Submarino USS Herring é identificado no fundo do Pacífico, revelando detalhes sobre seu naufrágio na Segunda Guerra Mundial. - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial.

Submarino alemão da Segunda Guerra é identificado após 82 anos no fundo do mar, perto da Inglaterra

Mergulhadores identificaram os destroços de um submarino alemão da Segunda Guerra Mundial que permaneceu desaparecido por mais de oito décadas no fundo do Canal da Mancha. A embarcação é o U-672, um submarino do tipo VIIC que afundou em julho de 1944, após um ataque da Marinha Real britânica. O naufrágio fica a aproximadamente 32 quilômetros da costa de Salcombe, no condado de Devon, na Inglaterra, a cerca de 70 metros de profundidade.

Submarino USS Herring é identificado no fundo do Pacífico, revelando detalhes sobre seu naufrágio na Segunda Guerra Mundial. - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial.

Submarino USS Herring é identificado no fundo do Pacífico, revelando detalhes sobre seu naufrágio na Segunda Guerra Mundial. – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial.

A equipe de mergulho Gasperados confirmou a identidade da embarcação com a ajuda do historiador naval alemão Axel Niestlé, especialista em submarinos da época. A descoberta resolveu um mistério histórico, já que os registros militares indicavam uma localização incorreta para o naufrágio, dificultando sua identificação por décadas.

Submarino foi atacado pela Marinha britânica em 1944

O U-672 fazia parte da frota de submarinos alemães utilizada durante a Segunda Guerra Mundial. Em 18 de julho de 1944, a embarcação sofreu um ataque do navio britânico HMS Balfour, que utilizou armas antissubmarino conhecidas como Hedgehog.

Esses armamentos lançavam pequenas cargas explosivas à frente do navio atacante. Quando atingiam o alvo, as explosões podiam danificar o casco e provocar infiltrações de água. No caso do U-672, os danos comprometeram a capacidade da tripulação de manter o submarino em operação.

Diante da situação, o comandante Ulf Lawaetz esperou até a noite para levar a embarcação à superfície. Em seguida, os 52 tripulantes abandonaram o submarino em botes salva-vidas. Todos sobreviveram e receberam resgate das forças aliadas no dia seguinte.

Assim, embora o ataque tenha levado à perda da embarcação, a tripulação conseguiu escapar. Os sobreviventes acabaram capturados e enviados para um campo de prisioneiros de guerra.

Erro nos registros atrasou a identificação do naufrágio

Durante décadas, a localização registrada para o U-672 não correspondia ao ponto real onde a embarcação repousava. Segundo o historiador Axel Niestlé, um erro administrativo nos documentos militares deslocou as coordenadas em aproximadamente 74 quilômetros.

Por causa dessa divergência, pesquisadores tiveram dificuldades para relacionar os destroços ao submarino desaparecido. Além disso, mergulhadores chegaram a considerar que o local poderia abrigar um navio à vela norte-americano da Primeira Guerra Mundial.

Em julho de 2026, uma equipe liderada por Ian Taylor, do grupo Skin Deeper, mergulhou no local e percebeu que os destroços pertenciam a um submarino. No mês seguinte, a equipe Gasperados organizou uma nova expedição para determinar a identidade da embarcação.

A primeira tentativa não teve sucesso. Entretanto, na segunda investida, os mergulhadores conseguiram examinar características suficientes para avançar na investigação e confirmar a identificação com o apoio de Niestlé.

Detalhes da estrutura ajudaram a confirmar a identidade

A equipe analisou diferentes elementos do submarino para compará-los com os registros históricos. Entre as pistas mais importantes estava um sistema antigo de Schnorchel, dispositivo que permitia aos submarinos operar seus motores a diesel e recarregar as baterias sem precisar emergir completamente.

Os mergulhadores também observaram características da torre de comando, da estrutura externa e dos equipamentos remanescentes. Além disso, encontraram componentes associados ao sistema alemão de contramedidas de radar conhecido como Aphrodite.

Esses dispositivos utilizavam balões com materiais capazes de refletir sinais de radar, confundindo os sistemas de detecção inimigos. Portanto, os vestígios encontrados ajudaram a equipe a comparar o naufrágio com os equipamentos utilizados pelo U-672.

A combinação dessas evidências permitiu distinguir o submarino de outras embarcações perdidas na região durante o conflito.

Mergulho exigiu preparação e controle de descompressão

O naufrágio repousa a aproximadamente 70 metros de profundidade, condição que exige treinamento técnico e equipamentos especializados. Por causa da pressão elevada, os mergulhadores precisam limitar o tempo no fundo e realizar etapas de descompressão durante a subida.

Dom Robinson, integrante da equipe Gasperados, relatou que os mergulhadores passaram cerca de 25 minutos junto aos destroços. No entanto, toda a operação durou aproximadamente três horas, considerando os procedimentos necessários para realizar o mergulho com segurança.

A profundidade também dificultou a investigação visual. Por isso, a equipe precisou procurar detalhes específicos da estrutura e registrar imagens que permitissem a comparação posterior com documentos históricos.

Mesmo com essas limitações, os registros obtidos forneceram evidências importantes para resolver o caso.

Descoberta recupera parte da história da Segunda Guerra

A identificação do U-672 também ajuda a esclarecer o destino de uma embarcação que desapareceu durante uma das fases mais intensas da guerra no mar. O submarino afundou poucas semanas depois do desembarque aliado na Normandia, em junho de 1944, período em que as forças navais alemãs e aliadas disputavam o controle das rotas marítimas.

Embora o submarino tenha permanecido no fundo do mar por 82 anos, a história de sua tripulação sobreviveu graças aos registros militares e aos relatos dos sobreviventes. Agora, a identificação dos destroços acrescenta evidências físicas à documentação histórica.

Além disso, a descoberta pode ajudar pesquisadores a localizar outras embarcações desaparecidas. Ao comparar coordenadas, características estruturais e registros de combate, especialistas conseguem corrigir informações antigas e direcionar futuras buscas.

O caso também destaca a importância dos grupos independentes de mergulho técnico na investigação de naufrágios históricos. Mesmo quando os destroços permanecem conhecidos por décadas, uma análise mais detalhada pode revelar a identidade de embarcações consideradas perdidas.

Por fim, o U-672 representa mais do que um vestígio militar no fundo do Canal da Mancha. Seus destroços ajudam a reconstruir um episódio da Segunda Guerra Mundial e preservam a memória dos 52 tripulantes que sobreviveram ao ataque de 1944.

Fonte: NewYorkPost

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