Novos sinais orgânicos são identificados no segundo mundo mais aquático do Sistema Solar

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesdezembro 9, 2024

O questionamento se há ou não vida fora da Terra paira a humanidade há tempos. Mesmo que não sejam todas as pessoas que acreditem que, de fato, possa existir vida em outros planetas, a ciência e a física vêm mostrando alguns sinais que podem corroborar com essa ideia. Como no caso da descoberta de sinais orgânicos em um objeto no sistema solar.

Os pesquisadores do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), na Espanha, conseguiram identificar evidências de um reservatório interno de compostos orgânicos em Ceres. Ele é o maior objeto do cinturão de asteroides e corpo espacial que tem mais água no nosso sistema solar depois do nosso planeta.

Em seu estudo, os pesquisadores mapearam 11 regiões nesse planeta anão e todas elas dão um reforço para a hipótese de que esses materiais podem ter uma origem endógena. Além disso, isso também pode mostrar que processos biológicos acontecem no interior desse planeta.

Os sinais orgânicos nesse planeta foram identificados em 2017 através da sonda Dawn, da NASA, que tinha a missão de estudar os planetas anões Ceres e Vesta. Ela que fez a detecção dos compostos orgânicos no hemisfério norte de Ceres. Na época em que essa descoberta foi feita, o pensado era que os materiais teriam vindo através de impactos de cometas ou asteroides que eram ricos em carbono.

Descoberta de sinais orgânicos

Olhar digital

Contudo, esse novo estudo veio com a sugestão de que os compostos podem ter sido formados dentro do planeta e ficaram protegidos da radiação em um reservatório subterrâneo.

“Se confirmada, essa descoberta indica que Ceres possui fontes internas de energia capazes de sustentar processos biológicos”, disse Juan Luis Rizos, autor principal do estudo.

Ceres é tido como um planeta oceânico por conta de uma grande presença de água, seja em forma de gelo ou, possivelmente, no estado líquido embaixo da superfície. Por conta disso, Cere é um excelente candidato para as missões futuras, principalmente com relação à exploração dos recursos hídricos para as viagens interplanetárias.

Nesse estudo, os pesquisadores usaram a Análise de Mistura Espectral (SMA) para conseguir analisar a composição química da superfície de Ceres de forma mais precisa. A primeira coisa que eles fizeram foi analisar a cratera Ernutet, fazendo a identificação dos sinais orgânicos. Depois disso, eles aumentaram sua análise para o resto da superfície através de imagens de alta resolução capturadas pela Câmera de Enquadramento 2 (FC2) da sonda Dawn.

Como resultado, eles viram que a maior parte dos novos locais ricos em sinais orgânicos fica perto do equador, que é uma região mais exposta à radiação solar do que a cratera Ernutet. Um motivo que pode explicar os sinais fracos que foram detectados é a exposição prolongada aos ventos solares. Até porque a radiação solar vai degradando de forma gradual as assinaturas espectrais desses compostos.

Com a descoberta, para que ela fosse validada os pesquisadores usaram o espectrômetro VIR da sonda da NASA, que dá uma resolução espectral alta mesmo que com uma precisão espacial menor.

Combinando os dados FC2 e VIR os sinais orgânicos puderam ser confirmados. Isso é um reforço para os resultados de um estudo publicado em setembro na revista Science, onde os pesquisadores italianos descobriram que compostos orgânicos se degradam de forma mais rápida embaixo da radiação do que se imaginava. Isso sugere que grandes quantidades desse material devem estar preservadas embaixo da superfície de Ceres.

Fonte: Olhar digital 

Imagens: Olhar digital 

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