Representação artística do Elias 2 24 b, planeta mais jovem já encontrado e ainda em processo de formação. Foto: Reprodução.

Astrônomos confirmam planeta mais jovem já encontrado, com menos de 1 milhão de anos

Astrônomos confirmaram a existência de um planeta com menos de 1 milhão de anos, tornando o Elias 2 24 b o planeta mais jovem já encontrado. O corpo celeste ainda está em processo de formação e permanece envolto pelo disco de gás e poeira que circunda sua estrela.

Representação artística do Elias 2 24 b, planeta mais jovem já encontrado e ainda em processo de formação. Foto: Reprodução.

Representação artística do Elias 2 24 b, planeta mais jovem já encontrado e ainda em processo de formação. Foto: Reprodução.

A descoberta aconteceu a cerca de 450 anos luz da Terra e pode ajudar os cientistas a entender melhor como planetas gigantes conseguem surgir em períodos relativamente curtos. O estudo que confirmou o objeto foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters em setembro de 2026.

Um planeta ainda em formação

O Elias 2 24 b orbita uma estrela jovem chamada Elias 2 24. Ao redor dela existe um grande disco formado por gás e poeira, material que serve como matéria prima para a formação de novos planetas.

Nesse ambiente, os pesquisadores identificaram uma grande lacuna no disco. Esse tipo de estrutura pode surgir quando um planeta acumula material ao redor de sua órbita e abre espaço no disco.

Além disso, os astrônomos encontraram um ponto de luz dentro dessa região. No início, porém, eles não tinham certeza se observavam realmente um planeta. O sinal também poderia indicar uma estrela distante ou até mesmo uma falha nas imagens.

Telescópios ajudaram a confirmar a descoberta

A confirmação exigiu a combinação de observações realizadas em diferentes momentos.

O telescópio ALMA, instalado no Chile, já havia identificado a lacuna no disco de Elias 2 24 há cerca de uma década. Depois, o Very Large Telescope, conhecido como VLT, detectou um ponto de luz dentro dessa região.

Para avançar na investigação, a equipe liderada por Andrea Bernardi, doutoranda da Universidade Diego Portales, no Chile, consultou dados arquivados do Observatório Keck, no Havaí.

Os pesquisadores encontraram o mesmo objeto em observações realizadas em 2018 e 2020. Ao comparar essas imagens, conseguiram acompanhar o movimento do ponto de luz.

Dessa forma, a equipe concluiu que o objeto apresentava um comportamento compatível com o de um planeta em órbita, e não com uma estrela distante ou um defeito de imagem.

Um gigante que surgiu rapidamente

O Elias 2 24 b também surpreendeu os pesquisadores por causa de sua idade e tamanho.

Segundo a Forbes, o planeta possui aproximadamente a mesma massa de Júpiter e conseguiu se formar em menos de um quinto do tempo que os modelos estimam para um planeta gigante semelhante. Em média, um corpo com essa massa levaria cerca de 5 milhões de anos para se formar.

Isso cria uma questão importante para a astronomia: como um planeta tão grande conseguiu acumular matéria em tão pouco tempo?

Por isso, a descoberta pode ajudar os cientistas a revisar modelos utilizados para explicar a formação de planetas gigantes.

Uma janela para o nascimento dos planetas

Normalmente, os astrônomos estudam planetas que já passaram por grande parte de seu processo de formação. Encontrar um mundo ainda tão jovem oferece, portanto, uma oportunidade rara de observar uma etapa que costuma permanecer escondida.

O Elias 2 24 b ainda está dentro de seu ambiente natal, cercado por gás e poeira. Consequentemente, os pesquisadores podem estudar não apenas o planeta, mas também o material ao redor dele.

Essa característica torna o objeto especialmente importante para compreender como sistemas planetários evoluem durante seus primeiros estágios.

O telescópio Roman pode encontrar outros planetas jovens

A descoberta também destaca o potencial do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA.

O observatório foi lançado em 30 de agosto de 2026 e conta com um coronógrafo mais avançado, capaz de bloquear parte da luz das estrelas para facilitar a observação de objetos mais fracos próximos a elas.

Com essa tecnologia, os astrônomos esperam encontrar planetas que atualmente são difíceis de observar por causa do intenso brilho de suas estrelas hospedeiras.

Além disso, o Roman poderá investigar planetas em órbitas menores e procurar mundos semelhantes a Júpiter que permanecem escondidos pelo brilho das estrelas.

Descoberta pode mudar os modelos de formação planetária

A existência do Elias 2 24 b em uma idade tão baixa representa um desafio para os modelos atuais.

Antes dessa descoberta, os planetas considerados os mais jovens conhecidos tinham mais de 5 milhões de anos. Agora, os pesquisadores têm um exemplo muito mais recente para estudar.

Por isso, o novo planeta pode ajudar a responder uma das principais perguntas da astronomia: quanto tempo realmente é necessário para um planeta gigante nascer?

Os cientistas ainda precisam realizar novas observações para compreender completamente o Elias 2 24 b. Mesmo assim, a confirmação já oferece uma oportunidade única de acompanhar, praticamente em tempo real, uma etapa inicial da formação de um mundo distante.

Fonte: Forbes

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