
O que antes chamávamos de DNA “lixo”, agora se revela peça-chave no desenvolvimento humano.
Fragmentos genéticos derivados de vírus antigos (elementos transponíveis – TEs), ou popularmente conhecidos como ‘genes saltadores’, somam-se 8% do genoma humano, de acordo com pesquisadores.
Historicamente, esses trechos eram considerados sem função, mas, na verdade, podem desempenhar papéis essenciais logo no início da nossa formação biológica.

(Image Credit: Natali_Mis)
Além disso, equipes internacionais estão aprofundando esse conhecimento. Um exemplo marcante foca na família MER11: TEs que teriam entrado na linguagem dos primatas há pelo menos 40 milhões de anos.
De acordo com a CNN, o Dr.Fumitaka Inoue professor de genômica funcional disse:
Nosso genoma foi sequenciado há muito tempo, mas a função de muitas de suas partes permanece desconhecida… espera-se que sua importância se torne mais clara à medida que a pesquisa avança…

Dr. Fumitaka Inoue
A pesquisa, publicada na Science Advances, revela que a subfamília mais jovem, MER11, possui sequências capazes de ativar genes em células-tronco e neurais em estágio inicial. Eles funcionam como verdadeiros interruptores genéticos que podem regular o desenvolvimento primário.
Isso nos capacitará com ferramentas para entender a biologia humana, as doenças genéticas humanas e a evolução humana. – disse o Dr, Lin He
Ademais, em um panorama mais amplo, as novas tecnologias como o CRISPR têm permitido aos cientistas estudar em detalhe o impacto dos TEs na estrutura da cromatina, o complexo de DNA e proteína, e sua influência sobre a ativação gênica logo após a fertilização.
O estudioso Hoffman, explica que levar essas sequências em consideração é imprescindível para sabermos por que “os humanos desenvolvem doenças que certos animais não desenvolvem”.
Em conclusão, o chamado “DNA lixo” deixa de ser visto como sobra evolutiva e passa a ser um mecanismo de regulação genética herdado de vírus ancestrais.
Enfim, essa reinterpretação abre caminhos para novas abordagens médicas e biotecnológicas capazes de prevenir, diagnosticar e tratar doenças.
… a evolução não desperdiça nada, ela recicla e reinventa. – Maria Elena, geneticista.
Fonte: CNN





