História

O que o vizinho judeu de Hitler tinha a dizer sobre ele?

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Agora imaginem que coisa mais irônica um judeu sendo vizinho de Hitler? Difícil acreditar, mas Edgar Feuchtwanger viveu ao lado do genocida por 9 anos. Edgar Feuchtwanger já sabia que algo perigoso pairava sobre sua vida e família. Quando Hitler se mudou para a rua em que ele morava, ele tinha apenas 5 anos de idade, mas se lembra exatamente da sua mãe falando de como eles tinham menos leite porque o leiteiro tinha deixado muitas garrafas na cada do futuro líder nazista.

Feuchtwanger cresceu em um bairro rico de Munique e ainda se lembra da primeira vez que viu Hitler caminhando na rua. No começo da década de 30, quando Feuchtwanger tinha apenas 8 anos, ele saiu para um passeio com sua babá. Feuchtwanger viu o líder nazista vestido com um casaco e chapéu, saindo de um edifício, ele diz que Hitler olhou diretamente para ele, mas não sorriu.

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Ele ainda se lembra das pessoas pararem e gritarem a saudação “heil Hitler”. Em resposta a saudação, Hitler levantou o chapéu antes de entrar no carro que o esperava. Naquele momento, Feuchtwanger disse que a figura de Hitler não o assustava, e ele apenas sentia curiosidade em ver Hitler. O alemão, hoje com 92 anos, admite que é estranho lembrar do líder nazista como um vizinho. Ele declara: “Falo sobre como vivi na mesma rua que Hitler como se não fosse grande coisa. É difícil pensar que pessoas que você viu quase diariamente foram responsáveis por virar o mundo de cabeça para baixo.”

Quando Feuchtwanger seguia o caminho para a escola, ele passava em frente ao prédio onde ficava o luxuoso apartamento do líder nazista, na Prinzregentenplatz, e parava com frequência para tentar ver o chanceler. “Hitler vinha a Munique nos finais de semana. Sabíamos que ele estava em casa quando podíamos ver os carros estacionados do lado de fora”.

Ele ainda declara que a chegada de Hitler era marcada pelos pneus cantando. Ele vinha em um comboio de três carros, com um grupo de guarda-costas e um som de botas batendo no chão que podia ser escutado de longe. Assim como as pessoas pararam para saudar Hitler em frente o seu edifício, os alemães paravam em qualquer lugar para saudar o nazista, explica Feuchtwanger: “Toda a coisa nazista estava sendo inculcada em nós na escola”, e acrescenta que os professores faziam as crianças da época desenharem suásticas ou listar os inimigos da Alemanha.

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Na metade da década de 30, algumas famílias de judeus alemães ainda não se sentiam ameaçadas pelo nazismo, mas isso acabou rapidamente. O irmão mais velho do pai de Feuchtwanger, Lion, era um autor de teatro famoso por sua posição contra o nazismo, mas depois de uma viagem, ele nunca mais voltou para a Alemanha.

Os pais de Feuchtwanger achavam que de alguma forma eles poderiam não ser atingidos pelo nazismo. No dia 10 de novembro de 1938, oficiais da Gestapo foram a casa da família logo pela manhã para levar o pai de Feuchtwanger, que diz que: “Eles não o trataram mal. Minha mãe foi muito corajosa”. Pouco tempo depois, a Gestapo voltou com caminhões para levar os livros mais valiosos da grande biblioteca da família, alegando que iam garantir a segurança dos livros.

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Feuchtwanger escreveu a autobiografia “Eu Era Vizinho de Hitler”, e diz que se o ditador soubesse quem ele era, com certeza Hitler o mataria. Isso porque ele estava se referindo a condição de ser judeu, mas também a família que ele pertencia, pois Lion Feuchtwanger era um grande escritor e havia se tornado um inimigo pessoal de Hitler.

Feutchwanger contou a uma entrevista a BBC, que em uma época onde começou a grande onda de violência organizada pelos nazistas contra judeus na Alemanha e partes ocupadas da Áustria, ele não podia mais sair de casa e nem ir para a escola, e passou a conviver apenas com a mãe e familiares próximos. Eles se sentiam impotentes, pelo fato de pensar qe alguém poderia os matar e ninguém faria nada. A família esperou por notícias de Ludwing durante seis semanas, e tudo o que sabiam é que ele tinha sido levado com um dos tios de Feuchtwanger para o campo de Dachau, perto de Munique.

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Um belo e feliz dia, o pai de Feuchtwanger foi liberado e chegou em casa exausto e doente, o que fez sua família tomar a decisão de deixar a Alemanha e, com ajuda de familiares que já estavam fora do pais, todos conseguiram os vistos para ir para a Grã-Bretanha. A família nunca voltou para a Alemanha, exceto Feuchtwanger que visitou Munique na década de 50. Ele estudou em Cambridge e deu aulas na Universidade de Southampton, além de publicar vários livros de histórias e biografias, além de se casar com uma britânica e ter três filhos.

E aí amigos, já conheciam a história do vizinho judeu de Hitler? Comentem!

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