são especialistas em formação e constituição das cavidades geológicas naturais. Para se ter uma noção, eles demoraram meia hora para chegar até o local onde estavam os restos mortais.

Outro ponto, é que os restos mortais estavam em uma posição aparentemente ordenada. E eles também estavam em uma cova rasa e cobertos com terra. Coisas que reforçavam o pensamento de um funeral.

Contudo, fazendo uma reanálise dos dados geoquímicos e sedimentológicos que os autores originais apresentaram, o novo grupo de especialistas chegou a conclusão de que não existem evidências que uma porção de terra foi deslocada de forma intencional para sepultar aqueles restos mortais.

“Espero que este novo trabalho seja capaz de criar algum ceticismo no público quando se trata de pesquisas arqueológicas”, disse a professora Kimberly Foecke, membro do departamento de antropologia da Universidade George Mason, na Virgínia, nos EUA.

Fonte: Olhar digital

Imagens: YouTube, Olhar digital

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