Curiosidades

O caso da “viúva da Mega-Sena”

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Renê Senna, aos 52 anos, ganhou 52 milhões de reais pela Mega-Sena. No entanto, aquele julho de 2005 acabou mudando a vida do lavrador, mas para pior.

Morador de Rio Bonito, Renê vivia com a sua esposa, Adriana Almeida, que mais tarde foi apelidada de “Viúva da Mega-Sena”. Por cerca de dois anos, ele vivia tranquilo com a fortuna e conseguiu realizar os sonhos de anos.

Além disso, Renê tinha uma realidade com várias dificuldades. Por causa da diabetes, o homem teve que amputar parte das duas pernas, o que acabou fazendo ele usar uma cadeira de rodas. Ele também sobreviveu a maior parte da vida com pouco dinheiro, em situação de pobreza.

Quando ganhou os 52 milhões de reais, o lavrador decidiu investir em uma casa que valia 9 milhões de reais, além de criar cavalos e gados. Renê também continuou com hábitos antigos, como frequentar os bares favoritos, e afirmava nunca se mudar da cidade, contratando seguranças para protegê-lo.

De acordo com um comerciante da região, Olívio Ferreira, “Renê era um santo. Tinha gente que se aproveitava disso”. Não eram raras as ocasiões que ele dava dinheiro para desconhecidos, além de ter comprado imóveis para todos os irmãos.

No entanto, aos poucos o sonho se tornava um pesadelo. Enquanto Senna mantinha a vida simples, sua esposa, Adriana, mudou totalmente. A mulher deixou o emprego, começou a usar carros de luxo, fez cirurgias plásticas e usava roupas de grife.

A esposa chegou a pedir para Renê incluir os seus familiares no testamento, o que ele aceitou como prova de amor. Porém, pouco tempo depois, ele descobriu que ela havia sacado uma grande quantidade de dinheiro sem o avisar.

Atordoado e desconfiado da infidelidade de Adriana, Senna decidiu confrontar a esposa e a remover do seu testamento. 

A morte de Renê

Foto: Divulgação

No dia 7 de janeiro de 2007, dois homens em uma moto chegaram ao bar do Penco e atiraram quatro vezes em Renê, que não resistiu e morreu no local. Curiosamente, no dia o lavrador não estava acompanhado dos seus seguranças.

De acordo com a perícia, as balas acertaram o queixo, o olho esquerdo, a nuca e a têmpora esquerda do homem. A primeira teoria da polícia foi de latrocínio, no entanto, os pertences valiosos da vítima não foram levados. Por isso, deu-se início a hipótese de assassinado encomendado.

Após várias acusações dos familiares da vítima, os detetives suspeitaram de Adriana. O fato dela ter passado o Ano Novo com o amante foi um fator decisivo. A principal questão parecia ser que a ‘viúva da Mega-Sena’ queria metade do prêmio e se mostrou disposta a lutar por ele.

Após um mês fugindo da polícia, e duas tentativas de linchamentos, Adriana foi detida pelas autoridades do Rio de Janeiro no dia 29 de janeiro. O inquérito durou até maio do mesmo ano, quando a polícia concluiu que sete pessoas teriam participado do assassinato de Senna.

Os suspeitos eram: o motorista e amante, Robson de Andrade Oliveira; o outro amante de Adriana e autor dos disparos fatais, Anderson Souza; os ex-seguranças de Renê, Marco Antônio Vicente e Ronaldo Amaral; o cúmplice que estava na moto, Ednei Gonçalves Pereira; a professora Janaína Oliveira , a própria Adriana.

Mesmo que a esposa tentasse conseguir um álibi para o dia do assassinado, alguns dos comparsas confessaram a participação de Adriana no crime.

Julgamento da viúva da Mega-Sena

Foto: Divulgação

O julgamento do caso também foi conturbado. Em 2009, dois anos depois do crime, Anderson Silva Souza e Ednei Gonçalves Pereira foram condenados a 18 anos de prisão pela morte de Renê Senna.

Já Adriana trocava de advogados para evitar a prisão enquanto disputava a herança com a única filha do falecido, Renata Senna. Levada ao tribunal em 2011, a esposa de Renê foi absolvida de todas as acusações, o que surpreendeu os parentes da vítima.

Na época, o advogado Sebastião Mendonça, que representava os irmãos de Senna, afirmou que Adriana “tinha interesse na lavratura do testamento, assim como na morte do testador, tanto é que foi condenada pelo Tribunal do Júri de Rio Bonito, tornando-a indigna de ser beneficiária do testamento”.

No entanto, três anos depois, em 2014, o Tribunal de Justiça anulou o julgamento, porque dois jurados haviam tido contato entre si, o que é proibido ao longo do processo.

Por causa disso, um novo julgamento foi realizado em dezembro de 2016 e Adriana foi condenada a 20 anos de prisão. Assim, o testamento que a beneficiava foi anulado. Conforme o jornal Extra, devido ao comportamento exemplar, Almeida está cumprindo pena em regime semiaberto.

Viúva da Mega-Sena terá que dividir prêmio com filha do ganhador assassinado

Foto: Márcio Alves

Em novembro de 2021, depois de 14 anos de disputas nos tribunais, a Justiça determinou que Adriana Ferreira Almeida, terá que dividir a herança com Renata Senna, filha de Renê Senna. A jovem receberá cerca de R$ 43 milhões.

De acordo com a decisão, divulgada pelo Extra, o valor seria depositado para Renata após o recolhimento dos impostos pelo Estado. Essa é a primeira vez que foi registrada uma movimentação na herança de Senna desde o crime.

A defesa de Adriana tentou invalidar o exame de DNA feito por Renata para impedir a filha de receber a herança.

Fonte: Aventuras na História, IstoÉ

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