
As placas tectônicas do nosso planeta são grandes blocos rochosos semirrígidos que compõem a crosta terrestre. A maior parte das pessoas pensa que elas sempre existiram, mas um estudo publicado na revista Nature sugere que a Terra pode ter ficado muito tempo sem placas tectônicas.
Essa conclusão se deve ao fato de a crosta do nosso planeta atualmente ter uma composição química bem parecida com a da protocrosta, que é a primeira camada sólida que se formou no nosso planeta. Foi essa semelhança que surpreendeu os cientistas por eles acreditarem que algumas características só apareceram com o movimento das placas tectônicas.
O novo estudo sugere que as assinaturas químicas podem ter sido formadas antes das placas tectônicas aparecerem. Esse fato muda a compreensão a respeito de quando a Terra começou a se dividir nessas placas que colidem e formam montanhas e provocam terremotos.

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Antes do estudo, o pensado era que as marcas químicas nas rochas eram evidências de que a Terra já tinha placas tectônicas aproximadamente quatro bilhões de anos atrás. No entanto, Craig O’Neill, geofísico autor do estudo, pontuou que tal pensamento pode estar errado explicando que o comportamento do nosso planeta mudou bastante com o passar do tempo, e não é certo assumir que a Terra sempre funcionou como hoje.
Quando a Terra era jovem, o magma era mais rico em ferro, o que interferia na maneira como determinados elementos químicos, como o nióbio e o titânio, se organizavam nas rochas. Eles são usados para poder identificar se uma rocha passou por subducção, mas o comportamento deles depende das condições a sua volta. Justamente por isso que a química vista na protocrosta pode ser resultado somente do resfriamento da Terra, sem precisar de placas tectônicas.
Através de simulações, os cientistas fizeram testes para ver como os elementos se comportariam nas condições da Terra primitiva. Como resultado eles viram padrões químicos iguais aos das zonas modernas de subducção, como o Anel de Fogo do Pacífico. Ou seja, ter essas marcas químicas por si só não é uma prova que as placas tectônicas já existiam e estavam ativas.
O estudo também mostra que o sistema global de placas só foi estabelecido entre 3,2 e 2,7 bilhões de anos atrás. Isso postula m desafio novo de compreender quando a Terra começou a operar com as placas tectônicas e como fazer a diferenciação dos sinais deixados pelo processo com o passar do tempo.
Fonte: Olhar digital
Imagens: BBC






