
No fim do século XIX, brinquedos eram coisa séria, e geralmente caros. Enquanto as bonecas de porcelana dominavam, uma alemã chamada Margarete Steiff começou a costurar animais de feltro. Primeiro vieram elefantes, depois macacos, leões e papagaios. Mas foi o urso que roubou a cena.
A ideia inicial nem era brinquedo: eram alfineteiros em formato de animais. Só que, quando passaram a ser vendidos como opção mais barata e resistente às bonecas tradicionais, o sucesso foi imediato. Em 1890, a empresa Steiff já vendia milhares de pelúcias por ano, dentro e fora da Alemanha.
Apesar disso, o urso ainda não era o queridinho das crianças. Isso só mudou em 1902, durante uma caçada do presidente americano Theodore Roosevelt no Mississippi. Sem encontrar nenhum animal, sua equipe teria amarrado um urso ferido para que ele pudesse abatê-lo. Roosevelt recusou e a história correu o país.
O Washington Post publicou charges ironizando o episódio. Em uma delas, o urso aparecia como um filhote de aparência dócil. Foi o bastante para inspirar o comerciante Morris Michtom, de Nova York, a criar o “Teddy’s Bear”, em homenagem ao apelido do presidente. Nascia o termo teddy bear, que conhecemos até hoje.
Roosevelt detestava a brincadeira, mas não teve escolha: o ursinho virou mascote da sua campanha de reeleição. A partir daí, os peludos ganharam o mundo. Quando a Steiff exportou seus ursos para os EUA, acabou adotando o nome teddy bear também. Em 1907, a empresa já vendia mais de 1 milhão de unidades por ano.
Nem todo mundo ficou feliz. Parte da sociedade americana criticou o brinquedo, alegando que ele afastaria as meninas das bonecas tradicionais e, por consequência, da ideia de formar famílias. Mas, claro, essa visão não pegou. O ursinho de pelúcia já tinha conquistado as crianças e não largaria mais esse posto.
O sucesso atravessou décadas. Nos anos 1920, inspirou os livros do Ursinho Pooh. Em 1957, ganhou até música de Elvis Presley. E no cinema, virou protagonista em animações e até em comédias nada infantis (sim, estamos falando de “Ted”).
O urso de pelúcia deixou de ser só um brinquedo. Virou símbolo de conforto, presente romântico, objeto de coleção e até personagem de histórias que marcaram a infância de milhões.
Curioso pensar que tudo começou com um alfineteiro de feltro. De um improviso de costureira ao episódio improvável de um presidente, o ursinho de pelúcia atravessou gerações como o bicho de pelúcia mais famoso do mundo. E cá entre nós: é difícil imaginar um quarto infantil sem ele.
Fonte: Abril





