As palavras da natureza estão sumindo dos livros

Quando até as palavras começam a desaparecer

Você já reparou que palavras como “fauna”, “bosque” ou “pântano” aparecem cada vez menos nos livros modernos? Pois é, isso não é coincidência. Um estudo recente analisou obras publicadas nos últimos 125 anos e descobriu que o vocabulário ligado à natureza está sumindo da literatura.

A pesquisa literária

Os pesquisadores fizeram uma varredura em milhares de textos publicados ao longo de mais de um século. A conclusão foi clara: conforme a humanidade foi se urbanizando, as referências à natureza foram desaparecendo das páginas. Menos pássaros, menos árvores, menos rios descritos em detalhes. Mais prédios, mais máquinas, mais tecnologia.

E essa tendência não é apenas literária. Ela reflete a própria desconexão entre humanos e natureza. Afinal, passamos mais tempo em ambientes urbanos e digitais do que em florestas, campos ou praias. E isso se traduz na forma como escrevemos e falamos.

Da floresta ao concreto

Para se ter ideia, enquanto o vocabulário natural desaparece, termos relacionados à tecnologia crescem exponencialmente nos textos. Palavras como “internet”, “aplicativo” e “rede social” tomaram o espaço que antes era ocupado por descrições de plantas, animais e paisagens.

Esse movimento também dialoga com a realidade: só em 2024, segundo o MapBiomas, sete árvores foram derrubadas a cada segundo na Amazônia. É como se a natureza estivesse sumindo tanto do mundo físico quanto do mundo das palavras.

Palavras não são apenas símbolos. Elas moldam a forma como pensamos e percebemos a realidade. Se deixamos de nomear a natureza, corremos o risco de esquecer sua importância. Como proteger algo que não conseguimos mais descrever?

Um exemplo prático

Nos anos 2000, um dicionário infantil britânico retirou termos como “acácia”, “margarida” e “ouriço” para dar espaço a palavras modernas como “banda larga” e “chat”. O episódio gerou debate: será que estamos trocando a riqueza da natureza pela pressa da tecnologia?

Resgatando o vocabulário perdido

Autores, poetas e ambientalistas defendem que precisamos recolocar a natureza nas palavras. Não apenas como tema ecológico, mas como parte do cotidiano. Afinal, a linguagem é também uma forma de preservar a memória do que está desaparecendo.

Fonte: Abril

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