
Você acredita que um peixe que vive a mais de 3.000 metros de profundidade pode ser considerado fofo? Pois é exatamente isso que pesquisadores do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI) descobriram recentemente. Eles identificaram três novas espécies de peixe-caracol (snailfish), e o mais encantador dos três é o bumpy snailfish, um peixinho rosado, com cabeça arredondada e olhos grandes, que chamou atenção de quem viu suas primeiras imagens.
As três espécies recém-descobertas foram encontradas no Oceano Pacífico, na costa da Califórnia. O bumpy snailfish (Careproctus colliculi) tem cor rosada e textura com pequenas protuberâncias na pele, daí o nome “bumpy”. Já o dark snailfish (Careproctus yanceyi) é totalmente preto e com boca horizontal. O terceiro, chamado sleek snailfish (Paraliparis em), tem corpo longo, achatado e não possui a ventosa abdominal típica da família.
O bumpy snailfish foi capturado por um veículo operado remotamente (ROV) durante uma expedição no cânion de Monterey, a mais de 3 200 metros de profundidade. Pesando pouco e com menos de 10 centímetros, esse peixe chamou a atenção por sua aparência marcante. Após coleta e análise, incluindo imagens detalhadas, morfologia e testes genéticos, ficou confirmado que se tratava de uma espécie completamente nova. Os outros dois foram identificados pela mesma equipe em mergulho realizado com o submersível Alvin, a mais de 4.100 metros de profundidade.
O bumpy snailfish se destacou não só pelos traços físicos, rosado, de aparência macia e olhos grandes, mas também como um lembrete de que os oceanos ainda guardam muitos segredos. Apesar de viverem em locais inóspitos, esses peixes têm corpo frágil, com grande cabeça e cauda estreita, características clássicas dos liparídeos. Alguns ainda contam com uma ventosa no ventre, usada para se fixar em rochas ou animais.
Além da fofura, essa descoberta reforça o quanto a biodiversidade marinha continua misteriosa. A cada mergulho, a ciência descobre mais formas de vida adaptadas ao extremo da pressão, escuridão e frio. Esses peixinhos mostram que, mesmo longe da superfície, a vida encontra maneiras surpreendentes de existir e ainda nos impressionar.
Os snailfish habitam lugares extremos, desde piscinas de maré até as regiões mais profundas dos oceanos. Mesmo ali, eles dependem do ambiente e muitos sentem o mundo com as nadadeiras peitorais. Também é curioso notar que, a essas profundidades, a cor perde importância, mas a forma e função continuam fundamentais. Imagine só, um peixe que “sabe” o mundo com as nadadeiras.
Fonte: Aventuras na Historia






