“Se fosse no Nordeste”: definitivamente não é o momento de fazer comparações com o RS

Durante esta semana, em meio às muitas notícias sobre a tragédia das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, as pessoas ainda tiveram que lidar com comparações na internet.

Muitos usuários acreditam que essas opiniões têm alguma validade. No entanto, é pertinente questionar se este é o momento apropriado para certas reflexões.

Muitas pessoas comentaram que, se as enchentes tivessem ocorrido no Nordeste, o tratamento midiático seria diferente, e há uma certa verdade nisso.

Enquanto isso, outros apontaram que as regiões Norte e Nordeste não receberiam nem metade da atenção da mídia, o que é provavelmente verdadeiro.

Via Metrópoles

Entretanto, levantar questões sobre racismo e xenofobia enquanto vidas estão sendo perdidas é de extremo mau gosto e até desumano.

O Rio Grande do Sul é o segundo estado mais branco do Brasil, mas também abriga a maior concentração de terreiros religiosos.

Surpreendentemente, houve até quem tentasse atribuir a culpa do desastre aos terreiros, usando termos pejorativos como “macumba”.

Você sabia que, segundo um estudo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul em 2022, quase 20% da população do estado é negra? E que 30% dessas pessoas estão entre as mais pobres? Além disso, a taxa de extrema pobreza é quase o dobro entre pretos e pardos.

Considerando que as pessoas mais pobres são frequentemente as mais afetadas por desastres naturais, não é razoável supor que não haja negros e negras precisando de assistência?

Comparações na internet

As comparações na internet existem e sempre vão existir. As pessoas discordam e debatem, e isso faz parte da democracia.

No entanto, não podemos ignorar o fato de que há pessoas morrendo, pessoas sem abrigo, sem água, sem saneamento básico e privadas de outras necessidades essenciais à vida.

Não podemos cair na armadilha da generalização neste momento. Isso não é uma discussão de redes sociais ou um simples papo de bar.

Estamos lidando com vidas em risco, e a vida das pessoas tem valor, o que é o bastante para evitar comparações na internet.

E isso vale também para posicionamentos políticos, divergências de ideias e opiniões sobre como seria melhor lidar com essa situação.

Precisa ter cuidado

Via CNN

É importante lembrar que a escassez intensifica os preconceitos. Há mulheres sofrendo abuso sexual nos abrigos, outras mulheres buscando construir abrigos exclusivos para mulheres e crianças, e há pessoas sendo alvejadas pela polícia ao tentar entrar em mercados inundados em busca de comida.

Existem diversas situações ocorrendo neste cenário catastrófico que só serão agravadas pelo possível descaso.

Por isso, se você puder ajudar, procure alternativas para fazer isso para a região, evitando as comparações na internet por enquanto.

Neste momento, roupas, alimentos, água, dinheiro – tudo é bem-vindo. Depois, será possível lidar com questões, perguntas e opiniões nos meios sociais, quando todos estiverem seguros.

E para quem deseja responsabilizar alguém, vale focar nos parlamentares que cortam gastos com meio ambiente e pesquisa climática.

É importante investigar por que alguns políticos ignoram relatórios sobre medidas preventivas para desastres climáticos. E, especialmente online, apoiar quem está envolvido no auxílio às vítimas da tragédia no Sul.

O momento atual exige esforços para salvar vidas, especialmente porque, com a destruição do meio ambiente avançando, ninguém está imune a enfrentar situações semelhantes no futuro.

A expectativa é que as mudanças climáticas fiquem ainda piores, e, com isso, mais chances das cidades sofrerem o que o Rio Grande do Sul está sofrendo. Por isso, valores como empatia, respeito e solidariedade se tornarão ainda mais importantes.

A internet tem o poder de ajudar, mas também de prejudicar. Por isso, vale encontrar equilíbrio entre liberdade de expressão e resiliência.

 

Fonte: Terra

Imagens: CNN, Metrópoles

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