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Por que não existe vacina para o vírus HIV?

POR Jesus Galvão    EM Ciência e Tecnologia      04/12/18 às 16h17

No mundo, cerca de 37 milhões de pessoas convivem com o vírus da Imunodeficiência Humana, o HIV. Muitos países oferecem tratamento para a prevenção e para as pessoas que já convivem com vírus. Entretanto, não existe nenhuma vacina para isso. O objetivo de uma vacina é oferecer ao nosso organismo as "armas" certas para derrotar o vírus.

O vírus do HIV é extremamente ágil no que tange à sua mutação, podendo se alterar a ponto de se tornar irreconhecível. E por isso, muitos dos esforços para se produzir uma vacina acabaram sendo limitados. O "Teste de RV do HIV" é o exemplo mais famoso disso. Apesar de ter apresentado uma redução de 31,2 de infecção pelo vírus, a vacina foi considerada apenas moderadamente eficaz.

As vacinas e testes

"O RV144 não foi um sucesso de saúde pública, mas foi muito importante para o esforço científico. Análises imunológicas após os testes revelaram sinais correlacionados com proteção ou falta de proteção, que lançaram as bases para o desenvolvimento de abordagens melhoradas. Juntamente com novas descobertas científicas, o pipeline hoje é mais diversificado e robusto, aumentando as chances de sucesso para alcançar vacinas eficazes e intervenções imunológicas relacionadas para parar a infecção pelo HIV e a AIDS", informou Jill Gilmour, diretora executiva de Imunologia Humana da Iniciativa Internacional de Vacinas contra a AIDS.

Apesar das dificuldades, bons resultados também foram alcançados em muitas das pesquisas. No início deste ano foi anunciado a primeira fase de um teste humano de uma vacina já marcada para 2019. Tal vacina visa impedir a ação do HIV e impedi-lo de infectar novas células. Foram testadas cerca de 208 cepas de HIV e a vacina foi eficaz em 31% delas. Em 2019, os cientistas buscam compreender os riscos e as limitações de segurança da medicação, bem como seus efeitos colaterais.

A vacina que será testada no próximo ano já se mostrou muito eficaz em testes conduzidos em diversas espécies de animais, e os cientistas estão otimistas quanto a seus resultados em humanos. Testes clínicos de uma outra vacina foram recentemente anunciados e a sua abordagem foi relatada na Science Advances.

Segundo os pesquisadores, "anticorpos amplamente neutralizantes" se envolverão ao vírus impedindo que ele infecte outras células. Este sera o primeiro teste do seu tipo. "O desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o HIV tem sido um desafio à luz da natureza do vírus e sua interação com o sistema imunológico humano; ninguém jamais se recuperou naturalmente de uma infecção pelo HIV, e não há correlatos que sinalizem que as respostas imunológicas sejam necessárias para bloquear ou eliminar o HIV", explicou Gilmour.

"Uma vacina contra o HIV continua sendo uma ferramenta essencial para deter a disseminação do HIV e acabar com a AIDS. O número de novas infecções pelo HIV quase não diminuiu nos últimos 5 anos e poderá aumentar se os esforços de prevenção não forem ampliados substancialmente", completou.

Tratamentos e eficacia

Muitos tratamentos se mostraram muito eficazes em inativar a ação do vírus. Se seguidos corretamente, eles podem tornar a carga viral de um indivíduo indetectável. O que significa que a transmissão do vírus para outra pessoa seja praticamente impossível. Entretanto, o vírus permanece dentro das células da pessoa.

Devido aos tratamentos, as pessoas hoje conseguem viver uma vida de muito mais qualidade, assim como quaisquer outras pessoas que não convivem com o vírus. E com soluções como a PrEP (profilaxia pré-exposição) sendo disseminadas, entre outras abordagens, isso tem ajudado significativamente na redução da disseminação do vírus.

"Novas tecnologias de prevenção - como a PrEP e o autoteste de HIV - têm o potencial de ajudar a reduzir as transmissões do HIV para fora dos grupos em que já vemos isso acontecer. Barreiras como estigma e falta de percepção de risco têm que ser resolvidas para que isso seja bem-sucedido", disse Charles Witzel, pesquisador da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Além do vírus, as pessoas que convivem com o HIV precisam enfrentar muitas vezes outros inimigos. A falta de campanhas públicas e a 'estigmatização' da doença, nos caso da AIDS, por políticos e líderes religiosos, certamente contribuem para a disseminação do preconceito e da ignorância sobre as questões que envolvem o HIV e a AIDS. O mesmo vale para as pessoas que saem divulgando curas milagrosas ou que até mesmo falam que o vírus ou a doença não existem.

Grupos minoritários são bastante afetados pelo HIV devido às barreiras sociais. Estigma, pobreza, falta de educação de qualidade, acesso aos cuidados de saúde, racismo e homofobia são alguns dos principais fatores que muitas vezes impedem os indivíduos de conseguirem a ajuda da qual necessitam. Muitos de nós não poderão encontrar a cura para o vírus, mas lutar contra a ignorância e o preconceito é algo acessível para todos.

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Jesus Galvão
Goiano, Canceriano e Publicitário.
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